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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

31
Mai15

Sporting é o vencedor da Taça de Portugal 2014-2015

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Foi um jogo sofrido, do princípio até ao fim. Mas o Sporting conquistou a 16.ª Taça de Portugal da sua história, sete anos depois do último triunfo no Jamor, após ter estado a perder por 0-2 e a jogar com 10 unidades quase todo o jogo. Os sportinguistas apenas conseguiram transpor a barreira defensiva bracarense a 3 minutos do final.

Depois, nos penáltis, os leões operaram a reviravolta, depois de terem conseguido levar o jogo para prolongamento já perto do final. Rui Patrício foi enorme ao defender uma grande penalidade e sorte dos arsenalistas terem falhado outras duas.

A vitória foi um prémio justo e inteiramente merecido. O Sporting é uma lição de coragem, persistência e fé. Como sportinguista sei do que falo. O Sporting é definitivamente uma lição de vida e de humildade.

30
Mai15

A recondução de Carlos Costa

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Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP) desde 2010, nomeado pelo Executivo liderado por José Sócrates, vai ser reconduzido no cargo, sem que os partidos com assento parlamentar tenham sido ouvidos.

Compete ao governo escolher um nome depois de ouvir os partidos da oposição, não foi essa atitude de Passos Coelho, limitou-se a impor o nome de Carlos Costa.

A sua função como regulador do BdP tem sido alvo de críticas, nomeadamente no caso BES por terem existido falhas na supervisão bancária. O PS entende que Carlos Costa não tinha condições para se manter no cargo. O secretário-geral do PS mostrou-se mesmo «desagradado» e considerou essa recondução «um mau sinal que o Governo dá sobre o rigor que deve imperar no funcionamento destas instituições».

A deputada do BE, Mariana Mortágua considerou que o Banco de Portugal «assumiu responsabilidades políticas que pertenciam ao Governo» e que está a receber «um prémio de recompensa». A deputada acusa Carlos Costa de ter sido um «testa-de-ferro» do Executivo, dizendo que esta proposta de recondução é o cumprimento do sonho do PSD: «um Presidente, uma maioria, um Governo» e o «controlo político sobre o regulador do sector financeiro».

Diz ainda a deputado do BE que o governador do BdP sabia dos prejuízos do BES e não avisou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, «não avisou os clientes», permitindo que Salgado permanecesse à frente do banco. Além disso, a resolução da instituição financeira, que criou o Novo Banco, tem custos que ainda não estão calculados. Acresce, na opinião de Mariana Mortágua, Costa foi  incompetente a lidar com os lesados do BES, lembrando as contradições do regulador quando disse que o Novo Banco ia assegurar o reembolso do papel comercial de sociedades do GES vendido aos balcões do BES.

A deputada bloquista lembrou, ainda, que o relatório da comissão de inquérito apontou erros ao BdP na gestão do BES e que a posição do PSD e do CDS mostram que houve um «recuo estratégico» dos partidos da maioria para acompanharem uma decisão «que se percebe que é tomada unilateralmente pelo primeiro-ministro».

O Presidente da República fez questão de apoiar publicamente a recondução de Carlos Costa, mostrando, uma vez mais, a colagem inequívoca com este Governo.                                                         

28
Mai15

Escândalo de Corrupção na FIFA

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Aconteceu aquilo que se suspeitava já há algum tempo: vários dirigentes da FIFA, entidade responsável pelo futebol mundial, foram detidos na Suíça (sede da FIFA), a pedido da Justiça norte-americana que solicitou a extradição dos implicado para que sejam julgados por corrupção.

A FIFA nos últimos anos sofreu acusações de corrupção, particularmente no processo de escolha dos Campeonatos de 2018 e 2022 – cujos vencedores foram a Rússia e o Catar. A investigação agora levada a cabo lança dúvidas sobre a transparência e honestidade do processo de escolha nos últimos campeonatos.

As detenções acontecem numa altura em que a FIFA vai a votos para escolher o presidente para os próximos anos. Joseph Blatter e o príncipe da Jordânia, Ali Bin Al Hussein, são os dois concorrentes. Luís Figo esteve na corrida mas, na última semana, anunciou o abandono da sua candidatura à presidência do organismo que rege o futebol mundial por achar que o processo de eleição era tudo menos «democrático».

Blatter não foi, por enquanto, envolvido no esquema que levou à detenção de sete elementos da organização a que preside. Blatter mantém-se na corrida para um quinto mandato na FIFA, cujas eleições estão marcadas para amanhã. O porta-voz da organização desportiva já veio garantir que o presidente está «de consciência tranquila» neste processo.

Mas, face às investigações em curso, são muitos os que defendem o adiamento das eleições na FIFA até que a situação seja devidamente clarificada. No entanto, Joseph Blatter e o seu staff pretendem que o calendário eleitoral previsto seja mantido.

O presidente da UEFA Michel Platini mostrou-se chocado com o escândalo de corrupção que atinge o organismo máximo do futebol mundial e pediu a Joseph Blatter para se demitir do cargo de presidente da FIFA por achar que é tempo de mudar. Platini anunciou ainda que "uma grande maioria a maioria das associações de futebol europeias vão votar na candidatura do príncipe Al  Hussein.

28
Mai15

Opinião de Pedro Bidarra: «Filhos do 25 de Abril»

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Este texto de Pedro Bidarra apesar de ter dois anos, só hoje me chegou as mãos. Ainda assim, gostaria que o lessem e por isso partilho-o aqui no blog, porque penso que se matém atual.

«Não confio na minha geração nem para se governar a si própria. E temo pela que se segue»

Pedro Bidarra |  25/04/2013 | 23:02

«Somos quase todos filhos do 25 de Abril, mas uns são mais filhos do que outros

A geração que fez o 25 de Abril era filha do outro regime. Era filha da ditadura, da falta de liberdade, da pobre e permanente austeridade e da 4.ª classe antiga. 

Tinha crescido na contenção, na disciplina, na poupança e a saber (os que à escola tinham acesso) Português e Matemática. 

A minha geração era adolescente no 25 de Abril, o que sendo bom para a adolescência foi mau para a geração. 

Enquanto os mais velhos conheceram dois mundos - os que hoje são avós e saem à rua para comemorar ou ficam em casa a maldizer o dia em que lhes aconteceu uma revolução - nós nascemos logo num mundo de farra e de festa, num mundo de sexo, drogas e rock & roll, num mundo de aulas sem faltas e de hooliganismo juvenil em tudo semelhante ao das claques futebolísticas mas sob cores ideológicas e partidárias. O hedonismo foi-nos decretado como filosofia ainda não tínhamos nem barba nem mamas. 

A grande descoberta da minha geração foi a opinião: a opinião como princípio e fim de tudo. Não a informação, o saber, os factos, os números. Não o fazer, o construir, o trabalhar, o ajudar. A opinião foi o deus da minha geração. Veio com a liberdade, e ainda bem, mas foi entregue por decreto a adolescentes e logo misturada com laxismo, falta de disciplina, irresponsabilidade e passagens administrativas. 

Eu acho que minha geração é a geração do "eu acho". É a que tem controlado o poder desde Durão Barroso. É a geração deste primeiro-ministro, deste ministro das Finanças e do anterior primeiro-ministro. E dos principais directores dos media. E do Bloco de Esquerda e do CDS. E dos empresários do parecer - que não do fazer. 

É uma geração que apenas teve sonhos de desfrute ao contrário da outra que sonhou com a liberdade, o desenvolvimento e a cidadania. É uma geração sem biblioteca, nem sala de aula mas com muita RGA e café. É uma geração de amigos e conhecidos e compinchas e companheiros de copos e de praia. É a geração da adolescência sem fim. Eu sei do que falo porque faço parte desta geração. 

Uma geração feita para as artes, para a escrita, para a conversa, para a música e para a viagem. É uma geração de diletantes, de amadores e amantes. Foi feita para ser nova para sempre e por isso esgotou-se quando a juventude acabou. Deu bons músicos, bons actores, bons desportistas, bons artistas. E drogaditos. Mas não deu nenhum bom político, nem nenhum grande empresário. Talvez porque o hedonismo e a diletância, coisas boas para a escrita e para as artes, não sejam os melhores valores para actividades que necessitam disciplina, trabalho, cultura e honestidade; valores, de algum modo, pouco pertinentes durante aqueles anos de festa. 

Eu não confio na minha geração nem para se governar a ela própria quanto mais para governar o país. O pior é que temo pela que se segue. Uma geração que tem mais gente formada, mais gente educada mas que tem como exemplos paternos Durão Barroso, Santana Lopes, José Sócrates, Passos Coelho, António J. Seguro, João Semedo e companhia. A geração que aí vem teve-nos como professores. Vai ser preciso um milagre. Ou então teremos que ressuscitar os velhos. Um milagre, lá está. 

Publicitário, psicossociólogo e autor Escreve à sexta-feira Escreve de acordo com a antiga ortografia

© Dinheiro Vivo»

27
Mai15

Programa eleitoral do PSD

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O PS contou com 12 economistas para elaborar o seu programa eleitoral. O PSD quis superar o seu adversário e colocou uma equipa de 20 economistas para elaborar o programa que deverá apresentar às eleições legislativas. Contudo, dos 20 elementos, apenas se conhece 12. Uma vez que três pediram o anonimato e não foi ainda possível apurar a identidade de outros cinco elementos.

Diz-se que «não há uma segunda oportunidade para causar uma primeira boa impressão» e as primeiras impressões não foram as melhores, dada a opacidade subjacente. Mas, para já, não quero fazer juízos de valor, fico a aguardar pelo programa propriamente dito.

26
Mai15

Sobre a suposta insustentabilidade da Segurança Social

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"Está tudo bem. Mas vamos cortar pensões” Mariana Mortágua, JN

 

«Estava lá, no Programa de Estabilidade aprovado e apresentado pela maioria PSD/CDS: uma "poupança" de 600 milhões de euros no valor gasto com pensões já em 2016. Como e a quem? Não se sabe. Pormenores só depois das eleições que é sempre bom deixar espaço para diferentes interpretações, dado o momento político.

Maria Luís Albuquerque sustenta a sua posição afirmando que a solução mais justa é a repartição do esforço entre atuais e futuros pensionistas. E afirma-o depois de ter apresentado a sua intenção de reduzir a TSU (contribuição das empresas para a Segurança Social) no mesmo documento em que anunciava a inevitabilidade de cortes nas pensões.

O Governo apresenta, e usa, a suposta insustentabilidade da Segurança Social como se algo de inevitável se tratasse. Há um dado que talvez valha a pena introduzir neste debate: até 2012 a Segurança Social teve saldo positivo durante 11 anos seguidos e contribuiu para o equilíbrio orçamental do Estado. O "buraco" nas contas das pensões foi o Governo que o criou com a destruição de quase meio milhão de postos de trabalho, a emigração de outros tantos e a quebra nos salários.

Esta é a verdadeira irresponsabilidade. PSD e CDS criaram, com a sua política de austeridade, problemas estruturais no país. E para disfarçar a asneira não têm qualquer pejo em cortar direitos, nem mesmo o mais básico, como a garantia que todo o trabalhador receberá no futuro a pensão para a qual descontou e nem um tostão a menos.

Impressionante é a forma quase compungida com que o fazem. O primeiro-ministro afirma: "não queremos cortar nas pensões", e a ministra das Finanças acrescenta, sobre as suas noções ético-morais: "fazer a promessa de que não fazemos nada para aqueles que já são pensionistas e que vamos fazendo tudo sobre os que lá chegarão no futuro é de uma enorme injustiça". Quanto ao CDS, depois de ter aprovado o corte de 600 milhões, vem agora dizer que se "distancia". É todo um irrevogável programa.

Já que o assunto veio à baila, justiça justiça, seria dizerem ao país, antes das eleições, quanto, quando e como vão cortar nas pensões. Se o fazem com alegria ou o mais profundo pesar é absolutamente igual ao litro».

25
Mai15

XX Gala dos Globos de Ouro

À boa maneira de Hollywood decorreu ontem à noite, no Coliseu dos Recreios, a XX Gala dos Globos de Ouro 2015, uma parceria entre a Caras e a SIC.

Muito charme e glamour desfilaram na passadeira vermelha. Aqui ficam os vencedores dos Globos de Ouro 2015 nas várias categorias:

CINEMA

Melhor Atriz:
Leonor Seixas em Sei Lá
Maria do Céu Guerra em Os Gatos Não Têm Vertigens
Maria João Pinho em Os Maias e A Vida Invisível
Sara Barros Leitão em Pecado Fatal

Melhor Ator:

Filipe Duarte em A Vida Invisível
Graciano Dias em Os Maias
Nuno Lopes em Cadências Obstinadas
Pedro Inês em Os Maias

Melhor Filme:

A Vida Invisível de Vítor Gonçalves
O Grande Kilapy de Zezé Gamboa
Os Gatos Não Têm Vertigens de António Pedro Vasconcelos
Os Maias de João Botelho

 TEATRO

Melhor Atriz:
Ana Bustorff em Coriolano
Ana Guiomar em Vénus de Vison
Sandra Faleiro em O Retrato de Dorian Gray
Sara Carinhas em A Farsa

Melhor Ator:

Diogo Infante em Ode Marítima
Ivo Canelas em Pedro Páramo
José Pedro Gomes em Estamos Todos?
Paulo Pinto em Cyrano de Bergerac

Melhor Peça/Espetáculo:
40 e Então?, encenação de Sónia Aragão
Pedro Páramo, encenação de Miguel Seabra
Punk Rock, encenação de Pedro Carraca
Tropa Fandanga, encenação de Pedro Zegre Penim, José Maria Vieira Mendes e André Teodósio

 Desporto

Melhor Desportista Masculino:
Cristiano Ronaldo (Futebol)
Emanuel Silva / João Ribeiro (Canoagem)
Marco Freitas (Ténis de Mesa)
Rui Costa (Ciclismo)

Melhor Desportista Feminino:
Filipa Martins (Ginástica Artística)
Sara Moreira (Atletismo)
Telma Monteiro (Judo)
Teresa Almeida (Bodyboard)

Melhor Treinador:
Ana Hormigo (Judo)
Jorge Jesus (Futebol)
Luís Duarte (Hóquei em Patins)
Pedro Rufino (Ténis de Mesa)

 Moda

Melhor Modelo Masculino:
Fernando Cabral
Gonçalo Teixeira
João Pedro
Ruben Rua

Melhor Modelo Feminino:
Daniela Hanganu
Francisca Perez
Sara Sampaio
Sharam Diniz

Melhor Estilista:
Carlos Gil
Diogo Miranda
Filipe Faísca
Miguel Vieira

Música

Melhor Intérprete Individual:
António Zambujo
Carminho
The Legendary Tigerman
Rodrigo Leão

Melhor Grupo:
Buraka Som Sistema
D.A.M.A.
Dead Combo
HMB

Melhor Música:
Pica do 7 de António Zambujo
Vayorken de Capicua
Às Vezes dos D.A.M.A.
Balada Astral de Miguel Araújo

Revelação do Ano  (categoria votada pelo público)

D.A.M.A. (Música)
Bernardo Silva (Futebol)
Tiago Teotónio Pereira (Representação)
Vasco Ribeiro (Surf)

  

Aqui ficam os cinco melhores e os cinco piores outfits da noite:

 

Os melhores:

 

 

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Andreia Rodrigues

 

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Vitória Guerra

 

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Maria João Bastos

 

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Rita Andrade

 

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 Paula Lobo Antunes

 

Os piores:

 

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 Marta Rebelo

 

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 Luciana Abreu

 

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 Diana Chaves

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Liliana Campos

 

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 Ana Paula Almeida

 

 

24
Mai15

Eleições espanholas

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Hoje, 36 milhões de eleitores espanhóis vão às urnas para votar nas eleições municipais e autonómicas espanholas. O PP leva pequena vantagem sobre o PSOE, mas a entrada em cena de dois novos partidos - e com números fortes nas sondagens, o Podemos e o Ciudadanos - vão seguramente mudar a geografia politica espanhola com variações consideráveis nas intenções de voto e percentagens de indecisos entre os 32% e os 44% nas várias regiões.

Este é também o primeiro grande teste para o Podemos depois de há um ano ter sido a surpresa das europeias ao conseguir eleger cinco deputados. Agora, está a um passo de conseguir realizar o objetivo a que se propuseram: dar voz aos cidadãos que não eram ouvidos no debate político e acabar com o bipartidarismo do PP e PSOE, depois de quase 40 anos de hegemonia e alternância.

Contudo, depois de uma entrada fulgurosa, o partido de Pablo Iglesias tem vindo a perder gás e abrir espaço para a entrada em cena de um novo ator político cuja popularidade disparou nos últimos meses. É o partido liberal  Ciudadanos  que, depois de se destacar na Catalunha por se opor ao nacionalismo, tem conseguido captar votos de protesto no resto do país. Sendo um partido de matriz mais liberal que o Podemos, poderá, na opinião de alguns analistas, ser uma hipótese como parceiro de coligação, tanto para o PP como para o PSOE, caso nenhum destes partidos consiga obter uma maioria absoluta.

23
Mai15

Os Coches voltam a estar hoje na berlinda

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Depois muita controvérsia e de muitos atrasos o novo Museu dos Coches abre hoje as portas ao público com muita pompa e circunstância, 110 depois da sua abertura oficial.

O museu está localizado junto ao Tejo, em Belém. Ali poderão ser vistos coches, desde o séc. XVI até ao séc. XIX, adereços e fardas da época, incluindo 26 coches vindos do núcleo museológico de Vila Viçosa.

A coleção é considerada a mais notável do mundo, permitindo aos visitantes não só verificar a evolução técnica dos transportes de tração animal, como também apreciar a variada arte decorativa e a ornamentação detalhada dos veículos.

A ideia de trasladar os coches foi uma ideia peregrina de Santana Lopes, na altura Secretário de Estado da Cultura, quando ordenou a compra dos terrenos das antigas Oficinas Gerais do Material do Exército, onde viria a ser construído o novo edifício de Paulo Mendes da Rocha, arquiteto brasileiro e autor do projeto.

A escolha foi apenas consumada em 2008 por Manuel Pinho.  A ideia, ao que parece, era fazer também do edifício uma atração arquitetónica, à semelhança da Casa da Música ou do Museu de Serralves e a sua inauguração estava inicialmente prevista coincidir com a comemoração do centenário da República.

Como todas as grandes obras em Portugal, o novo Museu Nacional dos Coches tem estado envolto em polémica. Vários argumentos têm sido esgrimidos, desde o custo total da obra, que atingiu os 40 milhões de euros, suportados pelas receitas do Casino Lisboa, o timing da inauguração do espaço em plena campanha eleitoral, a localização escolhida e até a beleza do edifício, para alguns mais um «mamute branco» na capital.

Em 2008, António Costa, na altura presidente da Câmara de Lisboa, afirmou que construir um novo Museu dos Coches era perfeitamente dispensável. O edil argumentou não entender as razões avançadas de ser este o museu designado, com maior número de visitantes, para aplicar parte das contrapartidas do Casino de Lisboa. O atual secretário-geral do Partido Socialista nunca escondeu que gostaria de ver as contrapartidas do Casino aplicadas a outros projetos culturais na capital, designadamente no Museu das Descobertas ou no centro de cultura africana, ideias que nunca saíram do papel. No entanto, a Câmara Municipal de Lisboa acabou por dar um parecer favorável à proposta do Governo, na altura liderado por José Sócrates.

Também o atual secretário de Estado da Cultura, Jorge Barreto Xavier, disse, em 2013, que a construção do novo Museu dos Coches «foi um erro em termos de decisão», mas sublinhou que o novo Governo se decidiu pela sua conclusão e utilização futura. 

No mesmo ano, o presidente da direção da comissão nacional do Conselho Internacional de Museus, Luís Raposo, considerou mesmo que a construção do novo Museu Nacional dos Coches «foi um erro colossal de política cultural».

No meio da polémica, e já com o edifício praticamente pronto, falou-se até da possibilidade de o vir a afetar a outro museu, algo que nunca foi assumido publicamente.

Ora, sobre este tema existem várias reflexões que merecem ser feitas, a saber:

  • O Antigo Museu dos Coches era o museu nacional que mais visitante atraía, sendo que grande parte desse sucesso estava relacionada com facto de estar instalado no antigo Picadeiro Real. É essa carga histórica e esse simbolismo que vai desaparecer com esta nova localização que tanto poderá albergar o Museu dos Coches como outro museu ou qualquer serviço público;
  • A popularidade do antigo museu resultava em grande parte da sua localização e do próprio edifício do antigo Picadeiro Real. O que leva-nos a questionar a necessidade de um novo museu;
  • Num país em crise e marcado com uma austeridade a todos os níveis, só o novo-riquismo justifica gastar 40 milhões de euros num novo museu dos coches;
  • Finalmente o timing escolhido para esta inauguração. O atraso das obras motivado por problemas financeiros parece um falso motivo, sendo de encarar que o governo PSD/CDS pretenda fazer desta inauguração uma ação de propaganda e do museu a obra do mandato governamental.

Muito mais haveria que dizer, mas olhando em volta e pensando em Portugal, todo este processo espelha o pior do que se vai passando no nosso país.

 

 

 

22
Mai15

Gatos largados da varanda em manuais escolares

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Num manual escolar de exercícios elaborado para a editora Areal consta um exercício cujos destinatários são alunos do 9.º ano de escolaridade e que tem como finalidade testar conhecimentos sobre ‘Movimento e Forças’ que fazem parte da disciplina de Físico-Química.

Ora, um dos exercícios do dito manual pedia aos alunos que resolvessem a seguinte questão: «O Diogo largou um gato da varanda do seu quarto, situada a cinco metros de intensidade da força aplicada ao gato durante a queda». Pedia-se aos alunos que calculasse qual a intensidade da força aplicada ao gato durante a queda, sendo que o gato tinha 4 Kg de massa corporal.

A notícia está a suscitar críticas nas redes sociais e em declarações ao PÚBLICO, o físico Carlos Fiolhais, também autor de manuais escolares, já repudiou o exercício e causa, afirmando que o mesmo «é, por razões éticas, inadmissível do ponto de vista didático». Segundo aquele investigador, não é admissível que se façam exercícios deste tipo com recurso a animais, uma vez que estes têm direitos próprios.

Ricardo Araújo Pereira, sempre atento, fez um vídeo a propósito do tema na sua «Mixórdia de Temáticas».

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