Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

13.04.16

Discriminação no Colégio Militar

desfile-colegio-militar08_1280x640_acf_cropped.jpg

Numa reportagem pelo Observador, o subdiretor do Colégio Militar, António Grilo afirmou: «Nas situações de afetos [homossexuais], obviamente não podemos fazer transferência de escola. Falamos com o encarregado de educação para que perceba que o filho acabou de perder espaço de convivência interna e a partir daí vai ter grandes dificuldades de relacionamento com os pares. Porque é o que se verifica. São excluídos».

Tais declarações suscitaram um pedido de esclarecimento do ministro da Defesa, Azeredo Lopes, sobre discriminação dos alunos homossexuais naquela instituição militar que levou à demissão do Chefe do Estado-Maior do Exército, dado que «o Ministério da Defesa Nacional considera absolutamente inaceitável qualquer discriminação, seja por questões de orientação sexual ou quaisquer outras, conforme determina a Constituição e a Lei.».

O Chefe de Estado-Maior do Exército por considerar que não tem estatuto para ser sujeito a este tipo de explicações ao ministro da tutela, apresentou a sua demissão.

Acontece que as Forças Armadas estão submetidas ao poder político e como tal têm que obedecer às condicionantes que este lhes impõe. O ministro da Defesa tem autoridade sobre o poder militar e cumpre-lhe exercê-la. Foi o que fez e bem na minha opinião.

O que na realidade começa por configurar uma tremenda discriminação é a existência destes estabelecimentos de ensino (Colégio Militar e Pupilos do Exército), cujo acesso é só por si já discriminatório (os filhos dos militares pagam muito menos que outros alunos).

Refira-se que 2013 as três instituições de ensino (Colégio Militar, Colégio de Odivelas e Pupilos do exército) custavam anualmente 18 milhões de euros ao erário público e tinham uma receita de apenas 3,6 milhões! O Estado concluiu ainda que com cada aluno do Colégio Militar, por ano, gastava mais três mil euros do que noutra escola!

Acho tremendamente injusta esta lógica de casta, sobretudo em estabelecimentos de ensino públicos, que são geridos com dezenas de milhões de euros provenientes do Orçamento de Estado, ou seja dinheiro dos contribuintes! Faz pouco sentido a continuação daquelas instituições militares, vocacionados para formar elites com dinheiros provenientes do erário público, numa altura em tem verificado o fecho de inúmeras escolas, por critérios economicistas e demográficos.

Convertam aquelas instituições em estabelecimentos de ensino privado e ai poderão adotar as regras que muito bem entenderem.