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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

04.07.16

O pragmatismo de Fernando Santos

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Vibro muito com a seleção. Vejo-a como algo que transcende os clubes. Um jogo da seleção é um momento mágico. É como um grande clube em torno de um país. É ver os cachecóis e as bandeiras todas no ar, exibindo todo o orgulho nacional. É ver todo um país a saltar e a sorrir quando marcamos um golo. É explodir de entusiasmo com as vitórias. É como se naquele momento nada mais importasse. É por isso que me faz alguma confusão ler análises e comentários defendendo acerrimamente um clube e proclamar com orgulho a indiferença pela seleção.

 

A seleção, mais que outra coisa qualquer, faz vibrar o coração dos portugueses dentro e fora de Portugal. É a única coisa com a qual estamos todos estamos em sintonia. Neste período de Campeonato da Europa, o Brexit, as sanções europeias a Portugal ou a CGD passam para segundo plano.

 

Fernando Santos garantiu este sábado em Marcoussis ter as suas prioridades perfeitamente definidas para este Campeonato da Europa, assumindo que prefere ganhar, mesmo jogando mal em detrimento da estética - «Não me importo nada de ser patinho feio ou calimero. Interessa-me é ir à final e vencê-la. Se gostava de ser bonito? Gostava. Mas entre ser bonito e estar em casa e feio e estar aqui... prefiro ser feio. É natural que a equipa de Gales e a Islândia que estejam a ser consideradas as 'equipas bonitas' ou os nomes que lhes queiram dar, porque ninguém esperava que chegassem até aqui», afirmou em conferência de imprensa.

 

O técnico português é extremamente pragmático. Garante não estar nada preocupado nem afetado com o facto de alguma imprensa criticar a forma como Portugal chegou ao top 4 da competição. «Incomodado sentia-me se tivesse em casa e dissessem que Portugal estava em casa e deveria estar aqui. Traçámos uma meta, temos um objetivo e temos de lutar por ele. Isso a mim e aos jogadores não incomoda nada. Estamos aqui para perseguir o nosso objetivo. Isso pode não ser é muito agradável para os outros».

 

Por mais incrível que pareça a estratégia de Fernando Santos, denotando ambição desmedida com tão fracos argumentos técnico-táticos, a verdade é que até os próprios jogadores já acreditam que podem ser bem-sucedidos jogando desta forma.

 

Muitos de nós têm criticado as suas escolhas para os jogos, mas certo é que até agora a sua estratégia tem funcionado. Nunca ganhou um jogo no tempo regulamentar? E depois? Que importa isso se já chegamos às meias-finais?

 

Não querendo cantar vitória e admitindo mesmo que o País de Gales tem feito um bom campeonato, com dez golos marcados, certo é que não é nada habitual apanharmos com adversários deste nível numa fase tão adiantada da competição. Nada está garantido, como é evidente, mas temos aqui uma oportunidade história para chegarmos à final e para isso só nos falta dois empates!

 

Força Portugal!