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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

26
Jan15

A vitória do Syriza

syriza.jpgO Syriza ganhou as eleições gregas, obtendo uma vitória clara, com 36,34% dos votos e elegendo 149 deputados, menos dois do que os 151 necessários para a maioria absoluta.

Como sublinhou Alexis Tsipras, dirigente do Syriza e o primeiro dirigente europeu eleito que rejeita explicitamente as políticas de austeridade impostas pela UE aos países-membros, os eleitores gregos deram uma vitória clara ao partido para «escrever a História», «deixando a austeridades para trás».

Quem votou no Syriza não foram apenas os radicais que constituíam o núcleo duro desta coligação de comunistas, trotskistas, maoístas, antiglobalização. Foram sobretudo pessoas sem grandes ilusões sobre o futuro que acharam que já não tinham nada a perder.

Alexis Tsipras tratou de capitalizar este descontentamento generalizado moderando o seu discurso e as suas promessas políticas. Afirmou-se disposto a negociar com Bruxelas uma revisão do programa de ajustamento; a readmitir os funcionários públicos que foram despedidos, repor os cortes de salários e pensões, aumentar o valor do subsídio de desemprego e do salário mínimo nacional.

Resta saber como tudo isto vai ser exequível. Apesar do governo de Samaras garantir que a Grécia saiu da crise, a realidade parece estar muito longe disso, com um programa de assistência que termina no fim de Fevereiro e uma dívida pública que apesar de já ter sido renegociada é superior a 150% do PIB, será muito difícil, senão impossível, que a Grécia consiga sair da situação económica em que se encontra sem ajuda externa

Esta vitória do Syriza cria assim uma enorme expectativa, não só na Grécia mas também nos restantes países do Sul da Europa. Se porventura o plano fracassar, em pouco tempo Alexis Tsipras estará fora de cena e será a prova de que Merkel e Bruxelas tinham razão.

Em caso de sucesso o modelo poderá ser replicado noutros países europeus e terá como consequência uma alteração da política europeia.