Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

16.09.15

Adiamento da venda do Novo Banco

img_757x426$2015_09_12_02_46_23_482534.jpg

O Novo Banco foi posto à venda e o Banco de Portugal identificou três compradores, sendo que as negociações com os chineses da Anbang que apresentaram a proposta mais vantajosa, terminaram sem acordo. Os chineses da Fosun e os americanos da Apollo eram outros potenciais compradores que estavam na corrida, mas, nos últimos dias, vários órgãos de informação deram conta da possibilidade das negociações terem fracassado e da venda do Novo Banco ser adiada para depois das eleições legislativas de 04 de outubro.

É que, ao que parece, a Fosun recusou subir a oferta de 1,5 mil milhões de euros, valor que nem chega a metade dos 3,9 mil milhões de euros que o Estado meteu no Fundo de Resolução. Perante este impasse, e depois do falhanço da venda à Anbang, a venda será adiada até que sejam conhecidos os resultados dos testes de stresse do Banco Central Europeu que ditarão em quanto terá de ser reforçado o capital da nova instituição herdeira do BES.

As razões estão á vista: ninguém está muito interessado em adquirir o banco, independentemente dos ativos que possui. Razão tinha Vítor Bento quanto se propunha estabilizar a situação do banco e vendê-lo pelo menos sem prejuízo. Mas o prejuízo parece já ser um dado adquirido. A fatura indireta para os contribuintes (via CGD), já é certa, só resta saber como passará a ser a direta. É que o regresso a uma nova operação de alienação do banco vai mexer nas contas públicas. O Governo já admitiu que o adiamento da venda do Novo Banco vai implicar uma revisão em alta do défice de 2014, em 4.900 milhões de euros, o montante total da capitalização do banco aquando da resolução do BES gerida pelo Fundo de Resolução bancário, entidade gerida pelo Banco de Portugal e que detém 100% do capital do Novo Banco. Deste montante, 3,9 mil milhões resultam de um empréstimo remunerado feito pelo Estado e o restante resulta de um empréstimo, também remunerado, feito por vários bancos a operar em Portugal e de capitais do próprio Fundo de Resolução. Situação que não preocupa a ministra das Finanças, a qual considerou que era «Nada tem de ser compensado e não há quaisquer efeitos nas metas de 2015, 2016 ou anos seguintes. É meramente um reporte estatístico de uma revisão do ano de 2014».

O Governo sempre nos vendeu a ideia de que o Novo Banco não terá custos para os portugueses, mas esta ideia é cada vez mais difícil de engolir, porquanto, em vias de falhar a venda do antigo BES, há um buraco iminente nos cofres do Estado de, pelo menos, 3,9 mil milhões de euros correspondentes à amortização do empréstimo efetuado ao Fundo de Resolução. Ou seja, a falência do BES foi de facto mais uma tragédia que se abateu sobre nós, que, direta ou indiretamente, sobrará inevitavelmente para os suspeitos do costume – os contribuintes.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D