Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

26
Set17

D. Manuel Martins (1927-2017)

 

ng8815982.jpg

Nascido em 20 de janeiro de 1927, em Leça do Balio, Matosinhos, Manuel da Silva Martins estudou no seminário do Porto e, mais tarde, na Universidade Gregoriana, em Roma.

 

Foi pároco de Cedofeita, nos nove anos de exílio do bispo do Porto António Ferreira Gomes, durante o Estado Novo e foi vigário geral após o regresso do prelado.

 

Em 1975 foi nomeado bispo da diocese de Setúbal, de onde só saiu em 1998. «Nasci bispo em Setúbal, agora sou de Setúbal», disse no dia da ordenação episcopal aquele que foi o primeiro bispo da diocese – criada a 16 de julho de 1975, no Verão Quente, em pleno PREC.

 

Para D. Manuel Martins, desses anos em Setúbal ficou um sentimento de dever cumprido e a convicção de que deu o seu melhor na luta pelas causas dos mais desfavorecidos.

 

Foi uma voz inconformada e indignada da Igreja contra as injustiças da sociedade e os falhanços da política, denunciou a fome e a pobreza no distrito de Setúbal no início da década de 80 e por isso ficou conhecido pelo ‘Bispo Vermelho’.

 

A sua postura cívica, sempre assumida, muito centrada em ideais e causas humanistas, tornaram-no um protagonista incómodo para a própria estrutura da Igreja e para o poder político.

 

Após a resignação, continuou a proferir várias conferências e palestras denunciando situações de injustiça social e escreveu «Pregões de Esperança», um livro editado em 2014 e apresentado pelo ex-Presidente Ramalho Eanes.

 

O funeral do Bispo emérito de Setúbal realiza-se hoje em Leça do Bailio.