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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

12
Jan16

De facto!

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Ricardo Duarte, 38 anos, médico anestesista no Funchal, publicou uma carta, em jeito de desabafo, no seu mural do Facebook, sobre o serviço de saúde onde exerce a sua atividade e que reflete grosso modo o estado da saúde e do país e que  se tornou viral. 

A razão para este desabado, assume Ricardo Duarte, prende-se com o seguinte facto: «Dois dias antes da morte do jovem nas urgências no S. José, fui com o meu filho ao centro de saúde para o vacinar mas não consegui porque não havia vacinas. Ora como é possível que o país se levante quando, pelas mais diversas razões, não se consegue salvar alguém mas ninguém se indigne por não haver prevenção?».

As palavras de Ricardo Duarte demonstram um grande desânimo e uma grande desmotivação. «Trabalho num serviço de saúde onde tenho de improvisar a toda a hora porque o fármaco x e y “não há” (Ups… estamos proibidos de dizer que não há!). É um facto. Onde temos vários ventiladores de 30 mil euros avariados (um deles há mais de 1 ano!) porque “ninguém” pagou a manutenção.» E prossegue: «Vivo numa região em que se gastam muitos milhões em fogo-de-artifício e marinas abandonadas, sem existir contudo dinheiro para um monitor e um ventilador de transporte para a sala de emergência de um hospital dito central e centro de trauma certificado. É um facto.».

Diz o médico anestesista: «Trabalho 65 horas por semana, a uma média de 9 euros por hora». «Recebo menos de metade do que quando acabei a especialidade há oito anos».

Um médico em Portugal ganha 9 euros por hora? Digam-me, por favor, que não é verdade. Porque, se for, há qualquer coisa de muito errado neste país.