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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

28
Jun17

Juntos por Todos

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O MEO Arena recebeu ontem o concerto Juntos Por Todos, com transmissão ao vivo na RTP, SIC, TVI, em todas as rádios portuguesas e nas plataformas online. É a primeira vez que todas as televisões e rádios portuguesas garantem uma cobertura conjunta de um espetáculo. Sem dúvida um momento histórico.

 

A ajuda às vítimas dos fogos florestais de Pedrógão Grande e zonas limítrofes afetadas pelo flagelo conseguiu angariar um total de um milhão e 153 mil euros, dinheiro este que foi entregue à União das Misericórdias Portuguesas, com todos os artistas no palco e também os apresentadores dos três canais de televisão juntos.

 

O concerto encerrou com Salvador Sobral. Depois de uma interpretação intimista de A Case of You, de Joni Mitchel, o vencedor do festival da Eurovisão interpretou a canção que venceu o festival. Amar Pelos Dois  que foi entoada pelos 14 mil espectadores presentes no Meo Arena. Um momento muito emocionante e muito bonito.

 

Entretanto a meio do tema, e de forma surpreendente e inusitada, Salvador ao seu jeito, resolve mandar uma piada escatológica: «sempre que faço qualquer coisa vocês aplaudem. Vou mandar um peido para ver o que acontece». O público presente reagiu ao momento irreverente com palmas, gargalhadas, mas também com alguns assobios e naturalmente que as reações nas redes sociais não tardaram, com opiniões divididas.

27
Jun17

Suicídio Político

 

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Pedro Passos Coelho de visita a Pedrógão, acompanhado por deputados do PSD, declarou que o Estado falhou no apoio psicológico às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, adiantando ter tido conhecimento de que um suicídio terá ocorrido por falta desse apoio, situação entretanto negada pela Administração Regional de Saúde do Centro.

 

Como se percebe depois de 64 mortes num incêndio que coloca em causa o Estado e os serviços do Estado, só se compreende tal afirmação se a mesma fosse à "prova de bala". Não sendo, é uma afirmação grave, que um político minimamente responsável, sério e com sentido de Estado, nunca poderia proferir em direto.

 

Entretanto o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrogão Grande, João Marques, já fez mea culpa ao assumir que, involuntariamente, induziu Passos Coelho em erro e o líder do PSD já veio igualmente a público dizer que não devia ter divulgado uma informação que carecia de confirmação oficial.

 

Pedro Passos Coelho, um político experiente na comunicação política, não podia ter sido tão leviano. Mesmo que fosse o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD devia ser o primeiro a exigir-lhe contenção, mas o oportunismo político fê-lo avançar e isso pode-lhe agora sair caro.

25
Jun17

Ainda os incêndios

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Que o povo português é solidário já o sabíamos, mas a onda de solidariedade para com as vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande superou todas as expectativas. Foram enviados alimentos, vestuário e produtos de primeira necessidade às aldeias afetadas e reforços de várias zonas do país e além-fronteiras.

 

Foram muitas as histórias comoventes que nos foram chegando daquela tragédia. Histórias de pavor e de aflição, de mães, de pais, de filhos, de avós, de tios. De quem partiu e de quem viu partir. De quem, de repente, viu-se sem nada. Dos que terão de recomeçar a reconstruir uma nova vida do zero. Há muita dor pelos que partiram, mas também para quem fica e que terá agora de renascer das cinzas.

 

Uma palavra de apreço aos bombeiros que, ano após ano, arriscam as suas vidas para salvar outras, numa luta incessante contra o fumo e os fogos que grassam em aldeias recônditas do país, sob temperaturas altíssimas.

 

Agora é tempo de tomar atitudes a outros níveis. Muito mais do que consequências políticas, espero que se tirem consequências e ensinamentos sobre a floresta. É preciso ouvir os entendidos na matéria, fazer a correta monitorização da gestão florestal e adequá-la às mudanças que os novos tempos trazem, não apenas nos que concerne à utilização dos solos, mas também no que toca às alterações climáticas.

 

É necessário apostar a montante na prevenção e não fazer apenas a gestão dos danos. A melhor forma que temos de honrar a memória das vítimas é mudar a forma como encaramos a floresta e a prevenção de incêndios.

21
Jun17

José Eduardo Agualusa vence prémio literário

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José Eduardo Agualusa acaba de vencer o International DUBLIN Literary Award, anunciado hoje na capital irlandesa. O prémio distingue o escritor angolano e o seu romance Teoria Geral do Esquecimento – numa edição particularmente forte, em que a lista final incluía obras de autores de renome como: Mia Couto, Orhan Pamuk, Viet Thanh Nguyen e Anne Enright.

 

O prémio literário de Dublin, de 100 mil euros, é gerido pelas Bibliotecas Públicas de Dublin, com o apoio da autarquia da capital irlandesa e é atribuído todos os anos a um livro escrito ou traduzido para inglês.Desde 1996 e ao longo das 21 edições, já distinguiu autores como Orhan Pamuk, Javier Marías, Michel Houellebecq, Colm Tóibin, Colum McCann, Jim Crace ou David Maalouf e Herta Müller.

 

Fico contente não apenas porque o galardão elege, pela primeira vez, um livro originalmente escrito em português, mas também porque permeia um autor de que gosto particularmente.

19
Jun17

Quando a tragédia e as suas vitimas se transformam num reality show

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«Está aqui um corpo ao meu lado que ainda não foi recolhido apesar dos Bombeiros estarem muito perto», Judite de Sousa, TVI.

 

É verdade que os jornalistas merecem toda a nossa gratidão. Afinal prestam-nos um serviço inestimável: informam, reportam e explicam os acontecimentos, muitas vezes em condições adversas como no caso dos fogos que têm assolado o país.

 

Mas, infelizmente, nem todos os profissionais tem a melhor postura e sabem comportar-se adequadamente face às várias situações. A alguns jornalistas, desgraçadamente, falta-lhes bom senso e as noções deontológicas mais elementares. Foi o caso desta  reportagem da jornalista Judite de Sousa, Diretora-Adjunta de Informação da TVI, que foi tudo menos jornalismo. Foi algo inqualificável.

18
Jun17

Incêndio de Pedrogão Grande

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Ontem à noite fomos surpreendidos com esta tragédia descomunal. Fiquei perplexa quando começaram a passar em rodapé na televisão a notícia de que o incêndio de Pedrogão Grande tinha já vitimado 19 pessoas. Infelizmente este número tem vindo a aumentar e já foram contabilizadas 62 vítimas mortais.

 

As vítimas foram surpreendidas pelas chamas e encurraladas pelo incêndio, quando regressavam a casa. Vários corpos foram encontrados fora das viaturas ou nas margens da estrada, o que sugere que tentaram fugir das chamas, embora sem sucesso. Há ainda 54 feridos, cinco deles em estado grave.

 

Cerca de 700 homens estão no terreno a combater as chamas que atingem os concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, com quatro frentes de fogo ativas, duas delas de grande dimensão.

 

É natural que perante um incêndio com estas proporções, o mais mortal de sempre em Portugal, desde que há registos, e um dos maiores da história recente do país, procuremos entender as causas que estiveram na sua origem.

 

Porém, ainda é cedo para determinar, com rigor, as razões deste incêndio. Tudo indica que possa ter tido origem num conjunto de condições climatéricas particularmente adversas. As altas temperaturas, acima dos 40 graus, o vento que se fez sentir, a pouca humidade e uma «trovoada seca» poderão ter contribuído para este desfecho.

 

Para já parece estar afastada a hipótese de mão criminosa, mas como disse ainda é cedo para se perceber o que realmente aconteceu.

 

Por agora, o que interessa, no imediato, é extinguir o incêndio, tratar dos feridos, apoiar vítimas e familiares, auxiliar e render homenagem aos bombeiros que estão há horas no terreno a combater as chamas, saudar o esforço dos civis e a capacidade de reação das autoridades locais e nacionais.

 

Mas depois espero, sinceramente, que se apurem todas as responsabilidades até à exaustão e que se tomem as medidas adequadas para que uma tragédia como esta não se volte a repetir.

11
Jun17

Já nasceram os gémeos de CR7

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Cristiano Ronaldo já terá sido pai de gémeos, depois de ter recorrido novamente a uma barriga de aluguer, tal como já fizera com o seu primeiro filho Cristiano Ronaldo Júnior.

 

Mateo e Eva, os filhos gémeos de CR7, terão nascido no dia 8 de junho, segundo a informação avançada pela SIC e entretanto replicada por vários outros órgãos de comunicação social nacionais.

 

Até agora não surgiram quaisquer confirmações oficiais, mas elementos próximos da família Aveiro confirmam que a notícia é verdadeira e que Ronaldo está feliz.

 

A chegada dos gémeos junta-se às suspeitas das últimas semanas que apontam para que Georgina Rodriguez, a namorada do jogador, poderá estar grávida, o que a confirmar-se, a família dentro em breve aumentará, realizando assim o sonho do futebolista que nunca escondeu que gostaria de ter uma família grande com «muitos filhos».

 

Esperemos que sigam as pisadas do pai e tal como ele sejam «bons de bola». Bem precisamos de jogadores como Cristriano Ronaldo!

09
Jun17

Um tiro no pé

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Mais de 46 milhões de eleitores foram chamados às urnas para escolher o novo líder do Governo britânico. Ao propor-se a eleições, a primeira-ministra britânica, Theresa May, procurava alargar a maioria absoluta obtida pelos conservadores, de forma a obter um voto de confiança do povo para poder liderar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia com uma posição reforçada.

 

De relembrar que Theresa May chegou ao poder em julho do ano passado em substituição direta de David Cameron, o antigo primeiro-ministro, que apresentou a demissão na sequência da vitória do Brexit no referendo.

 

Todavia, o «feitiço virou-se contra o feiticeiro», o resultado eleitoral ditou uma frágil vitória do Partido Conservador, que perdeu pelo menos 12 deputados em relação às eleições anteriores.

 

Na primeira reação aos resultados, Jeremy Corbyn destacou o falhanço de Theresa May nestas eleições, tendo em conta os objetivos a que se propôs e pediu mesmo a sua demissão

 

Este resultado inconclusivo deixa o Parlamento britânico fragmentado e o futuro do próximo Governo mais incerto. Dado que, não havendo uma maioria no Parlamento, a situação política britânica pode prolongar-se por várias semanas, o que pode prejudicar o calendário do Brexit, uma vez que as negociações com a União Europeia devem começar dentro de poucas semanas. Mesmo que consiga formar governo, May perde força para negociar com a Europa.

08
Jun17

António Costa debate com Gomes Ferreira

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A SIC anunciara uma entrevista de António Costa a José Gomes Ferreira, mas aquilo a que assistimos foi um debate entre o Primeiro Ministro e um jornalista que vestiu a pele de líder da oposição, sem qualquer pudor.

 

A coisa chegou ao ponto de Gomes Ferreira munir-se de gráficos para provar que o deficit começara a descer quando Passos era primeiro-ministro e que o sucesso atual da economia portuguesa é da sua responsabilidade, dizendo ao primeiro-ministro que ele não podia renegar a herança do anterior governo.

 

O primeiro-ministro, inteligente e arguto, já sabia sobejamente ao que ia e não se deixou arredar pelo jogo baixo do “entrevistador”. «Não renego nenhuma parte da herança. Mas seguimos uma política diferente. Como se chega é muito importante. O que distingue a esquerda da direita é saber como chegamos a menos défice, e conseguimos com bons resultados, devolvendo rendimentos às famílias e dando mais condições às empresas», disse Costa.

 

Com o notável fair play que o caracteriza, António Costa aguentou-se, estoicamente, com o entusiasmo argumentativo, por vezes acalorado, do seu “opositor”, cortando-lhe a palavra amiúde e não dando a possibilidade de Costa responder. A certa altura o primeiro-ministro reagiu: «eu não lhe quero estragar o amor que tem àqueles quatro anos [de governação PSD/CDS]».

 

O diretor adjunto da SIC esteve mal. Um entrevistador deve ser isento e deixar o entrevistado falar e exprimir as suas opiniões. Não é isso que Gomes Ferreira faz. O jornalista da SIC faz debates, não entrevistas, como se um candidato da oposição se tratasse e tivesse António Costa como adversário político. É o primeiro frente-a-frente com um primeiro-ministro que vejo, sem moderador.   

06
Jun17

Património português sem rei nem roque

 

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Depois do programa “Sexta às 9”, da RTP1, ter exibido uma reportagem sobre os danos causados no Convento de Cristo, um monumento que está catalogado pela UNESCO como Património da Humanidade, na sequência da rodagem do filme «O Homem que matou D. Quixote» do realizador Terry Gilliam e de o Museu dos Coches se prestar como cenário para uma exposição de automóveis que estão à venda nos stands das respetivas marcas, o DN dá conta, hoje, que o Ministério Público está a investigar as festas privadas que se realizaram no Mosteiro dos Jerónimos. A notícia é avançada pelo Diário de Notícias. Em causa estarão os montantes pagos à World Monuments Fund, da qual é vice-presidente a diretora do mosteiro, Isabel Cruz Almeida.

 

Tudo isto parece surreal. Afinal trata-se de Património Mundial reconhecido pela UNESCO, que a Direção Geral do Património parece não saber preservar.

 

É urgente que o Ministro da Cultura dê explicações sobre todos estes casos

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