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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

05
Out15

No rescaldo das legislativas

 

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Os portugueses votaram e deram a vitória à coligação «Portugal à Frente», ficando com 104 deputados, à frente do PS que garantiu 85 mandatos. A coligação conseguiu obter 38,34% contra 32,4% do PS, (a esquerda conta agora  com 19 deputados do BE e 17 da CDU). O PAN conseguiu um deputado nesta legislatura.

O BE foi o grande vencedor destas eleições, muito graças à empatia gerada por Catarina Martins e ao desempenho parlamentar de Mariana Mortágua, designadamente no caso BES e nas audições a Ricardo Salgado e Zenal Bava. O PAN também saiu vencedor porque foi o único dos pequenos partidos que conseguiu eleger um deputado, à custa da sua concentração de votos em Lisboa.

O grande derrotado da noite foi sem dúvida o PS (e António Costa) que ficou aquém dos objetivos com que se apresentou a estas eleições – derrotar a maioria de direita – e viu grande parte do seu eleitorado ser transferido para o BE.

A derrota do PS deixa o seu Secretário-Geral fragilizado. Mas com eleições presidenciais daqui a três meses, manda o bom senso que Costa permaneça na liderança do partido. Mais tarde o caminho estará aberto para quem quiser desafiar a liderança.

Relativamente à coligação, embora seja o partido mais votado, esta vitória da direita acaba por ter um sabor amargo, uma vez que perdeu a maioria absoluta. Isto significa que precisará dos votos da oposição para governar. Acontece que quer o BE, quer a CDU já disseram claramente que não viabilizarão um governo de direita, resta o PS, mas António Costa sublinhou ontem no seu discurso que a direita não deve contar com o PS para viabilizar políticas contrárias às defendidas pelo partido.

Assim sendo, não prevejo que o próximo governo dure quatro anos. A estabilidade governativa, mais do que não estar garantida, está ameaçada e, muito provavelmente, voltaremos a ter eleições legislativas dentro de pouco tempo. Vamos ver o que fará o presidente da República depois de tanta meditação.

Por último, mas não menos importante, uma palavra sobre a abstenção. Ao início da noite, as projeções apontavam para uma diminuição nos números da abstenção, o que não se veio a verificar.

Cerca de 43,1% dos eleitores abdicaram do exercer esse direito de voto, o que significa que 4.041.578 eleitores não foram sequer às urnas. Não querendo retirar valor aos números exorbitantes da abstenção, algo me diz que estes números não têm tradução com a realidade. Ao longo do dia fui constatando através da comunicação social e das redes sociais o desabafo dos eleitores de que as filas das mesas de voto eram as maiores de sempre e houve um apelo constante, nomeadamente no facebook, no sentido das pessoas participarem no ato eleitoral. Por isso algo se passa. Que tal atualizarem os cadernos eleitorais?