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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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31.08.15

Paulo Rangel e a partidarização da justiça

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Na Universidade de verão do PSD, o eurodeputado social-democrata Paulo Rangel enalteceu o «ataque sério e consistente» que tem sido feito nos últimos quatro anos, ou seja nos governos do PSD-CDS, à «corrupção» e «promiscuidade» e questionou os presentes naquele fórum se acreditavam que se «os socialistas estivessem no poder haveria um primeiro-ministro sob investigação» ou «o maior banqueiro estaria sob investigação».

Reagindo de imediato às palavras de Rangel, o Partido Socialista, através de Francisco Assis, veio acusar o eurodeputado de estar a fazer «uma tentativa clara de partidarização da justiça», exigindo ao líder do PSD, Pedro Passos Coelho, um esclarecimento no sentido de dizer claramente se se reconhece nas declarações de Paulo Rangel.

Igualmente, a presidente da ASJP, Maria José Costeira, considerou as declarações de Paulo Rangel «infelizes», o facto de o país estar num período de campanha eleitoral não «vale tudo» e na opinião desta magistrada «era bom que os nossos políticos percebessem que a justiça é importante demais para ser politizada e ser objeto de campanhas eleitorais. 

Era previsível que o PSD trouxesse à colação a situação de José Sócrates em campanha eleitoral. Estas declarações de Rangel são tão mais acintosas porquanto o mesmo foi secretário de estado da Justiça e sabe perfeitamente como funciona o sistema de justiça. Que é absolutamente independente do poder executivo, ao abrigo do princípio da separação de poderes e como tal impõe-se que a Procuradora-Geral da República esclareça cabalmente se recebeu ou não alguma instrução do Governo para investigar os casos em apreço (Sócrates e Ricardo Salgado). É que desta feita poderá pairar a dúvida: por que os cavalheiros que constam da imagem supra não estão em prisão preventina?