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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

15.06.16

Portugal 1 - 1 Islândia

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Depois dos 7-0 à Estónia e das expectativas criadas à volta da seleção, o empate de ontem foi uma desilusão. Nada está perdido, mas o empate frente à modesta seleção da Islândia, não sendo dramático, é preocupante. Não tanto pelo resultado, mas sobretudo pela exibição.

 

Faltou-nos o pragmatismo e bom senso que os islandeses tiveram e de que souberam tirar partido, suprindo as suas debilidades. Passarmos o tempo todo a circular a bola, sem procurar o jogo interior e a cruzar vezes sem conta para uma área onde estavam 11 islandeses, exímios no jogo aéreo, não foi de todo uma grande ideia!

 

Jogo positivo de Ricardo Carvalho, Raphael Guerreiro, Nani e Rui Patrício.

 

O meio campo de luxo, a tal boa dor de cabeça para Fernando Santos, não funcionou. Danilo esteve desconcentrado e mal no jogo aéreo (contudo o selecionar manteve-o até final). João Moutinho confirmou o mau momento de forma (não se percebe porque é ele o escolhido para marcar cantos e livres). João Mário não jogando na sua posição natural, esteve uma sombra daquilo a que habitualmente faz no Sporting (foi retirado do jogo por Fernando Santos numa altura em que começava a mostrar bom entrosamento com Raphael Guerreiro). André Gomes foi talvez o mais esclarecido do quarteto do meio campo, com alguns apontamentos interessantes. Cristiano Ronaldo ontem também não esteve nos seus melhores dias e não aproveitou as boas oportunidades de que dispôs. Vieirinha muito mal nos cruzamentos e com responsabilidade no golo, por descoordenação com Pepe.

 

As substituições não trouxeram grandes melhorias, até porque, como é óbvio, a seleção não joga melhor por trocar um médio por outro médio! A seleção jogará mais e melhor quando existir outro sistema de jogo, quando João Mário jogar como médio interior direito, quando Ronaldo for extremo esquerdo, quando Nani ou Quarema forem extremos direitos e quanto tivermos em campo um avançado, Éder, a dar luta aos centrais adversários e a abrir espaços para a entrada de quem vem de trás! 

 

O que não faz sentido é jogar sem ponta de lança com equipas fechadas em que tenhamos de assumir o jogo e atacar durante 90 minutos, e não resulta colocar extremos a jogar como avançados que descaem permanentemente para as alas para depois centrarem para o vazio. Ronaldo precisa de uma referência na frente. É assim que rende mais!

 

Pode ser que o Fernando Santos faça como Scolari no Euro 2004: aprenda com os erros do primeiro jogo e mude a estratégia...