Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

30
Set16

Mirós ficam em Serralves

470248.png

O governo de Passos Coelho preparava-se para leiloar a coleção de 85 quadros Joan Miró, na posse do Estado desde a nacionalização do BPN, através da leiloeira Christie's, em Londres. A decisão como se sabe não foi pacífica e o coro de críticas não tardou. Foram interpostos processos pelo Ministério Público contra a saída das obras de Portugal e a leiloeira recuou.

 

A Christie´s avaliou este conjunto de obras de pintura e desenho em cerca de 36 milhões de euros líquidos, considerando-a «uma das mais extensas e impressionantes ofertas de trabalhos do artista que alguma vez foi a leilão». O BPN comprou as obras a um japonês em 2006 por 34 milhões. Aquando da nacionalização do banco, o Estado ficou com a coleção. Ou seja, cada português pagou perto de quatro euros para ficar com os Mirós.

 

Quando António Costa tomou posse, ficou decidido que a coleção não sairia das mãos do Estado, tendo sido anunciado mais tarde pelo Ministério da Cultura que a coleção ficaria sedeada na Porto.

 

Sabe-se agora que a coleção Miró vai ficar em permanência na Casa de Serralves. O argumento é que a Casa é ela própria modernista e, por isso, adequada às obras de Miró.

 

A câmara do Porto irá custear as obras de adaptação da Casa de Serralves para receber em definitivo a coleção.

 

Hoje, em Serralves, os primeiros-ministros de Portugal e de Espanha, juntamente com o Presidente da República e Rui Moreira inauguraram a exposição do pintor catalão: «Joan Miró: Materialidade e metamorfose», que integra as 85 obras daquele artista.

28
Set16

Marques Mendes e o imposto sobre o património

 

imi090914.jpg

Há muito que deixei de ver os comentários de Marques Mendes na SIC, mas li algures que Mendes considerou que o imposto sobre o património imobiliário, que alegadamente irá constar da proposta de Orçamento do Estado para 2017, «está para António Costa como a TSU para Passos Coelho».

 

Vamos ser sérios. Marques Mendes pode não concordar com a justeza da medida e está no seu direito, agora não pode é comparar o que é na verdade é incomparável.

 

Porque equiparar as duas medidas é confundir «a estrada da Beira e a beira da estrada»: o novo imposto sobre o património imobiliário, caso venha a ser contemplado no próximo Orçamento do Estado, abrangerá, de acordo com dados da Autoridade Tributária, 8618 famílias, apenas aquelas que em Portugal são detentoras de imóveis registados nas Finanças com valor superior a um milhão de euros, ao passo que a TSU (contribuição obrigatória paga mensalmente à Segurança Social, no governo de Passos Coelho, pelos trabalhadores e pelas entidades empregadoras e que se aplicava diretamente aos salários com o objetivo de suportar o sistema de Segurança Social – nomeadamente para o pagamento de reformas) atingiu, se bem se lembram, cerca de quatro milhões de trabalhadores e levou para as ruas um movimento de cidadãos que juntou um milhão de pessoas em mais de 30 cidades, tornando-se na maior ação popular que se viveu em Portugal desde o 1º de Maio de 1974.

 

Só por muita má-fé se pode confundir a tributação do património com a Taxa Social Única.

27
Set16

Guterres soma e segue

 

naom_57642cebb947d.jpg

António Guterres venceu a quinta votação para secretário-geral da ONU, tendo conseguido 12 votos a favor, dois contra e um sem opinião, entre os 15 membros do Conselho de Segurança da ONU, precisamente o mesmo resultado da última votação.

 

Em segundo lugar, ficou Vuk Jeremić, atual presidente da Assembleia Geral da ONU e antigo ministro dos Negócios Estrangeiros da Sérvia, e em terceiro ficou Miroslav Lajčák, que é atualmente ministro dos Negócios Estrangeiros da Eslováquia.

 

A próxima votação está agendada para a primeira semana de outubro e vai destacar pela primeira vez os votos dos membros permanentes do conselho, que têm poder de veto sobre os candidatos.

 

Todos os candidatos têm receio do veto de um dos membros permanentes do Conselho de Segurança, porque os cinco países que o constituem (Estados Unidos, França, Reino Unido, Rússia e China) têm todos interesses próprios e vão usar o seu poder de veto para os defender, mediante as suas conveniências.

 

Até agora, as votações têm sido informais. Cada candidato pode receber três tipos de votos: encoraja, desencoraja, e sem opinião. A partir da próxima votação, os membros permanentes do Conselho de Segurança usarão boletins de voto com um código de cor. Se um candidato tiver um boletim com o código «desencoraja» entre os seus votos, ficará excluído da corrida.

 

Assim que um candidato reunir nove votos entre os 15 países membros e aprovação de todos os membros, o conselho recomendará o seu nome para aprovação pela Assembleia-Geral da ONU, que reúne representantes de 193 países.

 

Sendo certo que nada está garantido, dado o processo de seleção utilizado, esperemos que António Guterres supere mais esta prova e possa ser o sucessor de Ban Ki-moon.

26
Set16

O reaparecimento de José Sócrates

 

mw-860.jpg

Aos poucos e poucos Jose Sócrates vai dando o ar da sua graça. A sua presença na Universidade de Verão da JS e posteriormente no departamento de mulheres socialistas da Federação da Área Urbana de Lisboa, tem sido objeto de crítica dentro de alguns setores socialistas.

 

Uma dessas vozes foi a da eurodeputada Ana Gomes que teceu duras críticas, considerando que «a conduta de José Sócrates é incompatível com um mínimo de credibilidade que se exige a um político sério».

 

António Costa sabe que Sócrates é, neste momento, um ativo tóxico e evita aparecer ao lado do antigo primeiro ministro, deixando sempre claro que: «à Justiça o que é da Justiça, à política o que é da política».

 

Mas Sócrates não se deixa intimidar por algumas vozes dissonantes do partido e, ao aparecer dia sim, dia não, quer, obviamente, marcar o seu terreno político, faz parte do seu ADN. 

 

O lançamento do livro previsto para o próximo mês, será mais uma oportunidade de o «animal feroz» poder ganhar espaço de manobra e criar alguns problemas a Costa e ao PS. Neste medida, a morte política de Sócrates afigura-se manifestamente exagerada.

 

 

23
Set16

Os avanços e recuos do PSD

 

PassosCoelho-eleicoesPSD.jpg

 

Foi uma semana de desnorte no PSD, senão vejamos:

 

Passos Coelho ia apresentar o livro do Saraiva – que ia sim senhor que não volta com a palavra atrás - mas afinal não vai. Em comunicado enviado à agência Lusa, a editora Gradiva afirma que o ex-primeiro-ministro Pedro Passos Coelho «pediu ao autor, por motivos pessoais, para o desobrigar de estar presente na sessão de lançamento do livro», que estava agendada para dia 26, às 18h30, no El Corte Inglês, em Lisboa;

 

Os cortes das subvenções dos partidos que queriam ver repostos, mas afinal já não querem: Primeiro, o secretário-geral do PSD mostra-se a favor do fim dos cortes aos partidos. Agora, avança com uma proposta de alteração à lei do financiamento dos partidos precisamente para tornar os cortes na subvenção dos partidos e no financiamento das campanhas eleitorais cortes permanentes.

 

Afinal, Isaltino Morais foi mesmo abordado pelo PSD para se candidatar a Oeiras. O Expresso já tinha dado a notícia, o coordenador autárquico do PSD, Carlos Carreiras, desmentiu, mas Isaltino confirmou o convite. E diz que recusou.

 

O imposto sobre a tributação do património, defendido por Mariana Mortágia e criticado pelos partidos de direita, já havia sido proposto por Pedro Passos Coelho há dois anos. Parece mentira mas é verdade.

 

Mas, nada que nos surpreenda, uma vez que já sabíamos, pelo passado recente, que a coerência não era um forte deste PSD de Passos Coelho!

 

21
Set16

Chapeau!

NV2620160920.jpg

Muitas vezes, aqui, critiquei Marcelo Rebelo de Sousa, mas hoje gostaria de lhe deixar um elogio pela forma como tem manifestado apoio à candidatura de António Guterres para o cargo de secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas).

 

Marcelo Rebelo de Sousa, desde a primeira hora, tem apoiado o seu amigo e ex-primeiro-ministro socialista, que considera o «mais completo e preparado» para o cargo da ONU. Ainda ontem, discursou na Assembleia-geral das Nações Unidas. Entre paz e refugiados, o Presidente da República aproveitou o discurso para dar um novo impulso à candidatura de António Guterres a secretário-geral da ONU. Marcelo defendeu que o novo secretário-geral deve ser «um congregador de espíritos e de vontades», na linha de Gandhi e Mandela.

 

Marcelo abordou este tema no final da sua intervenção na 71.ª sessão da Assembleia Geral da ONU, sem nunca referir o nome do candidato apoiado oficialmente por Portugal.

 

Aliás, as qualidades de Guterres têm sido justamente enaltecidas no país e no estrangeiro, depois do antigo primeiro-ministro português ter desempenhado um papel relevante como Alto comissário das Nações Unidas para os Refugiados. Ninguém terá dúvidas que certamente daria um excelente secretário-geral da ONU.

19
Set16

O Feiticeiro da Calheta

 

ng7606741.jpg

 

Alberto João Jardim, o ex-presidente do Governo Regional da Madeira não pára de surpreender. Já fora da vida política ativa e, aos 73 anos, o ex-líder madeirense despiu as vestes políticas e vestiu as de ator de cinema (com alguns anos de atraso).

O filme em que participa, «Feiticeiro da Calheta», retrata as décadas de 30 e 40 na Madeira e incide sobre a vida do poeta João Gomes Sousa, autor dos versos do conhecido «Bailinho da Madeira» e Alberto João Jardim interpreta a figura de um «pastor visionário». O filme tem estreia marcada para o início do próximo ano.

18
Set16

Palácio da Ajuda vai ser concluído

14368840_1173204649407514_7466940991504018521_n.jp

 (foto do Expresso)

O Palácio Nacional da Ajuda, edifício neoclássico da primeira metade do séc. XIX, da autoria de Francisco Xavier Fabri e José da Costa Silva, é indissociável da representação de poder político de todo o século XIX até à República e palco de vários acontecimentos políticos que marcaram a história portuguesa contemporânea: do rei D. João VI, com quem se inicia a construção; a aclamação de D. Miguel na Ajuda; de D. Pedro IV já como duque de Bragança após a vitória liberal; seguindo-se décadas de utilização para cerimónias pelos monarcas seguintes e, por fim, a partir de 1862, a vinda do rei D. Luís para habitar o palácio fez deste um espaço de vários acontecimentos políticos e de representação da coroa até ao fim do regime.

 

Atualmente, o Palácio da Ajuda alberga o Ministério da Cultura, estando também uma parte reservada como espaço protocolar da Presidência da República. Numa outra ala do palácio foi aberto um museu onde se encontra uma das mais notáveis coleções nacionais de artes decorativas, que abrange um período entre o século XV e o século XX, merecendo especial destaque o acervo de joias e pratas da Coroa portuguesa, sendo este um sumptuoso mostruário do cerimonial e da vida privada da família real.

 

Finalmente, as obras para a conclusão da fachada inacabada norte vão ter lugar e tudo aponta para que possam estar concluídas até final de 2018, fruto de uma parceria entre a Câmara de Lisboa, do Ministério da Cultura e da Associação de Turismo de Lisboa. 

 

A solução arquitetónica para a conclusão do palácio tem a assinatura do arquiteto Gonçalo Byrne.  Depois da sua conclusão, em finais de 2018, será inaugurada uma exposição permanente das joias da Coroa Portuguesa, uma das maiores coleções do género no mundo.

16
Set16

Os segredos de José António Saraiva

  square_09-livro-eu-e-os-politicos.jpg

DN de hoje faz manchete sobre o livro do arquiteto Saraiva “Eu e os Políticos” que vai ser lançado este mês, e em que JAS nos revela alguns segredos de «alcofa» de alguns políticos. O próprio autor avisa, segundo o DN, que o livro contém «revelações duras» e outras «que roçam a violação da privacidade», mas que as divulga por considerar que seria «egoísmo» da sua parte guardar tais segredos somente para si.

 

O livro é apresentado por Pedro Passos Coelho que acedeu prontamente ao convite, mesmo antes de ler o livro, dada a admiração que nutre pelo jornalista do SOL.

 

Ao longo do livro, JAS faz supostamente revelações surpreendentes, tais como: alegadamente «o “affair” que Pedro Santana Lopes teve, no Algarve, com uma hospedeira de 18 anos, cuja mãe não a deixava sair tarde de casa, pelo que a jovem tinha de saltar da janela (enquanto o “Romeu” Santana Lopes a aguardava à janela…). Uma história rocambolesca que viria a resultar numa belíssima história de amor? Nada disso: Pedro Santana Lopes, na mesma noite, já estava embeiçado por Cinha Jardim. Santana acabaria por revelar ao Autor do livro que não consegue deixar de viver apaixonado – e isso explica uma certa desorientação emocional…», ou ainda que um político que já está morto lhe contou que um político que ainda está vivo é homossexual. Assim mesmo.

 

Já conhecíamos a verdadeira obsessão patológica de JAS por homossexuais e a forma soez do arquiteto usar alguém que está morto - e que não pode, por isso, confirmar ou desmentir aquilo que lhe é atribuído, ficamos agora a conhecer outra patologia – o voyeurismo, ou seja o gosto mórbido de espreitar pelo buraco da fechadura, patente aliás na capa do livro.

 

Reitero aquilo que afirmei num anterior post: isto é simplesmente abjeto, revelador de um caráter mesquinho. Não tem qualquer interesse que não a procura de protagonismo de JAS, já que o jornal onde escreve as suas crónicas semanais andar há muito pelas ruas da amargura.

 

Para JAS vale tudo: a chicana e a prosa mesquinha, desprovida de quaisquer princípios ou valores morais e éticos. Por isso, do arquiteto já nada se espera. De Pedro Passos também pouco há a esperar. Saraiva e Passos estão bem um para o outro, já que este último vê igualmente a política pelo buraco da fechadura.

15
Set16

Estivemos (quase) a fazer história!

equipa.jpg

Não tinha muitas expectativas para o jogo frente ao Real Madrid, mas face à exibição do Sporting, merecíamos ter pontuado em Madrid. A vitória teria sido um resultado histórico. O empate teria sido um bom resultado. A derrota, nas circunstâncias em que ocorreu, é um péssimo resultado.

 

Gelson foi ENORME! Adrien, William e Bruno César, extraordinários, secando o meio-campo merengue. Coates e Ruben, grande dupla de centrais! Bas Dost não esteve mal, mas não fez esquecer o Slimani.

 

Sporting depois das substituições perdeu confiança e capacidade de aguentar a bola mais tempo em zonas adiantadas do campo. Não soubemos segurar a vantagem no marcador a cinco minutos do fim. Os reforços ainda não funcionaram bem.

 

E depois eles têm o «melhor do mundo», como todos sabemos. Quem tem Ronaldo, mesmo saído de lesão e longe da melhor forma, pode fazer a diferença. Se o lance que dá o golo do empate é uma falta inventada pelo Ronaldo? É. Mas não serve de desculpa. A equipa recuou muito nos últimos 15 minutos do jogo. Acusou muito a possibilidade de estar à beira de fazer um resultado histórico. E a responsabilidade é, em primeiro lugar, de Jorge Jesus.

 

A imagem de contenção que o treinador devia passar aos jogadores foi inexistente: Jesus foi expulso aos 65 minutos de jogo, transmitindo para dentro do campo uma mensagem de descontrolo emocional. É este o ponto fraco do Jesus: incapacidade emocional para gerir momentos de pressão e decisivos. Zidane agiu bem, acertando em cheio nas substituições.

 

Dito isto, há que referir que esta foi uma exibição muito conseguida do Sporting, que não merecia aquele desfecho. Uma palavra de apreço para toda a equipa que se esforçou ao máximo para sair do Santiago Bernabéu com um resultado positivo, num ambiente magnífico, com um apoio incansável de muitos sócios e simpatizantes que se deslocaram a Madrid para apoiar a sua equipa.

 

Sporting perdeu o jogo, é isso que vai contar para as estatísticas, mas também ganhou visibilidade, mostrou a qualidade do seu futebol, jogou no campo todo, dominou o jogo e foi superior ao Real Madrid durante 85 minutos. Esteve acima do Real Madrid e teve as melhores oportunidades da partida.

 

Pág. 1/2