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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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22
Ago17

Manuel Machado e os orçamentos dos clubes

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 «Há um conjunto de razões indiretas que parecem ser importantes para matéria de reflexão. O que vi ontem no Afonso Henriques, na Luz e aqui, há 15 dias, esta disparidade de meios à disposição é algo que tange o abjeto. Eu com um orçamento de 3 milhões contra uma equipa de 70 ou 80 milhões, acha pesado? Acha legítimo? Dizem que o futebol é o negócio do seculo. É uma área a ser conservada. O que esta a acontecer a curto, médio prazo vai acabar com este tipo de coisas. Isto vai ser o caminho para a frente. O presidente da Federação Fernando Gomes, o presidente da Liga Pedro Proença, o senhor Secretário de Estado, vocês, imprensa, que juntam trios a falar do mesmo. Todos são responsáveis O que conta é o campeonato dos três. O resto é carne para canhão.». Quem o disse foi Manuel Machado, atual presidente do Moreirense, após a derrota do Moreirense, por 3-0 contra o FC Porto.

 

No futebol como na vida, há os clubes mais ricos, clubes menos ricos, e os outros que lutam desesperadamente para não descer de Divisão. Efetivamente, clubes como o Sport Lisboa e Benfica, tem um orçamento de 150 milhões de euros para esta época, e Sporting e FC Porto têm valores acima dos 100 milhões de euros para gastar nos respetivos planteis. Os pequenos clubes sobrevivem com orçamentos de sete, cinco ou até três milhões de euros. A diferença é, de facto, abissal quando se compara um FC Porto com um Moreirense.

 

Todavia no campo, muitas vezes, essas diferenças são atenuadas. Há clubes com orçamentos reduzidos que conseguem formar equipas competitivas que jogam com os grandes de igual para igual e muitas vezes com vantagem. Vão gerindo o plantel com os recursos disponíveis e com empréstimos de jogadores de outros clubes. Estou a lembrar-me do caso do Moreirense que, no ano passado, venceu a taça da Liga, do Chaves e do Rio Ave. Tem tudo a ver com a motivação e com a forma de jogar que o treinador consegue transmitir à equipa.

 

Há quem defenda que a solução passa por uma negociação coletiva entre os clubes da I Liga ou entre todos os clubes das Ligas profissionais (I e II Ligas), sendo o principal argumento o de fortalecer a posição negocial dos clubes e permitir uma distribuição mais equitativa das receitas.

 

É o que acontece na Alemanha ou em Itália onde existem várias equipas que não são de topo, mas têm orçamentos elevados o que lhes permite contratar bons jogadores.

 

Em Inglaterra, na Premier League, onde os direitos de TV estão centralizados, temos sete ou oito candidatos ao titulo. A média de orçamento para cada clube cifra-se nos 243 milhões de euros. Não é, pois, de admirar que o Leicester, por exemplo, que nem sequer era considerado candidato tenha conseguido ganhar o campeonato inglês.  Que um clube como o Everton, quinto ou sexto lugar na tabela, tenha adquirido um jogador por quase 50 milhões de euros, ou que o Watford, que luta para não descer, tem 113 milhões disponíveis para investir no plantel esta época. São números quase idênticos aos dos três grandes do futebol português.

 

Mas por cá nunca houve, e continua a não haver, vontade dos grandes clubes para que se tivesse avançado para a centralização. Agora com os direitos nas mãos das operadoras de comunicação, pior um pouco.

 

Benfica, FC Porto e Sporting assinaram contratos individuais com as operadoras NOS e MEO, levando os outros clubes a tomar a mesma opção. Contudo, os valores pagos a cada um dos três grandes não é comparável ao de um pequeno clube.

 

Assim sendo, as diferenças vão continuar a existir.