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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

06
Jul17

Devem os ministros demitirem-se?

 

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Assunção Cristas pediu a demissão dos responsáveis pelas pastas da Defesa e da Administração Interna, na sequência do roubo de armas de Guerra em Tancos e da tragédia de Pedrógão Grande. Para a líder do CDS estes dois casos são exemplos da «crise de autoridade e de confiança», que fragilizam o país e para os quais têm de haver uma resposta.

 

Não querendo minimizar estes dois acontecimentos que na verdade são graves, como tive já oportunidade de referir, parece-me que em Portugal existe entre a classe política e alguma comunicação social a tendência de sempre que existe um problema de maior gravidade em qualquer área ou sector se levantar um coro de críticas ao governo, pedindo a cabeça do ministro da tutela.

 

É óbvio que as responsabilidades nos dois casos devem ser apuradas à exaustão e a culpa, se a houver, não pode morrer solteira, mas a demissão dos ministros para além do gáudio da oposição que benefícios trará ao país?

 

A demissão imediata seria certamente a saída mais fácil e mais cómoda para os eventuais responsáveis, porque livram-se de responsabilidades e caem no mundo do esquecimento, mas este não seria um ato de coragem, seria, pelo contrário, uma atitude de cobardia política, como aliás reconheceu a ministra da Administração Interna. Difícil é mesmo, quando algo acontece, ficar, arcar com as consequências, aceitar escrutínios sobre o que sucedeu e correu mal e, finalmente, depois de todo o balanço efetuado assumir ou não a decisão de se demitir. Parece-me que esta será a atitude correta.

 

Curiosamente ou talvez não, os que exigem a demissão dos ministros vangloriam-se com estas pequenas vitórias irrelevantes com a finalidade de fragilizar o governo  e assim alimentam a (baixa) política deste país.

05
Jul17

Ridículo!

 

 

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O presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, insurgiu-se com o Parlamento Europeu, depois de apenas 30 deputados terem comparecido num debate da Comissão, em Estrasburgo, dedicado a fazer o balanço da Presidência de Malta na União Europeia que o país assumiu durante o primeiro semestre do ano. Um número na verdade muito reduzido se tivermos em consideração que o Parlamento Europeu é composto por 751 eurodeputados.

 

«O Parlamento Europeu é ridículo, muito ridículo». «Vocês são ridículos», «o Parlamento é totalmente ridículo» foram os insultos que se ouviram de Juncker.

 

O presidente da Comissão afirmou que o facto de estarem apenas 30 deputados presentes neste debate demonstra que «o Parlamento não é sério», perante uma plateia quase vazia, salientando que, se em vez do Presidente de Malta estivesse a chanceler, Angela Merkel, ou o presidente francês, Emmanuel Macron, seguramente o Parlamento estaria repleto, afirmando que não voltará a estar presente numa reunião deste tipo.

 

Obviamente que Jean-Claude Junker tem alguma razão no que diz. Ele limitou-se a constatar um facto que é um sentimento partilhado certamente por muitos europeus: os plenários estão vazios e é vergonhoso que a instituição gaste o dinheiro dos contribuintes, mormente nos chorudos ordenados pagos aos deputados europeus e estes não cumpram com as suas obrigações.

 

Já agora é inadmissível que o Regimento do Parlamento Europeu não estabeleça um número mínimo de eurodeputados dos 28 países para estarem presentes no hemiciclo para que o plenário funcione.

03
Jul17

Medalha de Bronze

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A seleção portuguesa de futebol venceu  ontem o México por 2-1 e conseguiu o 3º lugar na Taça das Confederações. A seleção esteve a perder boa parte do jogo, mas acabou por empatar através de Pepe no fim do tempo regulamentar. No prolongamento, valeu-nos o  penálti decisivo, convertido ao minuto 104' por Adrien Silva, que nos permitiu ascender ao pódio da Taça das Confederações e conquistar a medalha de bronze.

 

Portugal teve uma participação positiva no torneio. Não perdeu nenhum jogo. Porém, no jogo com o Chile, nas grandes penalidades falhamos três (Quaresma, Moutinho e Nani). Ontem mesmo com o México, André Silva não conseguiu converter uma grande penalidade. E isso paga-se caro!

 

A Alemanha que se apresentou com uma equipa de ‘segundas linhas’ foi um justo vencedor. Apesar de ter tido pela frente um adversário (Chile) que lutou até final.

 

A Alemanha venceu por uma bola a zero e conquistou a Taça das Confederações, praticando um futebol rigoroso, criativo, seguro, a explorar os erros de um adversário talentoso, mas que se apresentou ontem demasiado nervoso.

01
Jul17

Furto de material militar em Tancos

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Uma das notícias que está a marcar a atualidade é o roubo de material militar das instalações militares dos Paióis Nacionais de Tancos.

 

Segundo informações oficiais foram roubadas: 120 granadas, 44 lança-granadas, 1.500 munições, 4 engenhos explosivos prontos a detonar, entre outro material.

 

No furto deste material de guerra guardado em Tancos, os assaltantes terão furado a rede circundante do terreno dos Paióis Nacionais de Tancos. Ficou-se a saber, no que respeita a medidas de segurança eletrónica, que o sistema de vídeo vigilância encontra-se inoperacional. A segurança no local faz-se apenas por rondas aleatórias. O Exército tinha já iniciado os procedimentos legais para a adjudicação da obra de implementação de vigilância e controlo de acessos eletrónico, de forma faseada, prevendo-se a disponibilização de verbas apenas em 2018 ao abrigo da Lei de Programação Militar.

 

O ministro da Defesa, Azeredo Lopes, já veio publicamente assumir a responsabilidade política do caso, o que não lhe retira menor gravidade.

 

É incompreensível como um armazem com granadas, munições e explosivos esteja sem videovigilância e à mercê de todo o tipo de assaltos! Porém, porque é não se recorreu a um empresa de segurança até as verbas estarem disponíveis? 

 

Numa altura em que se assiste a ameaças terroristas cada vez mais frequentes e sofisticadas, este facto assume proporções preocupantes, porquanto remete-nos para um clima de desconfiança e um receio objetivo  que se prende com a segurança de todos nós.

 

A segurança e a defesa dos cidadãos é uma das necessidades básicas de qualquer país. O pior que poderia acontecer neste momento é perdermos a confiança nos serviços que supostamente asseguram a nossa defesa e segurança.

28
Jun17

Juntos por Todos

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O MEO Arena recebeu ontem o concerto Juntos Por Todos, com transmissão ao vivo na RTP, SIC, TVI, em todas as rádios portuguesas e nas plataformas online. É a primeira vez que todas as televisões e rádios portuguesas garantem uma cobertura conjunta de um espetáculo. Sem dúvida um momento histórico.

 

A ajuda às vítimas dos fogos florestais de Pedrógão Grande e zonas limítrofes afetadas pelo flagelo conseguiu angariar um total de um milhão e 153 mil euros, dinheiro este que foi entregue à União das Misericórdias Portuguesas, com todos os artistas no palco e também os apresentadores dos três canais de televisão juntos.

 

O concerto encerrou com Salvador Sobral. Depois de uma interpretação intimista de A Case of You, de Joni Mitchel, o vencedor do festival da Eurovisão interpretou a canção que venceu o festival. Amar Pelos Dois  que foi entoada pelos 14 mil espectadores presentes no Meo Arena. Um momento muito emocionante e muito bonito.

 

Entretanto a meio do tema, e de forma surpreendente e inusitada, Salvador ao seu jeito, resolve mandar uma piada escatológica: «sempre que faço qualquer coisa vocês aplaudem. Vou mandar um peido para ver o que acontece». O público presente reagiu ao momento irreverente com palmas, gargalhadas, mas também com alguns assobios e naturalmente que as reações nas redes sociais não tardaram, com opiniões divididas.

27
Jun17

Suicídio Político

 

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Pedro Passos Coelho de visita a Pedrógão, acompanhado por deputados do PSD, declarou que o Estado falhou no apoio psicológico às vítimas do incêndio de Pedrógão Grande, adiantando ter tido conhecimento de que um suicídio terá ocorrido por falta desse apoio, situação entretanto negada pela Administração Regional de Saúde do Centro.

 

Como se percebe depois de 64 mortes num incêndio que coloca em causa o Estado e os serviços do Estado, só se compreende tal afirmação se a mesma fosse à "prova de bala". Não sendo, é uma afirmação grave, que um político minimamente responsável, sério e com sentido de Estado, nunca poderia proferir em direto.

 

Entretanto o provedor da Santa Casa da Misericórdia de Pedrogão Grande, João Marques, já fez mea culpa ao assumir que, involuntariamente, induziu Passos Coelho em erro e o líder do PSD já veio igualmente a público dizer que não devia ter divulgado uma informação que carecia de confirmação oficial.

 

Pedro Passos Coelho, um político experiente na comunicação política, não podia ter sido tão leviano. Mesmo que fosse o Provedor local a induzi-lo em erro, o líder do PSD devia ser o primeiro a exigir-lhe contenção, mas o oportunismo político fê-lo avançar e isso pode-lhe agora sair caro.

25
Jun17

Ainda os incêndios

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Que o povo português é solidário já o sabíamos, mas a onda de solidariedade para com as vítimas dos incêndios de Pedrogão Grande superou todas as expectativas. Foram enviados alimentos, vestuário e produtos de primeira necessidade às aldeias afetadas e reforços de várias zonas do país e além-fronteiras.

 

Foram muitas as histórias comoventes que nos foram chegando daquela tragédia. Histórias de pavor e de aflição, de mães, de pais, de filhos, de avós, de tios. De quem partiu e de quem viu partir. De quem, de repente, viu-se sem nada. Dos que terão de recomeçar a reconstruir uma nova vida do zero. Há muita dor pelos que partiram, mas também para quem fica e que terá agora de renascer das cinzas.

 

Uma palavra de apreço aos bombeiros que, ano após ano, arriscam as suas vidas para salvar outras, numa luta incessante contra o fumo e os fogos que grassam em aldeias recônditas do país, sob temperaturas altíssimas.

 

Agora é tempo de tomar atitudes a outros níveis. Muito mais do que consequências políticas, espero que se tirem consequências e ensinamentos sobre a floresta. É preciso ouvir os entendidos na matéria, fazer a correta monitorização da gestão florestal e adequá-la às mudanças que os novos tempos trazem, não apenas nos que concerne à utilização dos solos, mas também no que toca às alterações climáticas.

 

É necessário apostar a montante na prevenção e não fazer apenas a gestão dos danos. A melhor forma que temos de honrar a memória das vítimas é mudar a forma como encaramos a floresta e a prevenção de incêndios.

21
Jun17

José Eduardo Agualusa vence prémio literário

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José Eduardo Agualusa acaba de vencer o International DUBLIN Literary Award, anunciado hoje na capital irlandesa. O prémio distingue o escritor angolano e o seu romance Teoria Geral do Esquecimento – numa edição particularmente forte, em que a lista final incluía obras de autores de renome como: Mia Couto, Orhan Pamuk, Viet Thanh Nguyen e Anne Enright.

 

O prémio literário de Dublin, de 100 mil euros, é gerido pelas Bibliotecas Públicas de Dublin, com o apoio da autarquia da capital irlandesa e é atribuído todos os anos a um livro escrito ou traduzido para inglês.Desde 1996 e ao longo das 21 edições, já distinguiu autores como Orhan Pamuk, Javier Marías, Michel Houellebecq, Colm Tóibin, Colum McCann, Jim Crace ou David Maalouf e Herta Müller.

 

Fico contente não apenas porque o galardão elege, pela primeira vez, um livro originalmente escrito em português, mas também porque permeia um autor de que gosto particularmente.

19
Jun17

Quando a tragédia e as suas vitimas se transformam num reality show

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«Está aqui um corpo ao meu lado que ainda não foi recolhido apesar dos Bombeiros estarem muito perto», Judite de Sousa, TVI.

 

É verdade que os jornalistas merecem toda a nossa gratidão. Afinal prestam-nos um serviço inestimável: informam, reportam e explicam os acontecimentos, muitas vezes em condições adversas como no caso dos fogos que têm assolado o país.

 

Mas, infelizmente, nem todos os profissionais tem a melhor postura e sabem comportar-se adequadamente face às várias situações. A alguns jornalistas, desgraçadamente, falta-lhes bom senso e as noções deontológicas mais elementares. Foi o caso desta  reportagem da jornalista Judite de Sousa, Diretora-Adjunta de Informação da TVI, que foi tudo menos jornalismo. Foi algo inqualificável.

18
Jun17

Incêndio de Pedrogão Grande

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Ontem à noite fomos surpreendidos com esta tragédia descomunal. Fiquei perplexa quando começaram a passar em rodapé na televisão a notícia de que o incêndio de Pedrogão Grande tinha já vitimado 19 pessoas. Infelizmente este número tem vindo a aumentar e já foram contabilizadas 62 vítimas mortais.

 

As vítimas foram surpreendidas pelas chamas e encurraladas pelo incêndio, quando regressavam a casa. Vários corpos foram encontrados fora das viaturas ou nas margens da estrada, o que sugere que tentaram fugir das chamas, embora sem sucesso. Há ainda 54 feridos, cinco deles em estado grave.

 

Cerca de 700 homens estão no terreno a combater as chamas que atingem os concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, com quatro frentes de fogo ativas, duas delas de grande dimensão.

 

É natural que perante um incêndio com estas proporções, o mais mortal de sempre em Portugal, desde que há registos, e um dos maiores da história recente do país, procuremos entender as causas que estiveram na sua origem.

 

Porém, ainda é cedo para determinar, com rigor, as razões deste incêndio. Tudo indica que possa ter tido origem num conjunto de condições climatéricas particularmente adversas. As altas temperaturas, acima dos 40 graus, o vento que se fez sentir, a pouca humidade e uma «trovoada seca» poderão ter contribuído para este desfecho.

 

Para já parece estar afastada a hipótese de mão criminosa, mas como disse ainda é cedo para se perceber o que realmente aconteceu.

 

Por agora, o que interessa, no imediato, é extinguir o incêndio, tratar dos feridos, apoiar vítimas e familiares, auxiliar e render homenagem aos bombeiros que estão há horas no terreno a combater as chamas, saudar o esforço dos civis e a capacidade de reação das autoridades locais e nacionais.

 

Mas depois espero, sinceramente, que se apurem todas as responsabilidades até à exaustão e que se tomem as medidas adequadas para que uma tragédia como esta não se volte a repetir.