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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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30.05.15

A recondução de Carlos Costa

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Carlos Costa, governador do Banco de Portugal (BdP) desde 2010, nomeado pelo Executivo liderado por José Sócrates, vai ser reconduzido no cargo, sem que os partidos com assento parlamentar tenham sido ouvidos.

Compete ao governo escolher um nome depois de ouvir os partidos da oposição, não foi essa atitude de Passos Coelho, limitou-se a impor o nome de Carlos Costa.

A sua função como regulador do BdP tem sido alvo de críticas, nomeadamente no caso BES por terem existido falhas na supervisão bancária. O PS entende que Carlos Costa não tinha condições para se manter no cargo. O secretário-geral do PS mostrou-se mesmo «desagradado» e considerou essa recondução «um mau sinal que o Governo dá sobre o rigor que deve imperar no funcionamento destas instituições».

A deputada do BE, Mariana Mortágua considerou que o Banco de Portugal «assumiu responsabilidades políticas que pertenciam ao Governo» e que está a receber «um prémio de recompensa». A deputada acusa Carlos Costa de ter sido um «testa-de-ferro» do Executivo, dizendo que esta proposta de recondução é o cumprimento do sonho do PSD: «um Presidente, uma maioria, um Governo» e o «controlo político sobre o regulador do sector financeiro».

Diz ainda a deputado do BE que o governador do BdP sabia dos prejuízos do BES e não avisou a Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, «não avisou os clientes», permitindo que Salgado permanecesse à frente do banco. Além disso, a resolução da instituição financeira, que criou o Novo Banco, tem custos que ainda não estão calculados. Acresce, na opinião de Mariana Mortágua, Costa foi  incompetente a lidar com os lesados do BES, lembrando as contradições do regulador quando disse que o Novo Banco ia assegurar o reembolso do papel comercial de sociedades do GES vendido aos balcões do BES.

A deputada bloquista lembrou, ainda, que o relatório da comissão de inquérito apontou erros ao BdP na gestão do BES e que a posição do PSD e do CDS mostram que houve um «recuo estratégico» dos partidos da maioria para acompanharem uma decisão «que se percebe que é tomada unilateralmente pelo primeiro-ministro».

O Presidente da República fez questão de apoiar publicamente a recondução de Carlos Costa, mostrando, uma vez mais, a colagem inequívoca com este Governo.