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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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23.01.15

Eleições na Grécia

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No próximo domingo, os gregos vão às urnas para escolher um novo governo e as sondagens mais recentes apontam para a vitória do Syriza, o partido da esquerda radical que lidera as intenções de voto. O resultado das eleições gregas lança uma vaga de inquietação nas capitais europeias, pela tremenda incerteza que uma vitória, possível, mas ainda incerta, do Syriza trará ao futuro da União Europeia.

O principal debate destas eleições gira em torno da permanência da Grécia na zona euro. Samaras afirma abertamente que se o Syriza ganhar as eleições, levará o país a sair da Zona Euro, enquanto o Syriza rejeita essas acusações, alegando que vai renegociar uma reestruturação global da dívida pública e os compromissos assumidos com a troika de forma a aliviar as medidas de austeridade, mas mantendo o país na União Europeia e na Zona Euro.

A esperança de uma viragem política ou o receio de novas experiências vão confrontar-se no dia 25 de janeiro focalizadas em dois homens, o líder de esquerda Alexis Tsipras e o primeiro-ministro conservador Antonis Samaras. 

Na realidade, a maioria das sondagens de opinião realizadas sustentam que os gregos querem permanecer na Zona Euro e na UE. Aquilo que o povo grego, com cerca de um terço da população no limiar de pobreza, com extensas franjas de exclusão social e uma taxa de desemprego acima dos 25% pretende verdadeiramente é o alívio das medidas de austeridade, e não a saída do país do projeto europeu. Por outro lado, os parceiros europeus afirmam que a pertença ao euro é irrevogável e a saída da Grécia da moeda única não é tema em discussão.

Diversos observadores assinalaram o discurso mitigado do Syriza nas últimas semanas, mas os mercados permanecem expectantes sobre o possível abandono das reformas económicas. 

A exclusão do país do programa ontem anunciado por Draghi foi mais um aviso. Quando o líder do BCE fala na possibilidade de incluir a Grécia no programa de compra em massa de dívida soberana a partir de Julho, o que está a querer dizer exatamente é que lhe vai conceder ajuda se Alexis Tsipras aceitar manter o programa de resgate previamente negociado.

Nas palavras de alguns eleitores gregos, o significado político de tais afirmações poderá ser encarado como chantagem. A mesma que a União Europeia e os credores internacionais têm vindo a exercer sobre a Grécia perante a possível vitória de Tsipras.

Mais incerteza portanto a pairar na reta final para as eleições.