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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

28.11.16

Chega ao fim a telenovela CGD

 

 

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A telenovela da Caixa Geral de Depósitos(CGD) chega finalmente ao fim, com o epílogo que muitos anteviam.

 

O que nasce torto, tarde ou nunca se direita, já diz o povo. Ora o chamado «caso da CGD» transformou-se numa telenovela com todos os ingredientes para acabar mal. O dossier foi gerido desastrosamente, desde a nomeação da administração. Começou com os salários dos novos administradores da Caixa Geral de Depósitos e acabou com a recusa de apresentação das suas declarações de património e de rendimentos ao Tribunal Constitucional.

 

António Domingues, vá-se lá saber por quê, sempre recusou exibir a sua declaração de rendimentos, cumprindo os deveres de transparência a que estão sujeitos todos os gestores públicos, escudando-se num decreto-lei que, a seu ver, o isentava.

 

Do lado do Governo, meteu-se os pés pelas mãos. O ministro das Finanças tentou travar a polémica, mas só a aumentou com a afirmação de que Domingues responde à tutela política e assim a transparência está garantida. António Costa chutou para canto, dizendo que compete ao TC decidir se o banqueiro deve ou não entregar a declaração.

 

Ninguém sai bem nesta fotografia: O Governo porque “desobrigou” os gestores da CGD das exigências comuns aos gestores públicos, ou seja, da apresentação da declaração para o Tribunal Constitucional sobre os rendimentos dos gestores e assim permitiu esta enorme trapalhada; os administradoress da CGD porque não cumpriram com os seus deveres de transparência, deixando no ar a ideia que tinham algo a esconder. Finalmente a oposição, porque quis criar aqui um facto político, que servisse de arma de arremesso contra o governo.

 

Acredito na competência de António Domingos, que me garantem que tem, mas começava a parecer incompreensível que um gestor experimentado tenha deixado o caso CGD arrastar-se a tal ponto.

 

Depois, parece-me evidente que, como afirmou Catarina Martins do BE, «não pode estar à frente da CGD quem não quiser cumprir deveres de transparência sobre os seus rendimentos». Assim sendo, a António Domingues só lhe restava uma saída: a sua demissão, o que veio a acontecer.

 

Acontece que todo este ruído acerca da CGD é extremamente nefasto e escusado. A CGD precisa de estabilidade e precisa de entrar em pleno funcionamento. É tempo de se decidir em definitivo tudo o que eventualmente está pendente. Arranjar rapidamente uma nova administração e colocar um ponto final nesta novela.