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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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08.11.15

Acordo à esquerda decidido hoje no Comité Central do PCP

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O secretário-geral do PS assumiu na entrevista à SIC que o acordo está quase fechado. Os acordos técnicos com os dois partidos BE e PEV e PCP estão concluídos, falta acertar uma segunda dimensão – a dimensão política - que garanta um governo duradouro para quatro anos. No fundo é garantir em simultâneo a governabilidade e a estabilidade.

Enquanto o BE está claramente numa posição de gerir o inesperado resultado de 19 deputados, e nesse sentido acabará por ceder ao quadro macroeconómico proposto pelo PS, até porque o que mais motiva o BE é afastar Passos e Portas do poder, a posição do PCP é porventura mais delicada. O partido teme a necessidade de ter que tomar decisões políticas à revelia do seu percurso histórico - isto porque o PCP tem acoplado uma força como a CGTP- Intersindical e demais sindicatos por ela controlados, que vivem única e exclusivamente do protesto e da contestação mediática e, na possibilidade do acordo ser viabilizado pelo PC, perderiam certamente espaço de manobra. A tudo isto acresce o fracasso desta solução poder penalizar os dirigentes aos olhos do eleitorado que aceitaram negociar com o inimigo histórico dos comunistas. Aliás, a entrevista de Jerónimo de Sousa há dias na SIC Notícias foi nesse aspeto paradigmática, mostrou um secretário-geral comunista cauteloso.

Para o PCP o acordo a subscrever com os socialistas não deverá ter mais do que orientações políticas para o futuro – o partido liderado por Jerónimo de Sousa quer manter a sua margem de manobra, nomeadamente quanto a medidas bandeira do partido que não serão consideradas num governo PS. Os comunistas gostariam de fazer depender o apoio ao futuro governo socialista do condicionamento de políticas, sem se comprometerem com timings muito concretos. Já o PS quer um apoio mais firme e com a duração de uma legislatura. 

Entretanto o PS pressiona PCP, afirmando que só chumba o atual Governo se tiver entretanto um acordo firmado antes da discussão do programa. Todavia, não se vislumbra que neste momento, quer o Bloco que o PCP e mesmo o PS estejam interessados em eleições antecipadas em 2016, não só porque não sabem como vão reagir os descontentes que votaram à esquerda e que não se identificam com a solução encontrada, como querem manter os deputados conquistados nas últimas eleições.

Mas uma coisa é certa. Ambos sabem bem que se as coisas se complicarem entre os três partidos, o PS será inevitavelmente aquele que menos será penalizado, porque é o que tem um eleitorado mais fiel e foi o partido destes três o mais votado e com maior número de deputados.

Além do mais têm bem presente o que se passou com a queda do governo minoritário de Cavaco Silva. Após a sua queda através de uma moção de censura, obteve uma das maiores maiorias absolutas de sempre, quer em votos, quer em mandatos. E um o PRD de Eanes que precipitou esta situação, teve um tempo de vida muito curto.

Entretanto, no seio do PS, multiplicam-se as declarações de contestação à solução de Costa e há quem pareça disposto a liderar uma corrente de opinião interna, caso de Francisco Assis, que poderá criar problemas complicados a Costa. No caso do acordo se confirmar, nem seguristas nem Francisco Assis vão querer ser responsabilizados por qualquer fracasso, nem estão em condições de aguentarem com o ónus politico associado a uma tentativa de boicote das negociações que António Costa tem mantido à esquerda. Seria o seu suicídio político.

A decisão agora está do lado do PCP que reúne hoje o Comité Central, para discutir a viabilização do acordo à esquerda e para discutir os termos do acordo. A direção do partido tomou esta medida para envolver toda a estrutura na resposta decisiva e dar-lhe um caráter mais unitário. 

Embora o acordo ainda não tenha sido completamente concluído, todos acreditam que se encontra num ponto de não retorno. Um recuo certamente seria muito penalizador para quem neste momento «roer a corda». 

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