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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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27
Fev16

Os cartazes polémicos do Bloco de Esqueda

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O Bloco de Esquerda pretende lançar uma campanha com a finalidade de assinalar a discriminação que existia com a adoção de casais homossexuais e que fez com que esta lei só fosse aprovada no passado dia 10 de fevereiro.

Para o efeito, o BE pretende colocar vários cartazes pelo país semelhantes ao da imagem supra. Mas, nas redes sociais a polémica já está instalada há dois ou três dias.

O Bloco de Esquerda dá a seguinte explicação para a escolha do cartaz: «A ideia do cartaz com a imagem de Jesus Cristo não pretende ofender nem a Igreja nem a religião, garante a deputada do BE Sandra Cunha. É apenas, diz, uma forma de “mostrar às pessoas” que “sempre existiram famílias diferentes” e que essa não é uma realidade “nova nem recente”. Os dois pais a que se refere o cartaz são, especifica a deputada, “o pai espiritual e o pai terreno” de Jesus Cristo. Sandra Cunha sabe que “provavelmente” o cartaz vai gerar polémica, mas considera-a “bem-vinda”, porque faz com que as pessoas discutam o tema, defende» (Público, 26/02).

É um argumento que vale o que vale. Mas, certo é que nem no seio do BE os cartazes obtiveram consenso. Por exemplo, no Facebook, Marisa Matias, a ex-candidata presidencial apoiada pelo Bloco de Esquerda assumiu que o cartaz em causa «saiu ao lado da intenção que se pretendia. Que foi um erro».

Na verdade, promover uma discussão através de um ataque soez ao nível dos valores e às convicções religiosas de muitos portugueses era escusado, até porque os temas que se prendem com a religião, sempre foram entendidos, ainda que tacitamente, que deviam estar à margem do debate político. Por outro lado, também não se entende a oportunidade escolhida de uma campanha (que obviamente tem os seus custos) para promover algo que já foi conseguido.

Por tudo isto esta campanha que mexe com as crenças religiosas é de muito mau gosto e portanto completamente dispensável, porque se trata de uma afronta totalmente gratuita e desnecessária.