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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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24.09.15

Défice de 2014 dispara para 7,2%

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Más notícias para o Governo e para a coligação PAF. O défice orçamental de 2014 foi revisto em alta de 4,5% do PIB para 7,2% do PIB, segundo o reporte semestral enviado pelo INE, fruto da recapitalização de 4,9 mil milhões de euros do Novo Banco feita pelo Fundo de Resolução.

Como o Novo Banco, do qual o Fundo de Resolução é o único acionista, não foi vendido num espaço de um ano, após a sua recapitalização em Agosto de 2014, de acordo com as regras europeias de contabilidade, têm impacto no défice público todas as injeções de capital público em empresas com prejuízos e sem planos de negócios ou reestruturação que assegurem tratar-se de um investimento rentável.

A subida já tinha sido avançada esta semana pelo Negócios, que deu conta, ainda, que este pode não ser o último impacto do Novo Banco - os défices de 2015 e 2016 também poderão vir a ser afetados - .

O risco de nova recapitalização é um dos fatores que está a dificultar a venda do Novo Banco. Foi, aliás, o insucesso dessa operação até ao início de Agosto deste ano que obrigou a inscrição do valor da recapitalização no défice de 2014, e que explica que futuras recapitalizações, caso venham a ser identificadas necessidades de recapitalização nos testes de stress do BCE, feitas pelo Fundo de Resolução, tenham semelhantes procedimentos.

A única forma de evitar que se reflita no défice público será conseguir que uma eventual recapitalização seja garantida por fundos privados, eventualmente numa segunda tentativa de alienação da instituição. Após a identificação das necessidades de capital pelo BCE, o banco deverá ter até nove meses para as suprir, o que poderá empurrar eventuais impactos para 2016.

Entretanto o Governo já desvalorizou dizendo que se tratava de «meros dados estatísticos». Este é o mesmo executivo que sempre trabalhou para as estatísticas e para que se atingissem determinados objetivos, escusados, como fica provado, dado que o défice atual é semelhante ao de 2011.

Tanta austeridade, tanto desemprego em níveis nunca vistos, tanta pobreza completamente injustificada, tantos sacrifícios impostos ao povo português para nada.

Ainda assim, Paulo Portas tem a ‘distinta lata’ de vir dizer «Vejo o PS a disparar outra vez défice e dívida» se ganhar as eleições. Esquecendo-se da compra dos submarinos, quando era ministro da Defesa, e que fez derrapar as contas do Estado em 2010.

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