Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

16
Out15

Os cenários possíveis para a formação do próximo governo

18913925_ZkHbZ.jpg

Sem conclusões à vista, são várias as soluções que poderão resultar das negociações em curso entre os líderes dos principais partidos com representação parlamentar. Há muitos cenários em cima da mesa e uma dúvida que só Cavaco Silva poderá desfazer: o próximo primeiro-ministro vai ser Pedro Passos Coelho ou António Costa? Coloco aqui alguns:

1) Os socialistas aceitam estabelecer um apoio parlamentar com a coligação

Seria a opção preferida do Presidente. Muito embora António Costa não tenha excluído completamente essa hipótese, já afastou a ideia de um Bloco Central. Mas Costa poderá viabilizar o Orçamento, por exemplo, ainda que depois não dê garantias de facilitar a vida a Passos durante os quatro anos da legislatura.

2) A coligação PSD/CDS não consegue o apoio do PS

Cavaco Silva poderá pedir ao líder da coligação ou seja do partido mais votado para formar governo. Todavia, neste caso, a instabilidade será uma constante e o governo poderá cair a qualquer momento.

3) O PS forma uma maioria no Parlamento com PCP e Bloco de Esquerda

Nas democracias parlamentares, se o partido mais representado não conseguir formar governo ou este for rejeitado, cabe ao segundo maior partido tentá-lo. Cavaco Silva poderá optar por dar posse a um executivo maioritário, ainda que não seja constituído pela força política mais votada. Poderá, no entanto, exigir compromissos escritos aos partidos envolvidos para que estes se mantenham dentro das linhas vermelhas por ele traçadas. E os partidos da direita não poderão apresentar uma moção de rejeição? Poder, podem, só que não se vislumbra a sua utilidade, porque em caso algum eles terão uma maioria no Parlamento para aprovar tal moção, nem para depois constituir um governo alternativo.

4) Se nenhuma das forças políticas se entender

Caso o PS não consiga entendimentos nem à direita nem à esquerda, neste caso o Presidente da República deverá privilegiar o partido que teve mais votos e tem mais mandatos no Parlamento - a coligação - ainda que isso se traduza numa grande instabilidade política. Acontece que Cavaco tem uma ampla margem decisória, dado que somente está vinculado a ter em conta os resultados eleitorais e pode ser tentado a enveredar por uma solução diferente, que fomente uma aparente maior estabilidade política e neste perspetiva poderá deixar o atual governo em gestão até abril e adiar a solução para o futuro Presidente da República.

Mas será que a situação dos pais permite estar sem governo pleno durante alguns meses?  A democracia é assim mesmo, como constatamos em muitas outras experiências na Europa e não só. Winston Churchil tinha razão, quando afirmava que «a democracia é o pior dos sistemas, com exceção de todos os outros».