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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

16.12.17

Fitch tira Portugal do 'lixo'

img_817x460$2016_02_28_20_25_06_277981 (1).jpgA agência de notação financeira Fitch que havia classificado a dívida portuguesa como especulativa em novembro de 2011, decidiu ontem subir a classificação para BBB, um nível acima do mínimo de ‘investimento’ e colocar Portugal no grupo de países como a Itália. A justificação ficou a dever-se, sobretudo, à descida da dívida pública e a previsível queda nos próximos anos.

 

A Fitch junta-se assim à Standard & Poor's e à DBRS a atribuírem um grau de investimento de qualidade. Falta agora a Moody's subir o rating para que o país volte a ter nota de investimento nas três principais agências financeiras.

 

Uma boa notícia para Portugal, pois esta decisão da Fitch tem um alcance positivo nas taxas de juro e na facilidade de a República obter crédito a preços razoáveis.

 

Com esta classificação as obrigações do Tesouro de Portugal passam a ser consideradas um ativo relativamente seguro, dado que, como referiu Mário Centeno, «alarga a base de investidores na dívida da República Portuguesa e vai permitir a entrada em mais índices de dívida soberana».

10.12.17

Caso de Polícia

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Uma reportagem da TVI mostrou, ontem, como Paula Brito Costa, presidente da  Raríssimas - Associação Nacional de Deficiências Mentais e Raras,  pode ter usado quase um milhão de euros, que recebeu do Estado em 2016, em proveito próprio.

 

Após a investigação ter revelado documentos que colocam em causa a gestão da presidente da Associação Raríssimas, ficámos com mais certezas de que a solidariedade dos portugueses tem sido vilipendiada, com o desvio e a má utilização de donativos, principalmente os de cariz financeiro, onde, para além das dádivas, também os subsídios do Estado tiveram destinos menos transparentes.

 

Está situação aqui referida é deplorável. Infelizmente sempre houve e haverá uns quantos, sem escrúpulos, que se vão enchendo à custa da generosidade e da compaixão dos portugueses.

 

Apesar de não podermos tomar ‘a árvore pela floresta’,  sabemos que situações como esta são recorrentes. Todos nós nos recordamos de casos semelhantes, desde donativos que desaparecem, que são desviados para outros fins (por instituições do Estado), as tão famosas 'fundações', só para dar um exemplo.

 

É por existirem pessoas desta indole que a solidariedade coloca-nos, muitas vezes, perante o dilema, entre a confiança e a suspeita, com prejuízo para todos aqueles a quem, verdadeiramente, os fundos se destinam.

 

Penso que estas instituições de cariz social deveriam estar obrigadas a criar instrumentos de auto-regulação (auditorias internas) e fiscalizadas por auditores externos, independentes e complementadas com os instrumentos legais existentes (inspeções realizadas pelos órgãos de tutela),  a fim de se minimizarem situações como esta.

10.12.17

Força, Salvador!

 

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Salvador Sobral já foi submetido a um transplante de coração, após ter sido encontrado um dador compatível. 

 

O cantor de 27 anos, vencedor do Festival Eurovisão, sofria de insuficiência cardíaca grave e estava desde o dia 11 de setembro, data em que deu entrada no hospital, à espera de um dador compatível.

 

Segundo os médicos do Hospital de Santa Cruz, a operação foi um sucesso. Se tudo correr bem o músico pode levar uma vida «completamente normal».

 

Força Salvador! Seremos milhões de corações a torcer pelo teu novo coração. 

 

04.12.17

Habituem-se!

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Mário Centeno foi hoje eleito presidente do Eurogrupo pelos ministros das Finanças da Zona Euro. Venceu à segunda volta o candidato luxemburguês depois de o candidato eslovaco Peter Kazimir e a candidata letã terem renunciado.

 

Centeno iniciará o mandato de dois anos e meio a 13 de janeiro até meados de 2020.

 

Eu sei que haverá certamente alguma direita chocada com a ideia, mas habituem-se!

02.12.17

Mário Centeno no Eurogrupo

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O ministro das Finanças, Mário Centeno, é candidato à presidência do Eurogrupo, cuja eleição terá lugar na próxima reunião do Eurogrupo, agendada para segunda-feira, dia 04 de dezembro.

 

Mário Centeno está no topo de favoritos à presidência do Eurogrupo. O ministro das Finanças tem o apoio das quatro maiores economias da zona euro (Alemanha, Espanha, França e Itália).

 

Vários órgãos de comunicação social nacionais internacionais avançam que o ministro português das Finanças é o candidato com mais hipóteses de conquistar o lugar, anteriormente ocupado pelo holandês Jeroen Dijsselbloem.

 

A escolha de Mário Centeno para presidente do Eurogrupo é uma boa notícia para o país. É prestigiante que um governante português reúna apoios por ter as qualidades necessárias para liderar uma instituição como Eurogrupo. E Centeno tem-nas. Não é por acaso que foi apelidado pelo senhor Schäuble  como o «Ronaldo do Ecofin», depois de nos últimos dois anos ter conseguido cumprir as regras europeias, reduzir o défice português e por a economia portuguesa a crescer, ao mesmo tempo que restituiu os cortes dos salários aplicados pelo governo anterior.

 

Com o próprio ministro das Finanças a liderar o Eurogrupo, Portugal terá menores possibilidades de indisciplina orçamental, uma vez que terá que dar o exemplo. Depois permitirá a Portugal ter uma voz mais ativa nas políticas e na governação da zona euro, o que não é coisa pouca.

 

A única implicação da eleição de Centeno para presidir ao Eurogrupo é a obrigatoriedade da sua manutenção como Ministro das Finanças para além do fim da legislatura.

 

E aqui não há, nem pode haver, qualquer espécie de comparação com Durão Barroso, porquanto o presidente do Eurogrupo é um Ministro das Finanças em efetividade de funções e sê-lo-á, porque essa é uma condição sine qua non. Por isso, não há nenhuma fuga de Mário Centeno, ao contrário de Barroso, esse sim, que trocou o lugar de primeiro-ministro por presidente da Comissão, com as consequências que todos nós conhecemos e lamentamos.

 

30.11.17

Belmiro de Azevedo (1938-2017)

 

 

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Morreu Belmiro de Azevedo, um dos grandes empresários portugueses e um dos homens mais ricos do país. Dono de uma personalidade e frontalidade única, exemplo de criatividade e inovação e com uma visão bem à frente do seu tempo, Belmiro de Azevedo foi e será sempre uma verdadeira referência no panorama empresarial, tanto a nível nacional como internacional.

 

Construiu o maior grupo empresarial português e tornou-se o maior empregador privado do País. Através do Grupo Sonae estendeu a sua atividade a áreas dos hipermercados (Continente e Modelo), das comunicações (jornal Público), e telecomunicações (Optimus). Posteriormente, o grupo procurou expandir-se internacionalmente e apostou no retalho especializado.

 

Em 1991, criou a Fundação Belmiro de Azevedo, que desenvolve a política de mecenato da empresa. Em 2007, depois de 18 anos na direção da Sonae, transferiu a liderança para o seu filho Paulo de Azevedo, atual presidente executivo da Sonae SGPS e reservou para si o cargo de presidente do conselho de administração.

 

Orgulhava-se de ter construído o seu império sem quaisquer ajudas do Estado e nunca se eximiu de criticar o poder político o que lhe trouxe alguns amargos de boca.

 

Belmiro queixava-se que os governos que lhe haviam travado alguns dos maiores negócios, como a OPA sobre a PT, lançada em fevereiro de 2006, assumida como «a maior operação da sua vida» foi um negócio hostil e que falhou. Zeinal Bava fazia parte da comissão executiva da PT e foi um dos que se opôs à OPA lançada por Belmiro de Azevedo. Alegadamente o governo de Sócrates deu instruções para que a Caixa Geral de Depósitos votasse contra a OPA da Sonae. Desde aí, Belmiro cortou relações com José Sócrates e criticou-o fortemente.

 

A Assembleia da República aprovou ontem um voto de pesar pela morte do empresário, manifestando solidariedade à família e amigos, com o voto contra do PCP. Quando se trata de ditadores como Fidel Castro ou Maduro os comunistas votam a favor. É da sua essência. Afinal para o PCP, um empresário é sempre um capitalista, mesmo que crie riqueza e diminua o desemprego criando muitos postos de trabalho, como foi o caso.

28.11.17

Taxar o setor das energias renováveis, sim ou não?

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O PS supostamente havia acordado, na passada sexta-feira, com o Bloco de Esquerda, uma proposta que visava taxar as empresas produtoras de energias renováveis, através da qual o Estado arrecadaria 250 milhões de euros. Na proposta do BE, esta contribuição solidária incidiria «sobre a diferença entre o preço médio da eletricidade no dia da venda e o valor da tarifa garantida e paga que se repercutiu na fatura».

 

Contudo, no dia da votação os socialistas recuaram e chumbaram a proposta. Em entrevista à SIC, o líder parlamentar do PS explica as razões que levaram o partido a mudar o voto na questão da taxa sobre as energias renováveis, na votação do Orçamento do Estado. Carlos César diz que seria precipitado adotar a contribuição sem um debate mais amplo sobre as eventuais consequências jurídicas.

 

Segundo o BE faltaram «nervos de aço ao Governo para enfrentar as empresas produtoras de energia».

 

Do alto do palanque, a deputada do BE Mariana Mortágua condenou o volte face e a deslealdade do PS quanto à contribuição sobre as renováveis, acusando os socialistas de cederem perante o «poder das elétricas».

 

Nas palavras da deputada Marina Mortágua, este «é o retrato de um poder político que cede perante a ameaça e força do poder económico, e que muitas vezes foi cúmplice desse mesmo poder. E é também o melhor argumento para explicar porque é que a EDP não deveria ter sido nunca privatizada».

 

Mas, o que a deputada omitiu foi que a proposta de extensão da contribuição especial de energia ao setor das energias renováveis traria custos significativos para o país: primeiro porque lesava os direitos contratuais dos investidores que aplicaram os seus capitais na presunção de condições de rendibilidade assegurada e iriam certamente reclamar indemnizações; depois porque contrariava a aposta nacional nas energias renováveis, que como se sabe é fundamental para reduzir a dependência energética do País e, finalmente, porque a aplicação de uma taxa teria seguramente repercussões nos preços da eletricidade. Alguém teria de arcar com este imposto e seriam certamente os consumidores que veriam a sua fatura inflacionada no final de cada mês. Daí que o custo-benefício da medida seria residual.

 

A pretensão do BE em taxar quem investe na produção de energias renováveis a bem da sustentabilidade energética não se compreende, é apenas puro populismo, certo é que na sexta-feira os socialistas tinham votado a favor da medida, ontem deram o dito por não dito, talvez por bom senso, mas pecaram pela incoerência.

25.11.17

Pedro Rolo Duarte (1964-2017)

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«Pedro, isto já não vais ler. Já não me importo tanto. Vão ler as pessoas que te amam. Estou aqui para lhes dizer quanto tu as amavas. Não te calavas com a tua mãe, Maria João. Éramos os dois apaixonados pelas nossas mães: havia meninos mais mimados pelas mães? Eu nunca conheci.

 

Chegavas tu. Passávamos horas a contar histórias das nossas mães e não era naquele género competitivo da tua mãe ser melhor do que a minha. Reconhecíamos que, a partir do mais alto nível, as mães não podem ser melhores do que já são.

 

Passávamos horas a falar nos nossos filhos. O António Maria é um orgulho nacional desde pequeno - todo ele é (só para começar) honra, inteligência, dedicação, generosidade, abertura, entusiasmo e sabedoria — mas o teu amor por ele ultrapassava toda a justiça. Tu punhas-nos todos a amá-lo também.

 

Vão ter saudades de ti, Pedro. Tu eras uma criança nos teus afectos, puro como se só os sentimentos contassem. Àqueles que amavas perdoavas tudo. Esse perdão já faz falta. Já faz falta o teu amor. Tudo o que tu davas, de tão bonito e verdadeiro, ficou dado para sempre. Mas era tão bom receber o teu amor directamente, de ti.

 

As mortes são uma merda mas a tua parece a pior de sempre. Nunca fizeste as coisas pela metade, raios te partam. Tinhas de ser surpreendente até ao fim, mesmo sendo o fim que tão tristemente nos surpreendeu.

 

Fizeste-me tão feliz, Pedro, tantas vezes. A tua felicidade — amar a família, as pessoas, as coisas, os jornais, as músicas, as discordâncias, os amigos — sobrava para a nossa.

 

Como é que conseguiste? Como é que vamos viver sem ti? O que é que eu faço aos nossos planos? E agora? Com quem é que eu não vou almoçar todas as quartas-feiras? Já nem disso consigo rir-me, por não estares aqui para te rires comigo.

 

Tu eras o riso, a aventura de fazer e de andar para a frente, a coragem de bater o pé e insistir, o brio de levantar o queixo e seguir por onde nos desse na real telha.

 

Teu era o espírito aberto, a alma aberta ao acaso, a abertura do mundo para quem o mundo ama, o ponto de partida multiplicado por cada veneta que se tem, a maneira de amar e ser amado como se o amor fosse a coisa mais fácil e abundante desta vida.

 

Contigo era. Contigo é e continua a ser. Obrigado por nos teres deixado a melhor coisa que há: o teu amor. Era mútuo, como tu muito bem sabias. Ainda bem que sabias isso e que nada que eu digo aqui seja novidade para ti.

 

Ao menos isso, Pedro, fica para sempre.

 

Fica para sempre, Pedro. Espera por nós. Guarda-nos um lugar perto de ti, ouviste?»

 

Miguel Esteves Cardoso - Público

25.11.17

Cheias de 1967

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Assinala-se hoje meio século sobre as cheias de novembro de 1967. Foi na madrugada de 25 para 26 que a chuva intensa dizimou cerca de 700 pessoas e que o governo do Estado Novo tentou ocultar a todo o custo. Oficialmente, foram 462 vítimas.

 

Recuperando testemunhos de época, o documentário O Tempo Que Faz, da autoria de Helena Matos, exibido ontem pela RTP1, reconstituiu uma das maiores catástrofes ocorridas em Portugal, quando a chuva ultrapassou todos os limites e a água deixou um rasto de morte e destruição. Bairros e aldeias nos arrabaldes de Lisboa foram levados pelas cheias e pela lama, 20 mil casas ficaram danificadas, os prejuízos foram incalculáveis. 

 

Perante a letargia do governo, foram os estudantes universitários que se dispuseram a ajudar as vítimas. Um movimento que marcou definitivamente uma geração. Para muitos estudantes, as cheias de 67 foram um momento de tomada de consciência das desigualdades e da injustiça social, tornando-se um momento de viragem.

 

E como era miserável o país há 50 anos!