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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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15
Nov16

As infelizes declarações de Maria José Vilaça

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Maria José Vilaça, Psicóloga da Associação dos Psicólogos Católicos, afirmou à revista Família Cristã que os pais, em nome do amor, devem aceitar os filhos homossexuais mesmo sem aceitar a homossexualidade, «Eu aceito o meu filho, amo-o se calhar até mais, porque sei que ele vive de uma forma que eu sei que não é natural e que o faz sofrer. É como ter um filho toxicodependente, não vou dizer que é bom».

 

Obviamente não concordando com as declarações proferidas e achando infeliz o exemplo encontrado, percebo que o que está implícito nas palavras de Maria José Vilaça é o amor incondicional de uma mãe por um filho, mesmo não aceitando as suas opções de vida.

 

A psicóloga já veio esclarecer, numa publicação no seu perfil do Facebook, que o que quis dizer é que, «perante um filho que tem um comportamento com o qual os pais não concordam, devem na mesma acolhê-lo e amá-lo». «A toxicodependência é apenas exemplo de comportamento que por vezes leva os pais a rejeitar o filho. Não é uma comparação sobre a homossexualidade, mas sobre a atitude diante dela».

 

Mas as palavras não são inócuas e quando as proferimos, em determinado contexto, temos que ter consciência do impacto que as mesmas têm junto da opinião pública: uma psicóloga usar a atitude face à toxicodependência como analogia para a atitude face à homossexualidade, parece-me no mínimo descabida.

 

Como a Dra. Maria José Vilaça sabe ou deveria saber, até pela sua formação académica, a homossexualidade não é uma doença, é uma orientação sexual inerente ao indivíduo, é uma opção do próprio e é legalmente aceite. Contrariamente, a toxicodependência é um estado de dependência física, uma adição que resulta de fenómenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos, provocando, dor e sofrimento ao próprio e a todos que com ele convivem.

  

A Ordem dos Psicólogos Portugueses considerou as palavras enunciadas por Vilaça de «extrema gravidade» e já anunciou que irá participar os factos ao Conselho Jurisdicional da Ordem, para que seja aberto um inquérito. Na sequência desta decisão estão as inúmeras queixas apresentadas junto da Ordem dos Psicólogos que considera que a psicóloga falou «a título profissional», sublinhando que «não se revê nas afirmações proferidas» e que estas não representam a opinião da ordem, por ausência de qualquer base científica.