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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

19
Fev17

As quintas feiras de Cavaco

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Não li o livro de Cavaco Silva, nem tenciono ler, mas a julgar por alguns excertos que vão saindo na imprensa, são ilustrativos e demonstram bem o carácter do seu autor. A começar pelo título: «quinta-feira e outros dias».

 

Cavaco igual a si próprio. Vingativo, mesquinho. O livro não é mais do que um ajuste de contas camuflado com Sócrates.

 

Segundo a imprensa, Cavaco descreve as reuniões sonolentas com Mário Soares; os reiterados atrasos de Sócrates, em quem Cavaco não acreditava; a pontualidade de Pedro Passos Coelho que aguardava calado as perguntas do Presidente, mas isso aos portugueses, pouco ou nada interessa. Há certamente outros assuntos que os portugueses gostavam de ver respondidos, falo por mim, nomeadamente: sobre a sua participação como acionista na SLN, a detentora do BPN ou por que razão deu falsas esperanças aos depositantes do BES, quando afirmou que podiam confiar no banco dado que as folgas de capital eram mais que suficientes para cobrir a exposição que o banco tem à parte não financeira?

 

Cavaco sempre quis passar a ideia de si próprio como a de um honesto estadista, rigoroso e cumpridor dos seus deveres, afinal estamos perante uma pessoa sem qualquer pingo de sentido de Estado, divulgando conversas privadas na praça pública, sem pudor ou respeito com as pessoas envolvidas.

 

Trata-se de um livro de um autor despeitado que será para sempre recordado como o pior Presidente da República Português, um presidente de fação que estimulou ódios e atiçou intrigas. Não admira que tenha sido o Presidente da República com a mais baixa taxa de popularidade da democracia portuguesa.