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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

16
Out16

Crónicas de escárnio e maldizer

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Vasco Pulido Valente está de volta, agora no Observador. Igual a ele próprios e ao que no habituou desde as suas crónicas no Independente: inteligente, cáustico, amargo, mordaz. A sua imagem de marca é o ceticismo. Mas também o escárnio e o maldizer, uma tradição muito portuguesa com sucesso garantido na imprensa escrita. 

Vejamos, de forma sucinta, como comenta os assuntos que marcaram esta semana no seu diário:

  1. O que diz sobre os taxistas: «Esta querela dos taxistas é um retrato da imbecilidade nacional».
  2. Sobre a eleição de Guterres para a ONU: «Por acaso conheço a criatura. É um homem fraco, influenciável, indeciso e superficial».
  3. Sobre o anterior livro de Sócrates (não leu ainda o novo): «É um exercício escolar sem originalidade ou rigor, que, como lhe compete, exibe uma enorme incultura filosófica».
  4. Sobre as eleições americanas: «O debate entre Trump e Clinton não passa de uma zaragata de bordel. A famosa civilização do Ocidente deu nisto».
  5. Sobre o OE2017: «As discussões sobre o Orçamento de 2017 deixaram à vista a pobreza e a fragilidade de Portugal».
  6. Sobre Portugal: «A choradeira e o ranger de dentes não levam a nada, nem os triunfos vicários com as façanhas de Ronaldo ou Guterres. Sempre foi assim».

À exceção dele próprio, tudo neste país é péssimo, trágico ou apocalíptico, um desastre que ele nos anuncia em crónicas infalivelmente pessimistas e biliares. 

Ora, se todas as suas previsões catastrofistas se cumprissem o país provavelmente há muito que não existiria enquanto nação.