Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

09
Fev17

Sobre a «espanholização» da banca

noticia_00086172-580x326.png

 

 

O grupo financeiro espanhol CaixaBank passou a deter 84,5% dos direitos de voto do banco BPI na sequência da Oferta Pública de Aquisição (OPA) lançada sobre o banco português.

 

O anúncio foi conhecido ontem, em comunicado, pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Pouco tempo depois também foi tornada pública a saída de Fernando Ulrich da presidência executiva do BPI, ao fim de 13 anos no cargo.

 

Fernando Ulrich vai assumir as funções de presidente do conselho de administração, que até agora eram desempenhadas por Artur Santos Silva. O substituto de Ulrich já está escolhido. Será o espanhol Pablo Forero, que desempenhava desde 2009 o cargo de diretor-geral do CaixaBank.

 

A espanholização de um setor vital para o país como a banca está em marcha. Senão vejamos: Santander, Banif, BPI, Banco Popular e Bankinter maioritariamente espanhóis. BCP, com angolanos da Sonangol, mas com espanhóis à espreita. Sobra a Caixa Geral de Depósitos, banco do Estado, à beira de uma recapitalização e de um Montepio a consumir cada vez mais capital por causa das sucessivas imparidades decorrentes de erros acumulados.

 

Verifica-se um peso enorme do poder espanhol na banca que corre o risco de se tornar excessivo. É uma situação preocupante porque choca com a autonomia de decisão e a confiança dos investidores. De facto, como os grandes bancos ibéricos com sede em Espanha há uma ameaça séria de que o centro de decisão do sistema financeiro português fique em Madrid e que os interesses portugueses não sejam salvaguardados.

 

Penso contudo que o problema do sistema financeiro português não é um problema de nacionalidade. Os bancos são de capital espanhol e angolano, a EDP é chinesa, a Tap também só tem uma parte de capitais portugueses e os recursos naturais são de quem pagar mais.

 

Hoje, quem controla a dívida exerce o poder. Por isso somos reféns do BCE e de Bruxelas. E também não é seguro que os interesses defendidos por essas instituições correspondam exatamente aos interesses portugueses. Mas é uma inevitabilidade.É a vida como diria alguém...