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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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06
Jun15

Sobre a contratação de Jorge Jesus

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Bruno de Carvalho, presidente do Sporting, anunciou ontem a contratação de Jorge Jesus (JJ) como treinador dos leões, para as próximas três temporadas. JJ chega ao Sporting após seis épocas no Benfica, ao serviço do qual venceu 10 títulos, entre os quais campeonatos, substituindo Marco Silva.

A saída de Jesus do Benfica explica-se, provavelmente, de um modo bem mais simples do que à primeira vista parece: Luís Filipe Vieira está convicto de que a estrutura benfiquista chegou a um patamar que lhe permite caminhar sem JJ, pelo que, um nome como Rui Vitória encaixa perfeitamente no novo paradigma que pretende estabelecer, permitindo-lhe reduzir custos e manter toda a estrutura a funcionar.

Mas, Filipe Vieira arquitetou este esquema na expectativa que JJ fosse treinar um clube internacional. Só que JJ não esteve para aí virado e não tendo uma proposta de um clube do topo europeu que lhe agradasse, e tendo os idiomas como handicap, optou por permanecer em Portugal. E por cá são óbvias as alternativas para um profissional com o seu estatuto.

O Sporting chegou-se á frente e, além da atrativa proposta financeira, deu-lhe precisamente aquilo de que ele necessitava – o técnico vai comandar toda a estrutura do futebol do SCP – terá a garantia de que alguns jogadores fundamentais dos leões se manterão em Alvalade e ainda a promessa de contratações para reforçar a equipa em determinadas posições.

A partir daqui sobra uma série de dúvidas que o tempo se encarregará de clarificar. Sendo certo que Bruno de Carvalho, ao apostar em Jesus, mitigou alguma reação mais generalizada à dispensa de Marco Silva (acabado de conquistar o primeiro troféu leonino em sete anos), falta-lhe explicar o que motivou esta súbita mudança de paradigma, após dois anos de contenção de custos, redução de tetos salariais e aposta prioritária na formação, surge uma política expansionista que com o novo treinador, cujo conceito é sobejamente conhecido naturalmente implicará. De resto, se o dinheiro para pagar a Jesus não é proveniente das origens referidas na comunicação social, seria talvez interessante perceber-se de onde vem. A menos que o Sporting, surpreendentemente, tenha descoberto petróleo em Alvalade ou verbas disponíveis que não se imaginavam.

No plano desportivo, tenho que reconhecer o golpe de génio de Bruno de Carvalho. O Presidente do SCP sabia do apreço que a massa associativa e os adeptos tinham por Marco Silva. Por isso foi buscar JJ, já que seria o único treinador capaz de acalmar os ânimos em Alvalade. E Jorge Jesus, com todos os seus defeitos e imperfeições, é um bom treinador. JJ percebe de futebol. Sabe escolher e descobrir jogadores. Sabe desenvolver as suas potencialidades. Sabe colocar uma equipa a jogar futebol com qualidade. Mas atenção! Face ao esforço financeiro que está a ser feito, Bruno de Carvalho não exigirá a JJ nada menos do que ganhar o Campeonato Nacional de Futebol. Veremos como irá funcionar a coabitação ente presidente e treinador, ambos com temperamentos explosivos, quando as coisas não correrem como o previsto.

Mas, a circunstância de JJ ir treinar o SCP deixa os adeptos com uma esperança renascida. O facto de ser sportinguista também terá pesado na sua decisão. Numa fase em que, pela sua idade, a sua carreira caminha inevitavelmente para o fim, fará todo o sentido treinar o clube do seu coração…e, nessa medida, a mudança de JJ para Alvalade deveria ser vista como um ato de coragem da sua parte e da parte do Presidente do Sporting. Mas, não pode valer tudo.

Os comportamentos, eticamente, foram reprováveis: um clube que «empurra» um treinador para o estrangeiro para se livrar dele; um treinador que aceita ligar-se a um clube que tem ainda um treinador em funções e um outro clube que invoca «justa causa» para despedir um técnico ganhador, alegando motivos caricatos, são factos censuráveis e que deixam quase toda a gente mal na fotografia.

Dito tudo isto, espero que Jesus tenha muito sucesso no Sporting e por muitos anos. Alvalade não pode ser um cemitério de treinadores!

Se esta contratação terá sido um bom negócio para o Sporting? Só mesmo o tempo o dirá…

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