Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

09.03.16

Alentejo prometido, de Henrique Raposo

HR.jpg

Ontem, Henrique Raposo lançou o seu livro da sua autoria Alentejo Prometido, com a chancela da Fundação Francisco Manuel dos Santos, onde o autor retrata a sua vivência em terras alentejanas, através de histórias familiares e memórias pessoais e escreve sobre fenómenos sociais como o suicídio a violência doméstica ou a pobreza na região alentejana, dando algumas explicações para a ocorrência desses factos.

Muito antes de a obra ter sido oficialmente apresentada começou a causar contestação nas redes sociais e fora delas, sobretudo depois da participação do autor no programa da SIC Radical Irritações, de Pedro Boucherie Mendes, onde afirmou que «para um alentejano, o suicídio é como se fosse um fenómeno perfeitamente natural: «Olha, matou-se», ou referindo-se às alentejanas mais idosas, as quais, segundo Raposo, nem sequer têm uma palavra para descrever ‘ violação’ limitando-se a dizer: «Ele chegou-se ao pé e mim e pronto», são duas das frases mais criticadas.

Na rede social Facebook foi mesmo criada uma página intitulada ‘Henrique Raposo - O Inimigo Nº1 do Algarve e do Alentejo’, que conta já com milhares de seguidores. Num dos posts, um homem surge fotografado a incendiar alguns exemplares do livro.

Não nutro especial simpatia por Henrique Raposo que conheço apenas das crónicas do Expresso. Não li o livro e, provavelmente, não o irei ler, mas entendo que o autor tem todo o direito de publicar o que bem lhe apetecer, pois assim o exige a mais elementar noção de liberdade de expressão.

É claro que muitos poderão discordar da visão que Henrique Raposo tem do Alentejo, estão no seu pleno direito, mas não devem esquecer que essa é uma visão meramente pessoal. As opiniões de Henrique Raposo como as de qualquer pessoa poderão ser discutíveis, aceito até que haja quem não aprecie o estilo, o que já não me parece aceitável é a autêntica campanha movida contra o livro e o seu autor. Uma campanha que não se fica pela divergência de ideias, estende-se aos insultos e ameaças físicas. Discordar sim, censurar nunca. Até porque fazer tanto ruído a volta deste assunto só serve para promover ainda mais o livro e o seu autor.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D