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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

23
Mar17

Degraus

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Assim como as flores murcham

E a juventude cede à velhice,

Também os degraus da Vida,

A sabedoria e a virtude, a seu tempo,

Florescem e não duram eternamente.

A cada apelo da vida deve o coração

Estar pronto a despedir-se e a começar de novo,

Para, com coragem e sem lágrimas se

Dar a outras novas ligações. Em todo

O começo reside um encanto que nos

Protege e ajuda a viver

Serenos transpúnhamos o espaço após espaço,

Não nos prendendo a nenhum elo, a um lar;

Sermos corrente ou parada não quer o

espírito do mundo

Mas de degrau em degrau elevar-nos e aumentar-nos.

Apenas nos habituamos a um círculo de vida,

Íntimos, ameaça-nos o torpor;

Só aquele que está pronto a partir e parte

Se furtará à paralisia dos hábitos.

Talvez também a hora da morte

Nos lance, jovens, para novos espaços,

O apelo da Vida nunca tem fim ...

Vamos, Coração, despede-te e cura-te!

 

Poema: "Degraus", de Herman Hesse