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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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01
Mai15

Greve dos pilotos da TAP

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Começou hoje uma greve de dez dias agendada pelos pilotos da TAP e Sindicato dos Pilotos da Aviação Civil, por considerarem que o Governo não está a cumprir o acordo assinado em Dezembro de 2014, nem um outro, estabelecido em 1999, que lhes dava direito a uma participação no capital da empresa no âmbito da privatização. Um terço dos pilotos estarão contra a greve  e a maior parte dos  trabalhadores  da companhia, por considerarem que a paralisação poderá pôr em risco o futuro da empresa e das famílias dos mais de 10 mil trabalhadores do grupo.

As razões invocadas pelos pilotos da TAP são a todos os títulos lamentáveis, porque ao colocarem como reivindicação o acesso a uma parte do capital da companhia estão, não apenas a aceitar o processo de privatização em curso, como a colocar-se em bicos dos pés, achando que apenas eles têm esse direito e a excluir os todos restantes colegas-trabalhadores de auferir iguais dividendos.

Esta decisão criou uma quase unanimidade de reações negativas, dos que direta ou indiretamente são afetados pela paralisação e até de quem se tem manifestado contra a privatização da transportadora aérea.

Até ao meio dia de hoje, a TAP registou 38 voos cancelados e 118 voos que descolaram ou aterraram conforme o previsto, ou seja, apenas 25% dos voos foram cancelados, apurou a TVI. Só um, em cada quatro voos, foi cancelado. Nos trajetos de longo curso, não se registaram cancelamentos. Já nas viagens de médio curso, 70% das ligações foram asseguradas. Mas, independentemente da adesão à greve, os prejuízos serão seguramente devastadores para a transportadora nacional.

A empresa prevê um prejuízo a rondar os 70 milhões de euros  O simples anúncio da greve na TAP teve efeitos nefastos na empresa e nos operadores turísticos. Por isso, mesmo que a greve viesse a ser cancelada, não minimizaria os danos causados pelos muitos cancelamentos que entretanto ocorreram.

A TAP tem vindo a perder valor financeiro. Entre 2014 e 2015, a marca caiu 22%, passando de 399 milhões de dólares  (361,7 milhões de euros) para 313 milhões de dólares (283,7 milhões de euros), concretamente uma desvalorização de 86 milhões de dólares(77,9 milhões de euros).

Não me vou alongar muito mais sobre a TAP, pois já o havia feito aqui e aqui. O que sei é que a empresa não pode estar refém de um conjunto de dirigentes sindicais e de uns tantos pilotos, e é por isso que sou a favor da privatização da transportadora aérea.

Não tenho dúvidas de que, no atual contexto, a privatização da TAP é preferível à manutenção deste status quo.