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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

31
Jan17

«O que tem a Europa a dizer a Trump?

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«Trump é o personagem principal da história que se repete. Mas não cometamos o erro de acreditar que está sozinho em palco, a representar o seu horrífico one man show perante um Mundo que se indigna.

O nacionalismo económico de Donald Trump tem pouco de novo. O objetivo não é proteger o trabalho ou os seus direitos. Trump quer fazer dos EUA o paraíso da exploração, dos baixos impostos para as grandes empresas e da desregulamentação ambiental e financeira. Reparem que à Goldman Sachs, a espinha dorsal do selvagem capitalismo global, não incomoda nada integrar a administração Trump.

Quanto ao resto, o muro com o México ou os decretos para banir muçulmanos dos EUA, é racismo, puro e duro. É xenofobia. É política de guerra.

Donald Trump tem aliados na Europa para este programa de extrema-direita. Quer reunir com Theresa May para ressuscitar o encontro entre Reagan e Thatcher que, nos anos 80, determinou o início da hegemonia da Direita na política mundial. Mantém contacto próximo com Marine Le Pen. Está a inspirar Viktor Orbán, o protofascista húngaro no poder.

A Europa está a ser dominada por uma vaga conservadora, xenófoba e com laivos fascistas. Mas que Europa é esta que não dá luta, e que parece embarcar sem grande resistência nesta vaga cheia de passado?

Não é esta também a Europa da Goldman Sachs? Não é esta a Europa que paga 6000 milhões à ditadura turca para manter centenas de milhares de refugiados em autênticos campos de concentração? E quantas mortes esconde o seu muro do Mediterrâneo? E a quantos foi negada passagem segura para fugir da guerra, não por serem apenas muçulmanos, ou sírios, mas por serem imigrantes, sem poder e sem escolha?

Não confundo alhos com bugalhos. Trump é, da forma mais revoltante e repugnante, tudo o que sempre rejeitei. Representa o programa que o Bloco de Esquerda quer intransigentemente combater. Mas não se combate os muros de Trump com os muros do Frontex Europeu. E não se combate a Goldman Sachs com a Goldman Sachs. Nem se combate a selvajaria laboral e económica que Trump propõe com a absoluta precarização laboral ou com a chantagem da austeridade levada a cabo pelas instituições europeias.

Combate-se o trumpismo com democracia, com solidariedade entre povos, com Estado social, com dignidade no trabalho e decência na economia. Parecem chavões? Pois não são. A cada um destes pontos corresponde um conjunto bem concreto de políticas. E, em quase todos, esta Europa falha. Ela já não é uma alternativa, e é por isso que a sua crítica a Trump se ouve tão baixinho.

Há, nos EUA como na Europa, quem resista à extrema-direita e não ceda à chantagem do menor dos males. É nesses movimentos e partidos que está hoje a esperança dos EUA e da Europa».

 

Mariana Mortágua - Deputada do BE

29
Jan17

A polémica entrevista do dono da Padaria Portuguesa

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A SIC Notícias entrevistou Nuno Carvalho, sócio-gerente da cadeia Padaria Portuguesa, no dia em que no Parlamento se discutia a descida da TSU, acordada para compensar a subida do ordenado mínimo de 530€ para 557€.

 

A resposta do sócio-gerente motivou um coro de críticas nas redes sociais, depois de Nuno Carvalho ter afirmado que o aumento do salário mínimo é uma prioridade dos políticos e não dos portugueses e que este aumento do ordenado mínimo nem sempre é acompanhado pela produtividade, o que sufoca as empresas.

 

Numa coisa tem razão Nuno Carvalho, a discussão sobre o salário mínimo em Portugal é uma discussão sobretudo política e planeada com um único propósito: ganhar votos. Só assim se entende que os partidos e sucessivos governos se envolvam tanto no salário mínimo, desprezando os restantes salários.

 

Em todo o caso, saliente-se que o salário mínimo em Portugal, atendendo ao custo de vida no País, é de facto baixíssimo, e que a competitividade da economia nacional não deve, evidentemente, assentar em baixos salários.

 

Portugal é o 10º país da União Europeia e o quinto país da Zona Euro com o valor do salário mínimo mais baixo , com apenas quatro países com valores inferiores.

 

Todavia, quando se calcula esse indicador com o salário mediano praticado no país, avançamos bastante no ranking. O salário mediano em Portugal é de 838 euros. Face a este valor, o Salário Mínimo de 530 euros representa 63%. Por comparação, em Espanha o rácio é 37%, nos EUA é 36%, no Japão é 40%, na Irlanda 44% e na Grécia 47%. Nos países mais ‘desenvolvidos’ da Europa, o rácio na França é 62% e de 46% na Holanda.

 

E isso acontece porquê? A minha perceção é a de que o salário mínimo, ainda que de forma retraída, tem sido aumentado ao longo dos anos. Quanto aos salários médios, especialmente os do setor público, estão congelados há 10 ou mais anos.O problema em Portugal não é o salário mínimo baixo, mas os salários em geral serem muito baixos.

 

Nuno Carvalho defendeu ainda que devia ser uma prioridade do Governo a liberalização dos contratos e dos despedimentos, o fim dos limites legais ao horário de trabalho e a redução do pagamento de horas extra, não sendo as empresas penalizadas por contratarem abaixo do que precisam para fazer o negócio prosperar. O gerente da Padaria Portuguesa recomenda um modelo de maior flexibilidade, o que permitiria aos seus funcionários levar mais dinheiro para casa. Isto porque, segundo Nuno Carvalho, muitos dos colaboradores se pudessem estariam com contratos de 60 horas semanais, de modo a não ter que arranjar outros trabalhados noutras entidades. O empresário defende outras medidas como a gestão dos horários e a alteração de regras laborais, adequando-as às indústrias de hoje em dia.

 

Ora, como é bom de ver, todos os trabalhadores gostariam de ganhar salários mais elevados. Do mesmo modo, todos os empregadores gostariam de pagar salários mais baixos. Mas, é do mais elementar bom senso que o trabalhador receba consoante o trabalho que desempenha e consoante as horas de trabalho. Mas, ninguém proíbe um trabalhador de laborar 60 ou mais horas, se assim o entender, ou até trabalhar 24 sobre 24 horas, sem horas de descanso, mesmo que isso afete o seu desempenho profissional.

 

Agora, o que parece é que essa vontade deve partir única e exclusivamente do trabalhador e não deve ser dada à entidade patronal essa prerrogativa, fora do quadro legal do Código de Trabalho. O que a lei determina fora do horário normal de trabalho são as chamadas «horas extraordinárias», mas pagas em valor superior ao horário de trabalho.


Um estudo da Organização Internacional do Trabalho revela que o limite máximo para qualquer trabalho não deve exceder as 50 horas semanais, o que vai contra a proposta de aumento laboral de Nuno Carvalho, que mesmo assim acredita que «as pessoas têm capacidade para trabalhar mais de 40 horas semanais e serem devidamente renumeradas por isso».

 

27
Jan17

Moreirense afasta Benfica da Taça da Liga

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O Moreirense vai disputar a final da Taça da Liga, domingo, frente ao Sporting de Braga, depois de derrotar o Benfica na semifinal da competição, no Estádio do Algarve.

 

Os encarnados marcaram logo aos 6’ por Salvio. O  jogo encaminhava-se para mais uma goleada, pensariam quase todos. Só que após o intervalo tudo mudou. Augusto Inácio fez duas substituições, com as entradas de Fernando Alexandre e Dramé que possibilitou a reviravolta. A partir daí só deu Moreirense que arrancou para uma segunda parte fantástica.

 

Depois do intervalo, o Moreirense deu a volta ao marcador com três golos. O Benfica não teve capacidade de resposta e viu fugir-lhe o primeiro troféu da temporada.  Destaque para Podence e Francisco Geraldes, jogadores cedidos pelo Sporting que fizeram um jogo tremendo e que em boa hora vão regressar ao seu clube de origem, depois da final da Taça da Liga.

 

Augusto Inácio bem avisou que o Moreirense ia deixar todos de «boca aberta» com esta vitória e cumpriu. A equipa de Moreira de Cónegos já tinha deixado o FC Porto pelo caminho.

 

De referir que em 20 jogos disputados entre Moreirense e Benfica a formação de Moreira de Cónegos conseguiu a sua primeira vitória.

 

No final, Rui Vitória recusou o habitual cumprimento de Inácio. Situação que gerou uma troca de palavras acesa entre ambos, e de Rui Costa que interveio em apoio do seu treinador.

25
Jan17

Ainda o Novo Acordo Ortográfico

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Volta não volta vem à baila o Acordo Ortográfico (AO). Já aqui manifestei a minha opinião aqui e aqui, e, sinceramente já cansa ver os opositores e peticionários usarem, em vez de argumentos científicos, fundamentações que se prendem com a identidade, património linguístico.

 

Note-se que o facto de estar a favor do AO não significa de forma alguma que o considere perfeito. Longe disso. Há até algumas regras que estou em profundo desacordo, designadamente quando se menciona a indiferenciação gráfica entre ‘para’ (preposição) e ‘pára’ (forma verbal) ou a descrepância entre ‘Egito’ e ‘egípcios’ – não compreendi a lógica destas opções.

 

Contudo, penso que a língua tem que ser simplificada, para que se adapte às várias pronúncias, como tal deve se expurgada de símbolos gráficos mudos, apenas mantidos para conservar a história das palavras defendidos pelos eruditos linguistas.

 

Há já vários anos que a nova ortografia é utilizada em documentos oficiais, nos manuais escolares e no ensino, e há já algumas gerações de alunos que aprenderam o português utilizando a nova ortografia. Retroceder agora seria problemático.

 

Não foi o primeiro AO e não será certamente o último, porque as línguas não são estáticas. Portugal é o berço da língua portuguesa, mas a língua não é exclusiva de Portugal. É partilhada por 260 milhões de pessoas e deve ser vivida na sua diversidade.

 

Penso que a adesão e aceitação do AO é uma questão de tempo. Dentro em breve, o problema ficará pacificado, como aconteceu das vezes em que foram aprovados os anteriores Acordos.

24
Jan17

Marcelo: um ano de presidência

 

 

Marcelo Rebelo de Sousa tomou posse como Presidente da República há um ano. Marcelo, o presidente hiperativo teve uma agenda preenchidísssima no ano passado, a sua presença mediática foi praticamente diária.  

 

O «presidente dos afetos» inaugurou uma nova forma de exercer os seus poderes através de uma maior proximidade com os cidadãos e uma presença constante no espaço mediático.

 

Marcelo interpretou também de forma diferente a função presidencial e os poderes constitucionais com um acompanhamento contante da atividade governativa e parlamentar,  auscultando regularmente as instituições (partidos, confederações patronais e sindicais e o Conselho de Estado).

 

Realizou em 2016, 20 deslocações ao estrangeiro, três das quais foram visitas de Estado: a primeira  a Moçambique, e as outras  duas à Suíça e a Cuba – onde teve um encontro com Fidel Castro, um mês antes da morte do líder histórico cubano.

 

O Presidente da República ainda não sentiu necessidade de recorrer ao Tribunal Constitucional e utilizou três vezes o seu poder de veto, em relação a dois diplomas do parlamento sobre a gestação de substituição e a estatização dos transportes do Porto, os quais que acabariam por ser promulgados após alteração, bem como a um decreto do Governo sobre acesso a informação bancária.

23
Jan17

Balanço de um ano de Marcelo como Presidente

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Marcelo Rebelo de Sousa deu ontem a sua primeira grande entrevista  enquanto Presidente da República, agora que decorre um ano do seu mandato.

 

Marcelo defendeu, sem rebuço, o acordo de concertação social, tendo assumido que deu um forte contributo para a sua concretização. Quanto à descida da TSU, que PCP, BE, Verdes e PSD preparam-se para chumbar no Parlamento, Marcelo mostrou-se favorável, porquanto seria dado um sinal positivo para a economia e para o crescimento.

 

Questionado sobre a devolução de rendimentos, Marcelo respondeu com os números favoráveis da economia. Sublinhou que o investimento, as exportações e a formação de poupança são essenciais. E diz que o país precisa de um maior crescimento, adiantando que o défice deve ficar nos 2,2% do PIB, abaixo do valor histórico anunciado na semana passada por António Costa.

 

Quanto ao Novo Banco, disse que não cabia ao PR expressar nenhuma preferência, cabe ao BdP e ao Governo traçar os caminhos possíveis e há vários no entender do Marcelo, que acabou por dizer que preferia uma solução privada, sem custos para os contribuintes.

 

O que a entrevista do Presidente da República mostrou foi um Marcelo otimista, alinhado com as políticas do governo, manifestando nas entrelinhas que neste momento os interesses de ambos são convergentes. Defendeu a estabilidade governativa até final da legislatura, bem como da da oposição.

 

Assim, a menos que surja algo imprevisível, o governo pode dormir descansado e contar com o respaldo do Presidente. Pelo menos nos próximos tempos, a popularidade e a capacidade política de António Costa dependerá da forma como conseguir adaptar a agenda do governo aos interesses do Presidente da República.

 

Finalmente dizer que não gostei da forma agressiva com que os entrevistadores, Ricardo Costa e Bernardo Ferrão, interpelaram Marcelo. Não havia necessidade de serem tão cáusticos, nem de interromperem a despropósito o raciocínio do entrevistado, já que se não se tratava de um candidato eleitoral ou de um primeiro-ministro, tratava-se tão somente de fazer um balanço de um ano de Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República.

20
Jan17

Posse de Donald Trump

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Hoje, todos os olhares estão postos na América para a tomada de posse de Donald Trump, o candidato do Partido Republicano que ganhou uma das eleições mais surpreendentes da história norte-americana, e que será a partir de hoje o 45º presidente dos Estados Unidos. A cerimónia oficial da tomada de posse tem início às 11h30 locais (16h30 em Portugal).

 

O momento mais aguardado é o do juramento de Trump com a mão sobre dois exemplares da Bíblia, usando duas: a sua, oferecida pela sua mãe, e a que o ex-Presidente Abraham Lincoln usou na sua posse, há 150 anos, seguido do primeiro discurso enquanto Presidente dos EUA.

 

800 mil a 900 mil pessoas estarão hoje em Washington (metade das que estiveram na tomada de posse do primeiro mandato de Obama) para assistir à cerimónia ou participar em ações de protesto junto ao Capitólio, sede do Congresso americano. O juramento de posse deverá ficar marcado por muitas ausências (60 congressistas democratas já tinham confirmado a sua ausência).

 

Confirmada na cerimónia está a presença como habitualmente de vários ex-Presidentes e respetivas primeiras-damas: Bill Clinton e a candidata democrata presidencial Hillary Clinton, o casal W. Bush e Jimmy Carter acompanhado da sua mulher.

 

Foram poucos os artistas que aceitaram atuar na cerimónia de tomada de posse do novo presidente dos EUA: Toby Keith, a cantora Jennifer Holliday, o ator Jon Voight, a banda de rock 3 Doors Down, The Piano Guys, Lee Greenwood, Dj RaviDrums e The Frontmen of Country foram confirmados. Por outro lado, foram vários aqueles que disseram “não” a Donald Trump, como o cantor country Garth Brooks e o grupo Kiss. Também foi noticiado que Elton John, Céline Dion e Kanye West rejeitaram o convite.

 

O centro de Washington será protegido e a segurança reforçada com a presença de 30 mil agentes. Mesmo assim, os protestos são esperados. Amanhã, uma marcha das mulheres está prevista no centro da capital norte-americana em protesto contra Donald Trump.

 

Dados publicados nos últimos dias revelaram que Trump é o Presidente eleito mais impopular em 40 anos, com apenas 40% de opiniões favoráveis.

19
Jan17

Está frio?

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A temperatura é o mote para todas as conversas. «Está muito frio!» é frase que mais se houve por estes dias.

 

Frio? Está frio sim, mas até está sol e, comparativamente com outros países da Europa, isto é lá frio? Os turistas que nos visitam acham que aquilo a que chamamos ‘frio’ em Portugal é quase ‘calor’ em muitos países onde as temperaturas registam 15 graus negativos ou até mais.

 

Depois, começa a ser patético a forma como os media abordam a vaga de frio que se tem feito sentir esta semana. Disparam com as estatísticas e o número de mortes resultantes do frio superiores ao ano passado, dizem eles, como se todos os anos por esta altura não fosse normal estas temperaturas (no ano passado até granizo caiu)!

 

Mais bizarro é ainda ouvir especialistas dizer que devemos ingerir com frequência bebidas quentes (chás e tisanas), que as pessoas se mantenham em locais aquecidos, não se exponham ao frio e vistam várias camadas de roupa, usem gorros, luvas, cachecóis, não vá alguém lembrar-se de ir para a rua em calções ou em t-shirt! Parece também que podemos dormir descansados porque o país está preparado para esta onda de frio (hospitais e centros de saúde estão de sobreaviso para eventuais surtos de gripe).

 

18
Jan17

Um clássico!

  

Assunção Cristas, líder do CDS-PP, ontem, no debate quinzenal no parlamento, esqueceu por momentos o radicalismo amoroso e os valores cristãos, e num estilo trauliteiro e grosseiro acusou o primeiro-ministro de mentir sobre a assinatura do acordo de concertação social.

 

António Costa disse-lhe, e bem, que o acordo de concertação social estava assinado, porque o governo já o tinha feito e o documento estava a circular para recolha das restantes assinaturas. Provavelmente, a Sra. D. Assunção desconhecia essa informação e entrou a matar. Minutos depois desta gritaria, a UGT tornava público que já havia acordo.

 

Não está em causa o que disse, mas a forma como o fez e sobretudo o tom que utilizou para o fazer. Quando não se tem argumentos políticos para contrariar os resultados dos adversários, recorre-se à berraria para impressionar o interlocutor e a plateia. É um clássico.

 

18
Jan17

Onde é que eu já vi este fime?

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No ultimo fins-de-semana o Sporting empatou com o Chaves, depois de se encontrar em vantagem e a jogar com menos um jogador, num campo particularmente difícil (onde apenas o Benfica venceu), perdendo uma excelente oportunidade de encurtar distâncias no campeonato face aos principais rivais e de aproveitar o empate do Benfica frente ao Boavista.

 

Choveram críticas aos jogadores e à equipa técnica e o presidente do SCP, naturalmente desiludido com a equipa, no final do jogo, desceu ao balneário manifestando a sua insatisfação e a dos adeptos, tecendo algumas palavras duras, a fim de dar um murro na mesa e conseguir que a equipa finalmente «jogue à bola» e exiba os níveis que vinha demonstrando no ano passado.

 

O jogo de ontem frente ao mesmo Desportivo de Chaves para a Taça de Portugal afigurava-se de crucial importância, depois da saída da Taça dos Campões Europeus, Taça da Liga e estando o campeonato por um fio.

 

Mas, mais uma vez o Sporting mostrou que não tem «estofo de campeão». Num jogo a eliminar e com várias alterações no onze, o Sporting não entrou bem, vendo Fábio Martins desperdiçar duas oportunidades flagrantes, valeu Beto.

 

Duas contrariedades existiram, com as lesões de Jeferson e André. O desempenho dos leões melhorou no segundo tempo, com a entrada de Bruno César, sem que, no entanto, a equipa tenha conseguido descobrir o caminho da baliza. Aos 87’ foi surpreendida com um lance de bola parada que ditou o resultado final e atirou o Sporting para fora da Taça de Portugal. Um filme que infelizmente os sportinguistas conhecem de cor.

 

Foi mau demais. Uma traição aos adeptos, que sempre apoiaram incondicionalmente os jogadores e a equipa técnica. É inconcebível que uma equipa que tão bom futebol mostrou na época anterior tenha retrocedido (e nem as saídas de Slimani e João Mário justificam a prestação da equipa). Até alguns jogadores do Chaves são melhores que alguns do SCP.

 

Dito isto, é tempo de fazer algumas reflexões. Parece-me evidente que a atual temporada foi mal planeada. O plantel tem claras deficiências. As exibições, a politica de contratações, a dinâmica e o desequilibro da equipa, o desempenho e empenho dos jogadores, as constantes expulsões de Jesus e as constantes mudanças na equipa têm dado maus resultados e é natural que os adeptos estejam descontentes e que se fale em crise.

 

Com o mercado de inverno aberto, alguns jogadores deveriam sair já. O SCP precisa de vender, porque tem um plantel demasiado grande e caro para apenas uma competição que está praticamente perdida. E caso não fosse a indemnização obscena que Jorge Jesus exigiria também lhe podia ser apontada a porta de saída. Aliás, se Jorge Jesus tivesse um pingo de dignidade poria certamente o seu lugar à disposição.

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