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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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13
Dez15

Passos e Portas apoiam Marcelo

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O PSD e o CDS-PP recomendaram aos seus eleitores o voto na candidatura de Marcelo Rebelo de Sousa nas eleições presidenciais.

No Conselho Nacional do PSD, Passos Coelho apelou a que os eleitores e militantes votem em Marcelo Rebelo de Sousa, que deve ser, segundo o líder do PSD, «mais árbitro do que jogador» em Belém, dando como exemplo o mandato «apartidário» de Cavaco Silva (certamente Marcelo dispensaria bem esta comparação, não apenas porque é a antítese de Cavaco, mas também porque o atual presidente apresenta os menores índices de popularidade de sempre, na história da democracia portuguesa).

Para trás fica o perfil traçado por Passos que excluía a hipótese de o PSD vir a apoiar um candidato a Belém que fosse um «cata-vento de opiniões erráticas», que buscasse a «popularidade fácil» e que se quisesse afirmar como «mais um protagonista político na disputa geral». Uma descrição que cabia como uma luva a Marcelo Rebelo de Sousa – e que o próprio, de resto, acusou o toque no espaço de comentário na TVI e, na altura, até afastou a hipótese de avançar para a corrida presidencial.

Agora Passos Coelho entende que Marcelo é o melhor candidato para representar os valores do PSD nas próximas eleições pela «sua larga experiência política», pelo «seu conhecimento, académico e profissional da Constituição», pela «sua defesa da economia social de mercado e empenhamento numa visão personalista da sociedade» e pela «especial importância que sempre conferiu à lusofonia e ao universalismo de Portugal»

Paulo Portas, por seu lado, elogia a independência de Marcelo e o «cuidado de ser abrangente e caloroso com os portugueses como um todo». Longe vão os tempos da famosa cena da vichyssiose: quanto Portas ainda era diretor do jornal Independente, em 1993, quando publicou uma notícia sobre uma célebre reunião do PSD, em que Marcelo lhe tinha garantido ter estado presente, tendo inclusive relatado tudo com o devido pormenor, até a própria ementa que incluía uma vichyssoise (sopa fria) servida durante o jantar. Afinal, soube-se mais tarde que tudo não tinha passado de uma efabulação do agora candidato presidencial.

Agora vemos o mesmo Paulo Portas a apoiar a candidatura de Rebelo de Sousa à Presidência da República. Bom, vindo de Portas já nada espanta, todos temos ainda bem presente a crise do «irrevogável». Portas justificou a sua decisão com o facto de existirem muitos socialistas no poder: o Presidente da Assembleia da República é socialista, o Primeiro-Ministro é socialista, o Governo é socialista, o Presidente da Câmara de Lisboa é socialista. Disse ainda que Marcelo é o único candidato independente e que, por esse motivo, é o candidato ideal a vencer as eleições.

Mas, o que significa neste contexto ser «independente»? Em teoria, todos os candidatos são independentes, já que nenhum se está a candidatar em representação de um partido. Contudo, poucos serão os candidatos sem filiação partidária e Marcelo não é seguramente um deles, como se sabe é militante do PSD. Acresce que as candidaturas presidenciais partem sempre de um impulso dos candidatos, mas elas dependem e muito das máquinas partidárias para se elegerem. No entanto, há que recordar que a maior máquina partidária neste país é a comunicação social e, essa, Marcelo domina como nenhum outro.

Passos e Portas, como bem sabemos, não gostam de Marcelo. Viram-se no entanto obrigados a apoiá-lo porque lhes faltou outra opção e contam com a dinâmica de vitória que a candidatura do ex-presidente vem demonstrando para poderem contabilizar este troféu, caso o professor venha a ser o próximo Presidente da República.