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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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21
Mar17

Da Caixa, com certeza

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Na sequência do processo de recapitalização da Caixa Geral de Depósitos (CGD), a nova administração poderá fazer proceder ao plano de reestruturação, nomeadamente com o fecho de alguns balcões. Este plano prevê uma redução de 50 balcões já até ao final deste mês de março, garantindo cerca de 490 balcões, em 3 anos, distribuídos pelos 308 municípios de todo o país. Entre os novos critérios de Paulo Macedo podem estar, também, as distâncias entre os balcões da CGD mais próximos e as acessibilidades às localidades, como as redes viárias.

 

A notícia do encerramento de balcões da CGD tem gerado protestos de alguns autarcas do país, que receiam ficar sem a presença do banco público. O tema é melindroso. Em ano de eleições autárquicas pior um pouco.

 

A distribuição territorial dos balcões que fecham já este ano é uma das preocupações reveladas pelo Bloco de Esquerda, PCP e Verdes. Os três parceiros do Governo no Parlamento rejeitam a ideia de que a reestruturação do banco, através do fecho de balcões e da saída de trabalhadores, não pode ser uma espécie de moeda de troca do plano de recapitalização. Entre os receios estão também o facto de o fecho poder concentra-se no interior do país.

 

Pedro Passos Coelho também já se pronunciou sobre o tema classificando de um «cinismo atroz» por parte dos socialistas, comunistas e bloquistas. Mas, pergunto: não foi o governo PSD/CDS que queria privatizar a Caixa?

 

É evidente que se se quer que a CGD estanque prejuízos descomunais que rondaram os 2 mil milhões de euros no ano passado, o valor mais elevado da história do banco público, tem necessariamente que haver uma melhor racionalização de custos que passa naturalmente pelo fecho de alguns balcões. Por outro lado, com o crescimento da relação eletrónica entre o banco e os utentes, deixou de fazer sentido manter o mesmo número de agências, muitas delas situadas geograficamente muito próximas.

 

Porém, a CGD como banco público deve obrigatoriamente estar presente em todo o território nacional a fim de servir as populações. Em algumas zonas geográficas do interior do país onde as populações ficam sem acesso ao banco público, esse serviço poderá ser garantido por exemplo pelos CTT, através de balcões específicos criados para o efeito.

 

Sabemos que a CGD é um banco público e como tal não se pode comportar como um banco privado. Todavia, à semelhança dos privados,  está obrigada a entrar na guerra do mercado e competir com as demais instituições bancárias, caso não queira desaparecer e para que não observemos outro dejá vu  penoso como BPN, BES e BANIF e afins.