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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

19
Set15

«Mais vale prevenir que remediar»

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A duas semanas das eleições legislativas há sondagens para todos os gostos. Assim, de acordo com a sondagem da Universidade Católica para a RTP, a coligação PAF, surge com 41% das intenções de voto. O PS com 34%, o Bloco de Esquerda surge como terceira força política com 8% (?) e a CDU fica com 7%, sendo que nenhum outro partido consegue eleger deputados.

Esta sondagem aponta um elevado número de indecisos cuja estimativa é calculada com base nas intenções diretas de voto em cada partido, e redistribuindo os indecisos com base numa segunda pergunta sobre intenção de voto, tendo a particularidade de a amostra ser inferior à de um barómetro.

Já na sondagem realizada pela Aximage para o Jornal de Negócios e o Correio da Manhã entre os dias 13 e 17 de Setembro, a coligação de direita surge com uma intenção de voto de 35,3%, enquanto o PS reúne 34,7% das intenções de voto. O que significa que a coligação PSD/CDS e o PS estão separados por seis décimas nas intenções de voto, segundo

Por comparação com a sondagem realizada anteriormente, o PS recupera, passando de 33,3% para 34,7%, enquanto a coligação tem uma queda significativa, passando de 38,9% para 35,3%. A abstenção, nesta última sondagem, situa-se, nos 39,5% contra os 36,2% da anterior.

Nesta sondagem, a CDU regista uma intenção de voto de 8,3% contra os 8,5% da obtida entre 4 e 7 de Setembro, enquanto o Bloco de Esquerda sobe de 4,6% para 5,8%. Já o PDR e o Livre, que na sondagem realiza entre 4 e 7 de Setembro surgiam com uma intenção de voto de 1,8% e 1,9%, respetivamente, não elegem qualquer deputado. A percentagem de indecisos apurados neste estudo de opinião sobe de 2,9 para 8,3. Um dado relevante para esta sondagem é a resposta à pergunta: «a sua intenção de abster-se, votar no partido y, votar branco ou nulo é firme ou pode mudar?». Em resposta, 75,3% dos inquiridos referem já terem uma intenção "firme" de votar numa determinada força política, enquanto 24,7%  admite mudar o sentido de voto.

Também ontem foi divulgado um estudo da Eurosondagem para a SIC e para o Expresso, que dá o PS à frente nas intenções de voto (1,5 pontos à frente da coligação) mas elegendo um menor número de deputados para a Assembleia da República, o que cria um situação inédita e complicada.

Neste estudo da Eurosondagem, o partido socialista com 35,5% conseguirá eleger entre 95 a 101 deputados. Já a coligação com 34% conseguirá 99 a 102 lugares no Parlamento. De acordo ainda com esta sondagem a CDU garantiria entre 20 a 22 deputados – o que há mais 30 anos não acontece –, o BE elegeria entre 6 a 9, agora tem oito. O PDR de Marinho e Pinto poderia meter os cabeças de lista de Lisboa e Porto e o Livre consegue eleger apenas um deputado em Lisboa.

Conclusão: o PS desce 0,5% em relação ao último barómetro. Já a coligação, caiu um ponto percentual, de 35% para 34%. Ou seja a diferença entre os dois é agora em 1,5%, sendo que no último barómetro se situava em 1%.

Outra ilação é que mesmo que o PS tenha maior número de votos, a coligação vai ter mais deputados, em consequência da aplicação do Método de Hondt, o qual faz a distribuição do eleitorado pelos círculos, o que provoca algumas dispersões.

No artigo 187º. da CRP está, preto no branco, que o «Primeiro-Ministro é nomeado pelo Presidente da República, ouvidos os partidos representados na Assembleia da República e tendo em conta os resultados eleitorais». Mas o problema é mesmo esse. Mas quais resultados?

Caso esta situação se venha a verificar, dizem os constitucionalistas que o PR convidará para formar governo o partido que tenha elegido mais deputados. Mas há ainda outro problema. Caso a coligação PAF ganhe, nem António Costa, nem a restante oposição viabilizará o OE, como também não viabilizará um governo minoritário da coligação, pelo que este não conseguirá passar no parlamento. Já um governo minoritário do PS, tendo a coligação mais deputados, só poderia passar no Parlamento caso houvesse acordo com a CDU, já que teria naturalmente o veto da coligação, o que o tornaria dependente do apoio do PCP para toda e qualquer medida, o que não é muito plausível que aconteça. 

As próximas eleições legislativas foram marcadas para 4 de outubro, por decisão de Cavaco Silva. Quando os portugueses forem às urnas, o Presidente da República terá os seus poderes condicionados desde 9 de setembro. Se o que as sondagens apontam for uma realidade, o país acordará no dia 5 de Outubro num «beco sem saída». O Parlamento não terá quaisquer perspetivas de produzir um governo minimamente estável, nem sequer de aprovar um Orçamento de Estado, com a agravante da AR não poder ser dissolvida durante seis meses, face à limitação dos poderes presidenciais. O governo estará então em funções de gestão, sendo substituído provavelmente por sucessivos governos, que cairão no parlamento à primeira oportunidade e o mais certo é termos eleições legislativas a muito curto prazo.

Por tudo isto, seria bom que no próximo dia 4 de Outubro acorrêssemos às urnas a fim de acautelarmos esta situação.