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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Abr17

Cada tiro, cada melro

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Teresa Leal Coelho, candidata do PSD a Lisboa deu a sua primeira entrevista ao Observador depois de ser escolhida pelo PSD como candidata ao Município de Lisboa e a coisa não lhe correu lá muito bem.

 

Senão vejamos:

 

A primeira grande promessa da candidata do PSD a Lisboa foi baixar o IMI para 0%. Os lisboetas certamente aplaudiriam de pé esta medida, caso fosse possível pô-la em prática, mas não é, porque os valores deste imposto são definidos anualmente no Orçamento do Estado, no qual são indicados um limite mínimo e um teto máximo, que se situa entre os 0,3% e os 0,45%. Às autarquias compete, dentro desse margem, indicar um valor. O IMI de Lisboa já está na taxa mínima. Acresce, ainda, que esta é a principal fonte de receitas da autarquia e como tal é impensável um município poder renunciar a esta receita.

 

Mas baixar o IMI para 0% não é a única medida que a candidata pretende tomar, caso seja eleita, o que se espera não venha a acontecer. Leal Coelho promete reduzir também a fatura da água: «seguramente que irei revogar a taxa de proteção civil que é paga no âmbito da fatura da água, por ser “inconstitucional” e “injusta”». Ora, na fatura da água, os lisboetas pagam várias taxas à Câmara: a de saneamento, a de resíduos urbanos e a de consumos coletivos, mas não a de proteção civil que é cobrada através de uma notificação. Sucede que a mesma rendeu 21,6 milhões de euros em 2016 aos cofres da Câmara de Lisboa, por isso também não se afigura provável a Câmara poder dispensar esta fonte de receita.

 

A candidata do PSD diz que a assiduidade não é bitola, mas promete «mais assiduidade como presidente da câmara» e justifica a sua ausência, enquanto vereadora, nas reuniões da câmara, alegando que as substituições «decorreram quase exclusivamente para assegurar outras responsabilidades políticas».

 

Sabemos que Teresa Leal Coelho foi para ai a 36ª (?) escolha do PSD. Sabemos bem que esta não é uma candidata ganhadora, mas que foi lançada às feras em desespero de causa.

 

Por aqui se vê como o PSD anda desesperado recorrendo ao populismo mais básico. Mas convinha que a senhora soubesse minimamente ao que vai e do que fala para não fazer estas tristes figuras, porque esta não é uma militante qualquer do partido. É a  vice-presidente do PSD.