Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

23
Ago17

Não havia necessidade

 

graca-fonseca-01.jpg

 

Graça Fonseca, secretária de Estado da Modernização Administrativa, em entrevista ao DN, entendeu revelar a sua orientação sexual explicando tratar-se de uma «afirmação completamente política».

 

Para a governante, responsável pelo Simplex e pelo Orçamento Participativo, é importante as pessoas afirmarem publicamente que são homossexuais para que a sociedade as comece a olhar de outra forma.

 

A entrevista da responsável política tem sido amplamente comentada nas redes sociais, com a maioria dos utilizadores a concordarem com Graça Fonseca e a lembrar que, apesar de estarmos no século XXI, a entrevista faz todo o sentido.

 

Lamento discordar, mas acho inusitada a revelação da sua homossexualidade. Para os cidadãos pouco importa se os seus governantes são homossexuais, vegetarianos ou intolerantes ao glúten, interessa-lhes, isso sim, que cumpram as funções para as quais foram eleitos com a máxima competência e  dignidade profissional e política. Quanto ao resto é acessório e despiciendo.

22
Ago17

Manuel Machado e os orçamentos dos clubes

img_841x470$2017_08_16_23_33_50_1302559.jpg

 «Há um conjunto de razões indiretas que parecem ser importantes para matéria de reflexão. O que vi ontem no Afonso Henriques, na Luz e aqui, há 15 dias, esta disparidade de meios à disposição é algo que tange o abjeto. Eu com um orçamento de 3 milhões contra uma equipa de 70 ou 80 milhões, acha pesado? Acha legítimo? Dizem que o futebol é o negócio do seculo. É uma área a ser conservada. O que esta a acontecer a curto, médio prazo vai acabar com este tipo de coisas. Isto vai ser o caminho para a frente. O presidente da Federação Fernando Gomes, o presidente da Liga Pedro Proença, o senhor Secretário de Estado, vocês, imprensa, que juntam trios a falar do mesmo. Todos são responsáveis O que conta é o campeonato dos três. O resto é carne para canhão.». Quem o disse foi Manuel Machado, atual presidente do Moreirense, após a derrota do Moreirense, por 3-0 contra o FC Porto.

 

No futebol como na vida, há os clubes mais ricos, clubes menos ricos, e os outros que lutam desesperadamente para não descer de Divisão. Efetivamente, clubes como o Sport Lisboa e Benfica, tem um orçamento de 150 milhões de euros para esta época, e Sporting e FC Porto têm valores acima dos 100 milhões de euros para gastar nos respetivos planteis. Os pequenos clubes sobrevivem com orçamentos de sete, cinco ou até três milhões de euros. A diferença é, de facto, abissal quando se compara um FC Porto com um Moreirense.

 

Todavia no campo, muitas vezes, essas diferenças são atenuadas. Há clubes com orçamentos reduzidos que conseguem formar equipas competitivas que jogam com os grandes de igual para igual e muitas vezes com vantagem. Vão gerindo o plantel com os recursos disponíveis e com empréstimos de jogadores de outros clubes. Estou a lembrar-me do caso do Moreirense que, no ano passado, venceu a taça da Liga, do Chaves e do Rio Ave. Tem tudo a ver com a motivação e com a forma de jogar que o treinador consegue transmitir à equipa.

 

Há quem defenda que a solução passa por uma negociação coletiva entre os clubes da I Liga ou entre todos os clubes das Ligas profissionais (I e II Ligas), sendo o principal argumento o de fortalecer a posição negocial dos clubes e permitir uma distribuição mais equitativa das receitas.

 

É o que acontece na Alemanha ou em Itália onde existem várias equipas que não são de topo, mas têm orçamentos elevados o que lhes permite contratar bons jogadores.

 

Em Inglaterra, na Premier League, onde os direitos de TV estão centralizados, temos sete ou oito candidatos ao titulo. A média de orçamento para cada clube cifra-se nos 243 milhões de euros. Não é, pois, de admirar que o Leicester, por exemplo, que nem sequer era considerado candidato tenha conseguido ganhar o campeonato inglês.  Que um clube como o Everton, quinto ou sexto lugar na tabela, tenha adquirido um jogador por quase 50 milhões de euros, ou que o Watford, que luta para não descer, tem 113 milhões disponíveis para investir no plantel esta época. São números quase idênticos aos dos três grandes do futebol português.

 

Mas por cá nunca houve, e continua a não haver, vontade dos grandes clubes para que se tivesse avançado para a centralização. Agora com os direitos nas mãos das operadoras de comunicação, pior um pouco.

 

Benfica, FC Porto e Sporting assinaram contratos individuais com as operadoras NOS e MEO, levando os outros clubes a tomar a mesma opção. Contudo, os valores pagos a cada um dos três grandes não é comparável ao de um pequeno clube.

 

Assim sendo, as diferenças vão continuar a existir.

19
Ago17

Na mouche!

 8c16d9e8ec0f4ba99ef81ff3fde90f2d.jpg

 

«Esta semana, um tweet abalou as redes sociais. João Quadros, “humorista e homem de esquerda” partilhou com o mundo aquilo que considerou ser “uma boa piada” e rezava assim:

“Eu a pensar que só havia uma cabeça rapada em casa do Passos”.

Uma piada, para merecer o nome, tem de fazer rir. Francamente não conheço ninguém que tenha sequer esboçado um sorriso perante isto.

Eu, como mulher de esquerda, senti-me profundamente envergonhada. Acabrunhada, é a expressão certa.

O humor tem limites? É uma discussão interessante. Mas podemos começar por chegar a um acordo: o humor tem de ter graça. O Quadros tem o direito de escrever uma coisa destas?

Pois claro que tem. Isso nem está em causa. Terá também em consequência (e tem) arcabouço para lidar com as críticas.

Aquilo que mais me surpreendeu na “piada” do Quadros foi, como já disse, a falta dela (e ele até me costuma fazer rir) e depois, a flagrante falta de inteligência em se apresentar assim numa bandeja, nu e frágil, perante todos os seus inimigos ideológicos que, por norma, até são os meus. Essa parte custa muito.

E assim, com um tweet, mergulhou de cabeça no lodo dos porcos que sempre combateu. Tudo por uma “boa piada” que, lá está, foi tudo menos boa.

As redes sociais incendiaram-se, os insultos subiram de tom, ameaçaram-lhe o filho, prometeram-lhe tareia e, por uma “boa piada”, colocou-se ao nível de diálogo dos verdadeiros racistas, xenófobos e misóginos que por aí andam.

Uma boa piada não se explica, a não ser que não seja boa. Sendo que esta é péssima. Quadros devia explicá-la. E devia, em simultâneo, pedir desculpa a Laura Ferreira. Engolia o orgulho e fazia aquilo que, pressinto, saiba intimamente que deve fazer.

E agora Laura.

Porque no meio de tudo isto está uma mulher que não foi tida nem achada.

No meio disto, está uma mulher que se chama Laura Ferreira porque (facto público) nunca quis adoptar o nome do marido.

Chama-se Laura Ferreira, é mulher e negra. Encontra–se, por isso, no grupo de pessoas mais discriminadas por todo o globo. Nascer mulher já determina viver em desigualdade. Nascer mulher e negra sentencia uma dupla discriminação.

O que sei eu sobre Laura?

Pouco. Sabemos todos e todas muito pouco porque sempre optou por não se expor. Sei que é fisioterapeuta, nasceu na Guiné e é mãe de duas raparigas.

Sei que é doente oncológica e por isso perdeu o cabelo. E não o sei porque a própria o tenha partilhado publicamente. Sei-o porque por vezes lhe tiram fotos à socapa, invadindo a sua intimidade, lá está, por ser “mulher  de”.

Sei que tem um sorriso bonito porque das poucas vezes que aparece publicamente, está sempre a sorrir. E sei por intuição e empatia de vida que às vezes lhe deve ser muito difícil sorrir.

Laura Ferreira optou sempre por não cumprir um papel público e muito menos político. Não dá entrevistas, mal aparece (e sempre foi assim, não é de agora). Resguardou-se sempre. Recusou ser “mulher de”.

Quis ser apenas Laura. E é.

Tem por isso todo o direito a estar sossegada, a não ser incomodada.

E é também por isso miserável que possa servir de pretexto para ataques  ao marido.

E é também por isso que este tweet do Quadros me revoltou, entristeceu e envergonhou. É que aqui não pode haver dois pesos e duas medidas: se fosse o Sinel de Cordes ( “humorista e homem de direita”) a fazer esta piada, a esmagadora maioria dos meus amigos far-lhe-ia a folha em três segundos, nessas mesmas redes sociais.

Laura foi utilizada como punchline de uma “boa piada” – que é péssima by the way – para ser reduzida a “mulher de”.

Não é a primeira, nem será a última. “Mulher de”, “Filha de”, “Irmã de”, “Namorada de” reflexos de um sexismo latente numa sociedade estruturalmente machista. À esquerda, à direita, não me interessa. Machista.

Laura quis ser só Laura. E é.

Eu cá envio-lhe um abraço cúmplice e fico a aguardar (sentada) o pedido de desculpas que lhe ficam a dever, e através dela, no fundo, a todas nós.

Rita Ferro Rodrigues»

16
Ago17

No dia da Assunção de Nossa Senhora

arvore.png

Já não bastavam os incêndios que grassam por esse país fora, ontem, dois altares de culto a Nossa Senhora foram abatidos. Em Lousada, tonelada e meia de andor, carregado por 80 homens, ruiu e fez cerca de uma dezena de feridos. Na freguesia do Monte, no Funchal, outra procissão ia sair, quando cai uma árvore e mata treze pessoas e fere mais de quatro dezenas.

 

Para um católico estas tragédias configuram uma absurda crueldade. Aquelas pessoas, aquelas famílias, preparavam-se para honrar Nossa Senhora,no aniversário da morte da Virgem Maria e a sua subida aos céus - Dia da Assunção de Nossa Senhora.

 

Mas, religião á parte, a confirmar-se que a Câmara Municipal do Funchal foi em tempo notificada para abater aquela árvore de grande porte e fez 'orelhas moucas', então terão de existir consequências legais para os autarcas responsáveis.

 

E se se confirmar que os serviços da autarquia madeirense garantiram que as árvores aguentavam e estavam em condições de continuar, pese embora os constantes apelos dos munícipes, os técnicos da autarquia não poderão ficar impunes. Mais importantes que as árvores ainda são as pessoas. Já que não se podem evitar estas mortes ao menos que se honre a sua memória fazendo-se justiça.

27
Jul17

Ensaio sobre a cegueira

img_770x433$2017_07_27_11_47_50_1294826.jpg

Quarta derrota do Sporting na pré-epoca. Dir-me-ão: são jogos de preparação. Ok, mas não deixa de ser preocupante sofrer tantos golos.Não sei de quem foi a ideia de vender os nossos dois centrais e ir buscar outros que a meu ver não são melhores.

 

Continuamos a  apostar na formação, formar bons jogadores para  depois os despacharmos para outros clubes por tuta e meia. Rubén Semedo, Cédric e Francisco Geraldes são exemplo disso.

 

Este Sporting ainda não me convenceu. Nem a equipa nem o treinador. Vai ser mais uma época perdida?. Ler aqui o artigo de Nicolau Santos.

 

Mais cego é aquele que não quer ver. Abram os olhos enquanto é tempo.

26
Jul17

Oportunismo mórbido

 20264745_10155447498888376_2977252219004788755_n.j

É vergonhoso o aproveitamento político que os partidos da Direita e alguma comunicação social estão a fazer com as vítimas do incêndio de Pedrogão.

 

A grande preocupação incide agora sobre a contabilidade dos mortos. Sobre a divulgação das listas com os nomes. É aberrante e doentia a obsessão com a devassa até das mortes. Parece que vale tudo. Nada nem ninguém merece respeito. Nem a memória dos mortos nem a as suas famílias.

 

Mas porventura existirá alguém interessado em esconder mortos? Por que o fariam e com que intenção? Será credível que as autoridades governamentais, depois de reconhecerem com base nas informações recolhidas e que lhe foram transmitidas, um número tão extraordinário como 64 vítimas, teriam interesse em esconder mais mortes, se comprovadas?

 

Interessante foi também o ultimato feito pelo PSD ao governo, através de Hugo Soares,  para a divulgação da lista de pessoas que  faleceram no incêndio de Pedrógão Grande com a ameaça de um pedido de urgência de uma reunião de líderes na AR.

 

Que dizer em relação a mais esta trapalhada de um partido (e do seu novo líder parlamentar), que deveria ter sentido de Estado e demonstrar que como maior partido da oposição é responsável.

 

Mas mais uma vez se veio a verificar o oportunismo político deste PSD que até das vítimas do infausto acontecimento se serviu, para tentar tirar dividendos políticos.

 

Só a silly season e a aproximação do período eleitoral justificam este desvario. Bem sei que o Diabo não dá sinais, mas socorrerem-se do inferno dos fogos também não parece uma boa estratégia.

24
Jul17

Os livros de Enid Blyton

images3A3AB9Y3.jpg

 

Comemora-se neste mês 75 anos da primeira aventura de “Os Cinco” contada por Enid Blyton, provavelmente a escritora mais popular em todo o mundo.

 

O primeiro livro, datado de 1942, foi Os cinco na Ilha do Tesouro, depois mais 20 se seguiram desta coleção. Sucessivas gerações de leitores foram influenciadas por este grupo de duas rapazes, duas raparigas e um cão, cujas histórias, depois de muitas adversidades, acabavam sempre bem.

 

A Biblioteca Nacional, em Lisboa, em jeito de comemoração, inaugura, hoje, uma mostra bibliográfica que celebra simultaneamente o 75.º aniversário das primeiras aventuras da série “Os Cinco” e os 120 anos do nascimento de Enid Blyton (1897-1968).

 

O meu primeiro contacto com a literatura aconteceu graças a Enid Blyton. Antes dos “Os Cinco” e “Os Sete” eu desconhecia o prazer de ler, porque quem lê um livro desta autora e gosta não pode parar de ler a coleção inteira. Li depois "As Gémeas" e a coleção "Mistério".

 

Os livros de Enid Blyton estimulavam a nossa imaginação e transportavam-nos para um mundo de fantasia e de faz de conta. Recordo bem a avidez com que devorava “Os Cinco” e “Os Sete” e ainda me lembro da descrição daqueles deliciosos lanches que o grupo levava para as suas aventuras, onde não faltava a limonada e o bolo de frutas e lembro-me do suspense que aquelas narrativas produziam em mim, na ânsia de ver os heróis salvos e os vilões castigados.

 

Sem dúvida que Enid Blyton marcou a minha infância e, mais importante ainda, foi a responsável pelo meu gosto pela leitura.

 

Os livros de Enid Blyton sobrevivem até hoje. Adaptados aos novos tempos, continuam a animar várias gerações, atravessando fronteiras linguísticas, geográficas e culturais.

 

Os anos passam, mas a fórmula de Enid Blyton, essa, mantém-se inalterável, como uma marca firme que perdurará para sempre.

22
Jul17

Henrique Neto sai do PS

 1423d9a3306b7fb14053b154134bc993-783x450.jpg

Leio que Henrique Neto, 81 anos, abandonou definitivamente o PS. Sinceramente pensei que o antigo candidato a Belém já se tinha desvinculado há mais tempo.

 

É que pelo menos de há 20 anos a esta parte não me lembro de nenhuma iniciativa ligada ao PS que Neto tenha apoiado. Sempre foi um dos socialistas mais críticos dentro do próprio partido.

 

O fundador da Ibermoldes, que entrou para o PS em 1993, pela mão de Jorge Sampaio, foi protagonista de algumas polémicas ao longo da sua carreira política, senão vejamos:

 

Henrique Neto opôs-se à atuação de António Guterres enquanto Primeiro-Ministro. Em 2001 chegou mesmo a apresentar uma moção com o título Portugal Primeiro, que acabou por não ser debatida em congresso por decisão do próprio António Guterres. O antigo candidato a Presidente da República definiu a liderança Guterres como sendo uma «liderança sem ideias, convicções ou respostas adequadas».

 

Também foi crítico em relação à liderança de Ferro Rodrigues e por duas vezes tentou interferir na liderança do atual presidente da Assembleia da República, quando este era líder parlamentar. Em 2003 pediu a demissão de Ferro Rodrigues acusando-o de se ter envolvido demais no escândalo Casa Pia. Começou nessa altura a dizer que o PS precisava «de uma limpeza» – frase que repetiu inúmeras vezes, em várias ocasiões.

 

As críticas a José Sócrates também não foram menores. O ex-deputado socialista afirmou que sempre tinha achado «que o PS entregue a um tipo como Sócrates só podia dar asneira». Mas não se ficou por aí: «não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis. Mas ele é Primeiro-Ministro e está a dar cabo do meu país. Não é o único, mas é o mais importante de todos», declarou na altura em que Sócrates era primeiro-ministro. Aquando da prisão de José Sócrates, o histórico socialista não deixou de comentar a situação assegurando que «há anos que esperava que isso acontecesse. Os indícios eram mais que muitos».

 

Mas Henrique Neto também não foi propriamente um «menino de coro», dado que também se viu envolvido em algumas polémicas. Em 2007, no âmbito da Operação Furacão, que envolvia dezenas de figuras que teriam lesado o Estado em mais de 30 milhões de euros através de transferências bancárias para contas em paraísos fiscais, Henrique Neto foi constituído arguido mas não chegou a ser acusado, apesar de ter admitido receber «alguns montantes monetários, tendo-os utilizado, pelo menos em parte, em benefício próprio». Contudo, o empresário não chegou a ser acusado de fraude fiscal qualificada por entretanto ter regularizado a situação. Este processo tinha como juiz de instrução o juiz Carlos Alexandre.

 

De António Costa diz que «é um bom executante da política à portuguesa e um erro de 'casting' como estadista e primeiro-ministro» e responsabiliza-o pela morte de 64 pessoas inocentes em Pedrogão Grande. Na mesma linha, acusa também António Costa de falta de liderança, ao aceitar a opção pelo combate ao fogo, em detrimento da defesa dos cidadãos.

 

Por tudo isto, haveria alguém que pensasse que Henrique Neto estivesse ainda ligado ao PS? A sua saída do PS só peca por tardia. Há muito tempo que Henrique Neto não só não acreditava, como não se revia no PS, por isso se calhar devia ter abandonado o partido mais cedo ou porventura nunca ter aderido ao PS.

19
Jul17

Por que não se acaba com o SIRESP?

 

1141352.jpg

Um mês depois da tragédia de Pedrogão Grande, o Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal (SIRESP) usado pela polícia, pelos bombeiros e por outras autoridades nacionais voltou a mostrar fragilidades em Alijó, tendo sido notícia nos últimos anos pelas falhas graves e gastos dispendiosos com a sua manutenção.

 

Quando falamos do SIRESP estamos a falar de uma operadora da Rede Nacional de Emergência e Segurança resultante da parceria público-privada promovida pelo Ministério da Administração Interna que tem como missão a conceção, fornecimento, montagem, construção, gestão e manutenção do Sistema Integrado de Redes de Emergência e Segurança de Portugal.

 

O maior acionista do SIRESP, com 33%, é a Galilei, outrora Sociedade Lusa de Negócios (SLN). Os outros acionistas são a PT Ventures (detida pela Altice), a Motorola, a Esegur (sociedade da CGD e do Novo Banco, então BES) e a Datacomp, uma tecnológica também pertencente à estrutura SLN/Galilei.

 

Desde a assinatura do acordo, no início de 2006, e até ao final de 2014, este sistema de comunicação nacional custou aos cofres do Estado 270 milhões de euros (IVA excluído).

 

A instalação do sistema começou por ser um projeto pensado e proposto por um Grupo de Trabalho constituído durante o governo de António Guterres.  A seguir, o governo do Santana Lopes adjudicou o contrato, já em gestão (o projeto viria a ser aprovado pelo ex-gestor da Plêiade, ligado à SLN e ao BPN, e ex-ministro do Governo PSD-CDS, Daniel Sanches, três dias depois da derrota destes dois partidos nas legislativas de 2005). Por fim, António Costa, então ministro da Administração Interna de José Sócrates, chegou a manifestar a intenção de rever as negociações iniciadas pelos executivos anteriores, decretando que fosse anulada a adjudicação do contrato, tendo por base um parecer da Procuradoria-geral da República. Mas acabou por fechar o contrato por 485,5 milhões de euros em maio de 2016 (52,5 milhões abaixo do valor adjudicado em fevereiro desse ano pelo ministro social-democrata Daniel Sanches).

 

Em 2006, o Tribunal de Contas concluiu que foram «claramente violadas as normas» do contrato de adjudicação do SIRESP. Uma violação «suscetível de se repercutir negativamente no resultado financeiro do contrato» e que fundamentava uma eventual recusa de visto. Porém, os juízes do Tribunal de Contas optararam por visar o contrato com recomendações, salientando as várias fragilidades do negócio.

 

Nesse ano, o Ministério Público chegou a abrir um inquérito à adjudicação feita por Daniel Sanches, mas dois anos depois foi arquivada. Entretanto, a SLN transformou-se em Galilei e prossegue a atividade empresarial. Um dos ativos do Grupo Galilei é a Datacomp, empresa de tecnologias de informação que detém uma participação de 9,55% na estrutura acionista do SIRESP. Com a privatização da Portugal Telecom, o Governo de então entregava a uma empresa privada a sua rede de comunicações, com todos os riscos que tal medida acarreta.

 

Após a tragédia de Pedrogão que vitimou 64 pessoas verificou-se um ‘passa-culpas’ entre entidades e governos, o que só contribuiu para agravar as desconfianças do SIRESP e aumentar o receio das populações perante os incêndios.O SIRESP continua a ser arma de arremesso entre o Governo e oposição.

 

Perante isto, é caso para perguntar, porque não se caba com o SIRESP? Um sistema que nunca cumpriu a função para a qual foi criado e que a a dimensão da tragédia de Pedrógão só cveio contribuir para por a descoberto as debilidades de um sistema de comunicação, que custou milhões aos cofres do Estado, mas que nunca se mostrou eficaz. Um processo de adjudicação intrincado que mostrou falhas graves logo na sua génese.

 

E como diz o povo: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita.

16
Jul17

Gentil Martins ataca homossexuais e barrigas de aluguer

img_770x433$2017_07_15_11_18_35_1290045.jpg

O Dr. Gentil Martins deu uma entrevista ao Expresso em que aborda o tema da homossexualidade e as barrigas de aluguer, comparando os homossexuais aos «sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam». «Sou completamente contra os homossexuais, lamento imenso», disse.

 

O cidadão Gentil Martins tem todo o direito a estar contra as barrigas de aluguer e achar que todas as crianças têm o direito a ter mãe, assim como tem o direito de não gostar de homossexuais, mas perde toda a razão quando passa ao insulto, atacando a moral de Cristiano Ronaldo, chamando-lhe «estupor moral» e ao por em causa a educação que a sua mãe lhe proporcionou.

 

O médico Gentil Martins não pode afirmar que a homossexualidade é uma «anomalia», «um desvio de personalidade», comparando-a aos sadomasoquistas ou as pessoas que se mutilam.

 

Porque uma coisa é o direito à liberdade de expressão a que Gentil Martins tem como cidadão, outra bem diferente é o dever que o cirurgião tem enquanto médico, de ter um «comportamento público adequado à dignidade que a sua profissão exige», como referiu o bastonário da Ordem dos Médicos.

 

Duas médicas já comunicaram que vão fazer queixa na Ordem dos Médicos o que implica que as declarações de Gentil Martins sobre a homossexualidade tenham que ser analisadas pelos órgão competentes.

 

Atualmente com 87 anos, o cirurgião ficou famoso pela separação de gémeos siameses e foi bastonário da Ordem dos Médicos, continuando ainda no ativo, a dar consultas e a efetuar cirurgias.

 

Mas não é pela sua provecta idade ou por ter salvado muitas vidas que o médico ganha supremacia moral sobre os outros ou pode-lhe ser permitido proferir declarações homofóbicas que visem atingir outros cidadãos.