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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

18.07.15

Por acaso a ideia não foi de Passos Coelho|

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«Devo dizer até que curiosamente a solução que acabou por desbloquear o último problema que estava em aberto que era justamente a solução quanto à utilização do fundo [de privatizações] partiu de uma ideia que eu próprio sugeri. Quer dizer que, por acaso,  até tivemos uma intervenção que ajudou a desbloquear o problema». Esta frase foi proferida por Pedro Passos Coelho em conferência de imprensa, no rescaldo do acordo europeu com a Grécia, vangloriando-se de ser o autor da ideia de direcionar parte do dinheiro do fundo das privatizações. A frase foi comentada à exaustão nas redes sociais e começou a fazer parte do anedotário nacional.

No entanto, azar dos Távoras, o presidente do Conselho Europeu contou agora uma outra versão dos acontecimentos. Donald Tusk, relatou com grande detalhe as últimas horas das negociações em Bruxelas antes do acordo. Em nenhum momento, Tusk mencionou o nome de Passos Coelho como tendo tido um papel fundamental para desbloquear o impasse criado à volta do fundo de privatizações.

O presidente do Conselho Europeu relatou o momento em que se encontrava reunido com Angela Merkel, François Hollande e Alexis Tsipras, afirmando que o fundo das privatizações era, sem dúvida, muito incomodativo para o presidente grego.

A dada altura Tusk terá alegadamente recebido uma mensagem sms do primeiro-ministro holandês, Mark Rutte, que sugeria justamente que 12,5 mil milhões de euros do fundo pudessem ser usados para reembolsar a dívida e o remanescente aplicado em investimentos. Donald Tusk indica que nessa altura ninguém ficou particularmente impressionado, mas o certo é que a partir desse momento a solução estava em cima da mesa.

Tais declarações contradizem com a afirmação do primeiro-ministro português, que, esta segunda-feira, disse aos jornalistas que o uso do fundo de privatizações para a recapitalização da banca tinha sido ideia sua.

Moral da História: «a mentira tem pena curta». Nada que nos espante vindo de quem vem.