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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

22
Nov15

O país pode esperar!

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O Diário de Notícias deste domingo adianta que o Presidente da República ainda não deu por concluída a ronda de negociações, mesmo depois de ter chamado 31(!) personalidades/entidades.

O mesmo jornal escreve que está tudo em aberto, inclusive manter Passos Coelho em Gestão. Amanhã Cavaco Silva vai fazer um ponto da situação e decidirá se quer ouvir mais alguém antes de anunciar qual vai ser o futuro político do país.

Ainda assim – e já que nada é certo até ao anúncio final – não está de parte a hipótese de Cavaco Silva tomar a decisão já amanhã, comunicando-a imediatamente ao país. Ao Presidente da República não lhe basta a consulta feita a mais aos eleitores a 4 de outubro de 2015. Falta-lhe consultar uma lista de personalidades que ninguém ainda percebeu para quê, já que o seu órgão consultivo – Conselho de Estado – não foi sequer auscultado. Mais anedótico que isto só chamar a Belém, um por um, todos os eleitores que constam dos cadernos eleitorais, incluindo os já falecidos.

Como é público e notório, o chefe de Estado está sem pressas. Prova disso é que na deslocação à Madeira chegou a afirmar: «eu estive cinco meses num governo de gestão», como se as situações e os poderes presidenciais pudessem ser comparáveis.

Depois, ao contrário do que fizera antes de indigitar Passos Coelho, desta vez não convocou os partidos no âmbito do 187.º artigo da Constituição, que dá por iniciado o processo de indigitação do novo primeiro-ministro. Optou, ao invés, por audiências públicas, convocando mesmo os partidos por telefone, a fim de evitar dar indícios no sentido de querer indigitar o primeiro-ministro.

Uma coisa é certa. Ninguém quer um Governo de gestão, nem mesmo a coligação e Cavaco Silva que tanto gosta de ouvir «pessoas», prefere ignorar as vozes à esquerda e a direita e até os candidatos à Presidência da República como Marcelo Rebelo de Sousa que já afirmou que o país precisa urgentemente de um uma solução governativa e de um Orçamento de Estado e que apesar de contido nas palavras, não revelou qualquer entusiasmo com a possibilidade de um Governo de gestão.

O mais curioso é que foi o presidente da República que pediu entendimentos e disse claramente que o Parlamento era o local adequado para estabelecer esses entendimentos. A AR fê-lo! Mas como ele não gostou dos entendimentos que a AR estabeleceu e como face ao contexto atual só lhe resta uma saída, que obviamente não lhe agrada, está a arrastar a decisão até ao limite do insuportável, pese embora ter dito que havia estudado todos os cenários possíveis!