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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

31
Jul14

Querido mês de agosto!!!

 

 (imagem do google)

A contrário da maioria das pessoas gosto de ter férias em Agosto. Sempre gostei.

Eu sei que nessa altura a cidade está tranquila, há menos trânsito, há estacionamentos à escolha,  menos pessoas, mas, mesmo assim, prefiro o mês Agosto para férias.

É que estar de férias em Julho dá-me a ilusão de que, no final, ainda há um verão inteiro para desfrutar e muitos dias de praia para aproveitar. Ao contrário do que acontece quando se tira férias em  Agosto. Nesta altura “cheira” já a despedida do verão e do calor.

E uma semana a mim não me basta, porque a sensação de férias demora a fazer-se sentir. Duas semanas dão a impressão que tudo acaba antes de começar. À terceira semana começamo-nos a habituar à boa vida, a saborear o prazer do remanso e como seria bom  viver sempre assim. Então à quarta...bom à quarta já ninguém se lembra que tem um trabalho e é por isso mesmo que a ideia de regresso ou a palavra rentrée provoca reações estranhas e é tão difícil voltar à nova realidade.

Amanhã entro formalmente de férias. Sem despertadores, sem imposições de horários, com a possibilidade de poder dormir até não haver amanhã, viver segundo a vontade de cada instante, apanhar sol, ler bastante, descansar, conversar, ou ficar simplesmente em casa no dolce  far niente.

Nos próximos trinta dias é esta calma que me guia, no luxo imenso de  poder ser dona do meu tempo. Tão bom!...

30
Jul14

Poderão os depositantes do BES estar tranquilos?

 

 (imagem do google)

A turbulência vivida pelo Grupo Espirito Santo (GES) em geral e pelo BES em particular tem levado muitos dos depositantes do banco, nos quais me incluo, a questionarem se deverão ou não manter as suas poupanças depositadas naquele banco.

Esta é naturalmente uma pergunta legítima e compreensível, face à instabilidade e incerteza  daquela instituição e que ganha maior dimensão à medida que vão sendo veiculadas na comunicação social novas notícias sobre o BES.

O BES é um dos maiores bancos nacionais, sendo mesmo o maior banco português cotado na bolsa e a segunda maior instituição financeira a operar em Portugal.

Isto, só por si,  justifica o facto de o país ter estremecido face às primeiras notícias da crise no BES. A possibilidade de estarmos perante um novo e mais catastrófico caso BPN inquietou milhões de depositantes e de portugueses.

O BdP foi forçado a  emitir um esclarecimento público destinado a esclarecer as dúvidas do público em geral, mas principalmente para tranquilizar os depositantes do BES. O comunicado do BdP referia que o BES continua a apresentar uma situação de solvabilidade, a qual foi até reforçada recentemente através do aumento de capital da instituição. Esta entidade reguladora referia ainda a adoção de diversas ações de supervisão, destinadas a reduzir os riscos de contágio entre o GES e o BES. Estas medidas visam sobretudo impedir que os problemas resultantes do ramo não-financeiro do GES pudessem de alguma forma contagiar o banco.

Outra das principais preocupações de quem tem dinheiro depositado no BES tem a ver com queda abrupta do valor das ações do BES que se tem verificado ultimamente na bolsa.

Ora, aqui importa perceber que o mau desempenho das ações na bolsa não compromete a integridade dos depósitos. A queda das ações reflete sobretudo a desconfiança que os investidores estão neste momento a sentir face ao banco. No sistema bancário nacional encontramos no passado um caso paradigmático. No pico da crise financeira, as ações do BCP desvalorizaram significativamente ao ponto de valerem apenas três cêntimos por ação. Contudo,  esta queda acentuada do valor das ações do BCP não comprometeu o normal funcionamento do banco, nem colocou em causa a integridade dos depósitos. Isto porque a solidez de um banco está diretamente associada à sua capacidade de cumprir as responsabilidades que lhe são inerentes e não ao valor das suas ações no mercado bolsista.

Ainda que a realidade futura desmentisse tudo o que foi anteriormente exposto, se as garantias do BdP porventura falhassem e se o BES realmente caísse, qual seria então o cenário para os depositantes?

Na eventualidade do pior cenário se concretizar, os depositantes poderiam ainda contar com a proteção do Fundo de Garantia de Depósitos. Este fundo é da responsabilidade do Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras e tem como principal missão assegurar o reembolso dos depósitos realizados nas instituições de crédito aderentes. Na prática, isto significa que depósitos até 100 mil euros estão cobertos por este Fundo de Garantia.

Até porque num quadro meramente teórico, se todos aqueles que hoje questionam: «Devo tirar o meu dinheiro do BES?», o fizessem, tal ação desencadearia e aceleraria seguramente a queda do banco, com as consequências negativas inerentes para todo o tecido financeiro português.

Acresce, ainda, que as instituições financeiras portuguesas ainda dispõem de cerca de 6,4 mil milhões de euros, valor ao qual poderão recorrer em caso de necessidades. Este é mais um do motivos que deve servir para tranquilizar todos os depositantes do BES.

29
Jul14

Chá gelado

 

 

Para estes dias de calor nada como um chá gelado para refrecar. Como adoro o sabor de limão e canela, esta bebida para mim é perfeita.

INGREDIENTES

Cascas de Limão

Sumo de limão
Pau de Canela

Adoçante, açúcar mascavado ou mel

PREPARAÇÃO

Prepare o chá fervendo as cascas de limão e alguns paus de canela em água por cerca de 10 minutos. Deixe esfriar e junte o suco do limão.

Adoce e sirva com cubos de gelo.

Sirva com rodelas de limão ou lima e folhas de hortelã (ótimo para decorar)

Beba gelado e sem moderação!

28
Jul14

Take Another Plane

 (imagem do google)

 «Take another plane» parece assentar que nem uma luva quando se fala dos serviços prestados pela TAP. De facto, apanhar outro voo, é atualmente o mais indicado, porque na TAP há clientes que saem permanentemente insatisfeitos, fruto dos sucessivos atrasos e cancelamentos verificados nos últimos tempos.

No início do ano a TAP cresceu exponencialmente abriu onze novas rotas, abriu concursos para recrutamento de novos funcionários, adquiriu mais aviões, porém a operacionalidade da companhia tem sofrido perturbações, o que tem vindo a ser justificado com a demora na entrega de seis novos aviões, que deveriam ter chegado em Julho.

Os constrangimentos na operação da TAP não são novos. Pelo menos de há três anos a esta parte, assim que entra no pico de procura (nos meses de Verão), há atrasos, cancelamentos, incidentes técnicos e, claro, passageiros indignados. Este ano foi pior, como a própria companhia admitiu, embora argumentando sempre que planeou a operação com o «devido tempo».

No meio da perturbação que a TAP vive, surgiu na sexta-feira, a convocação de uma greve de 24 horas prevista para 9 de Agosto, numa altura em que a companhia já esperava ter a operação quase normalizada.

O anúncio de uma paralisação deste tipo é arrasador. As transportadoras aéreas começam logo a sentir os seus efeitos. Os passageiros tendem a cancelar os voos e recorrer a empresas concorrentes e a reprogramação da operação paga-se muito caro.

A concretizar-se, esta greve vai penalizar ainda mais as contas da empresa, estimando-se uma perda de cinco milhões de euros de receitas por cada dia que os aviões não descolem. Isto sem contar com os custos de alojamento e alimentação dos passageiros lesados. Tendo em conta o tráfego médio de um sábado, em pleno Agosto, estima-se que a greve possa afetar quase 40 mil passageiros, de acordo com dados cedidos pela transportadora. 

Entretanto surgiu na imprensa o interesse de Miguel Pais s do Amaral na transportadora aérea, em consórcio com o milionário norte-americano Frank Lorenzo, antigo acionista e presidente da Continental Airlines. O empresário garante que muito em breve estará em condições para apresentar uma proposta para comprar 100% da TAP. A ver vamos!

27
Jul14

Como queimar um candidato presidencial

 

(imagem do google)

 A crise vivida no Grupo Espírito Santo poderá ter repercussões nas eleições presidenciais e comprometer candidatura de Marcelo Rebelo Sousa a Belém.

Quem o afirma é Miguel Pais do Amaral em entrevista ao Dinheiro Vivo, defendendo que o putativo candidato tem fortes ligações ao BES e como tal as suas ambições presidenciais podem sair afetadas da crise vivida no GES.

Segundo Pais do Amaral, a companheira de Marcelo, Rita Amaral Cabral, é administradora no grupo BES e o seu filho é funcionário da PT, acrescentando que Marcelo e Rita eram os melhores amigos do casal Salgado. Viajavam, passavam férias juntos, avançando que «obviamente que uma pessoa que é a melhor amiga de alguém, se esse alguém não sair bem, não tem quaisquer condições para ser candidato presidencial, nem para alimentar essa candidatura».

Para sustentar a sua tese o empresário recorre ao caso Madoff nos EUA em que, quando este foi preso, os «políticos amigos mudaram de carreira, não tinham qualquer hipótese de continuar a exercer a política, porque eram amigos de alguém que tinha feito coisas que não devia”. «Diz-me quem são os teus amigos, dir-te-ei quem és”, disse Pais do Amaral.

Pais do Amaral alerta igualmente que os impactos políticos também podem fazer sentir-se nas legislativas, porquanto «alguns ministros que eram muito próximos do presidente da comissão executiva do BES e essa proximidade poderão ser negativa».

Já há cerca de uma semana, João Rendeiro, o banqueiro acusado de burla qualificada aos antigos clientes do BPP, havia escrito que Marcelo Rebelo de Sousa «é um dos danos colaterais da pesada queda de Ricardo Salgado». Depois,  comentando a entrevista de Santana Lopes ao semanário Expresso, em que o antigo primeiro-ministro dá a entender poder vir a candidatar-se às eleições presidenciais, afirmou que Santana Lopes «é um raro animal político» e intuiu imediatamente que «as fortes relações pessoais de Marcelo com o BES e Ricardo Salgado são mortais para qualquer hipótese de candidatura presidencial».

Rendeiro recorre a uma jargão automobilístico, para concluir que Marcelo Rebelo de Sousa «ficou sem pneus». «Resta-lhe a consolação de poder continuar a ter duas opiniões sobre tudo e o seu contrário – incluindo as candidaturas presidenciais de esquerda e direita».

E assim se queima um candidato às presidenciais!

26
Jul14

Dia dos Avós

 

Hoje dia 26 de julho comemora-se o dia dos avós que visa homenagear o papel dos avós no seio da família e da sociedade

Ser avô ou avó é algo muito significativo, pois os avós assumem atualmente uma posição fulcral na vida dos netos. Os avós, apelidados de «pais com açúcar», estão sempre presentes na vida dos netos. Cercam-os  de muito amor e carinho, fazem-lhes (quase) todas as vontades, dão-lhes tudo sem nada exigir. Amam-nos mais que a eles próprios…

As funções desempenhadas pelos avós estão inscritas na linha de solidariedade intergeracional. Estão disponíveis em permanência para acudir e ajudar a resolver situações de ordem afetiva e económica, servir de suporte social face às exigências do mundo do trabalho e servem ainda de complemento para o exercício das funções desempenhadas pelos pais, confirmando-se a sua preponderância como apoios incondicionais na educação das crianças e na transmissão de saberes e valores.

Durante séculos, os mais velhos foram detentores de uma grande vantagem inerente à sua condição: a experiência. Hoje, porém, dá-se menos importância à experiência em detrimento da juventude que é mais valorizada socialmente.

Contudo, e perante configurações familiares tão diversificadas e complexas como as atuais, como poderão as famílias prescindir da experiência, da sabedoria, da maturidade e da serenidade que os avós transmitem?

Mas a relação avós-netos enfrenta também novos desafios, designadamente os que se prendem com a crescente longevidade decorrente da maior esperança de vida, com a adaptação às novas formas de parentalidade bem como dos novos estilos de vida a que urge dar novas e adequadas respostas.

25
Jul14

Ricardo Salgado libertado sob caução de 3 milhões de euros

 

 (imagem Henricartoon)

Como se sabe Ricardo Salgado foi libertado mediante o pagamento de uma caução de três milhões de euros. Segundo a PGR está em causa a «eventual prática de crimes de burla, abuso de confiança, falsificação e branqueamento de capitais». Ora este é um valor exorbitante, o valor mais alto alguma vez aplicado em Portugal e como tal causou alguma perplexidade.

O advogado Carlos Pinto Abreu esclareceu na Sic Notícias como se apura este valor. Assim, o valor da caução é definido não só com base «na gravidade dos ilícitos» mas também com «a possibilidade do arguido poder ou não em relação a um determinado montante sentir-se mais constrangido a cumprir os seus deveres processuais». Contudo o valor solicitado pode ser alvo de recurso, explica.

O advogado esclareceu ainda que Ricardo Salgado tem 10 dias para pagar a caução e pode fazê-lo adotando várias formas: através de garantia bancária ou seguro de caução; valor em numerário, através de uma hipoteca ou um qualquer título que possa ser entregue como garantia. Será que o papel comercial da Rioforte também poderá servir como garantia?

24
Jul14

DDT - Donos Disto Tudo

 (imagem retirada do google) 

«O DDT – Dono Disto Tudo, nome de guerra de Ricardo Salgado — viu fugir-lhe o tapete debaixo dos pés ao não conciliar as vontades dentro da sua família e dos principais accionistas do Grupo Espírito Santo. Quebrou-se o silêncio dourado dos negócios de sempre. O sacrifício d’ “O” banqueiro faz-se para que nada se tenha de alterar e para que, uma vez mais, pareça que os problemas da banca e da finança são iniciativas individuais e não práticas sistemáticas.

 O ódio familiar entre o DDT, Pedro Queiroz Pereira e José Maria Ricciardi fez com que as contas saíssem furadas e acabassem por aparecer documentos que revelavam que não só o BES era um buraco como o BPN, como que o império Espírito Santo estava vazio e descapitalizado, embora fosse um polvo, com tentáculos por toda a economia nacional. Não era à toa que há uns anos Salgado dizia que para se acabarem as “offshores” e os segredos bancários, teria de haver uma enorme amnistia. Sabia do que falava.

 Salgado não está sozinho na propriedade “disto tudo”. Em Portugal os 1% mais ricos possuem entre 44 e 45% de toda a riqueza. Vivem da precarização da sociedade e da austeridade que lhes permite ficarem cada vez mais ricos. Não possuem apenas a riqueza monetária, mas o poder político. Foi um desfile de banqueiros na TV portuguesa que ultimou o pedido de resgate da troika, nos idos: Ulrich a 31 de Março de 2011 (5ª feira), Santos Ferreira a 4 de Abril (2ª) e Salgado, o Dono Disto Tudo, a 5 de Abril (3ª) apareceram no prime-time para dizer que era “urgente pedir apoio”. A 6 de Abril, 4ª feira, José Sócrates acatou as ordens e pediu o resgate da troika. Demorou pouco tempo para, a 13 de Outubro de 2011, o DDT ser visto a entrar no Conselho de Ministros. No fim da reunião, Passos anunciou a primeira vaga de austeridade: cortes dos subsídios de natal e férias de funcionários públicos e pensionistas, fim de feriados, aumento no IVA e mais meia hora de trabalho para o sector privado. Mas para a banca portuguesa vacas gordas: recebeu na altura garantias de 60,5 mil milhões de euros.

Mas falta agora saber quem vai pagar o buraco do BES. Mesmo que o antigo Dono Disto Tudo vá parar à prisão, as suas contas e as da família estão seguras em sedes estrangeiras, e a factura do colapso de um banco sistémico como o BES ficará a descoberto. Já se sabe pelo exemplo de Oliveira e Costa que a prisão é uma porta giratória para quem tem os advogados certos e a Comissão Europeia já informou que não utilizará os mecanismos de apoio para tratar deste risco sistémico. É de desconfiar que seja aos desempregados, aos trabalhadores e precários, aos estudantes e aos pensionistas que o Governo vá buscar, mais uma vez, o resgate da banca. Lá vamos nós uma vez mais viver acima das nossas possibilidades, num sistema laboral rígido com direitos adquiridos e zonas de conforto. Salgado bem dizia que era preciso flexibilizar. Salgado bem nos avisou que os portugueses não queriam trabalhar e que preferiam “viver à sombra do subsídio do desemprego”.

 Agora toca a trabalhar para pagar a salgada factura e manter o dinamismo da iniciativa financeira privada porque, como o DDT disse, “O Estado é um desastre a gerir bancos”. O problema mais grave, e esse é nosso e não dos donos disto tudo, é que os bancos são um desastre a gerir o Estado».

João Camargo, P3 Público 

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