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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

15.07.15

Ou nós ou o caos...

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Ontem pela entrevista de Passos Coelho na SIC percebemos qual vai ser a tónica da próxima campanha eleitoral.

O atual primeiro-ministro apresentou a seguinte narrativa: o governo anterior deixou o país de rastos o que implicou recorrer a ajuda internacional com um programa de ajustamento duro em foi forçado a ir além do memorando porque «as contas estavam mal feitas». E acrescentou: «E não fui eu que as fiz». Nós optamos por seguir esse memorando, mas salvamos o país. É certo que aplicamos um enorme aumento de impostos. É evidente que cortamos salários e pensões. É claro que destruímos postos de trabalho e geramos desemprego. Comprova-se que voltámos a ser um país de emigração. Empobrecemos. Mas cumprimos a penitência e agora estamos aí para as curvas. Por isso, a austeridade tem de continuar. Só nós garantiremos a recuperação. Se não votarem na nossa continuidade voltará o caos.

A Grécia – que ocupou grande parte da entrevista – acabou por ser um dos principais argumentos para convencer os eleitores de que o caminho da maioria é o mais correto, com o primeiro-ministro a não perder a oportunidade de dizer que se as medidas não tivessem sido aplicadas, como foram, «estaríamos hoje como está a Grécia e troika ainda estava cá».

Houve um tempo que o primeiro-ministro proclamava alto e bom som «que se lixem as eleições, o que interessa é Portugal». Agora, as eleições são importantes e com maioria absoluta para garantir estabilidade e esta entrevista não foi mais do que um momento privilegiado de campanha eleitoral. 

As respostas que Passos Coelho deu às perguntas de Clara de Sousa são verdadeiras ou falsas? Confira aqui no Jornal de Negócios.