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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

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21
Fev15

Sobre o acordo entre a Grécia e o Eurogrupo

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O Eurogrupo e a Grécia chegaram ontem a um acordo para prorrogar a ajuda financeira a Atenas, após negociação que envolveu ministros das Finanças europeus e o Fundo Monetário Internacional.

O programa de resgate para o pagamento da dívida grega foi prorrogado por mais quatro meses, evitando assim um default que poderia afastar o país da zona euro.

O Executivo grego compromete-se a não tomar nenhuma decisão unilateral, como por exemplo a subida do salário mínimo e  até segunda-feira tem que elaborar uma proposta que contenha as medidas que pretende levar a cabo. Este é um dado importante: o governo grego ter a responsabilidade de apresentar medidas que são a contrapartida da assistência financeira temporária e dizer quais as reformas que pretende implementar para melhorar a situação do país em vez de ser as instituições europeias a impô-las.

O comunicado sugere que o Eurogrupo fez cedências mínimas às pretensões do governo grego. Entretanto Varoufakis desvalorizou as cedências e enalteceu o tempo conquistado para chegar a um novo acordo a prazo com a Europa. Valorizou, igualmente, o trabalho com os parceiros europeus e instituições e comprometeu-se a não tomar quaisquer medidas que tenham impacto nas contas públicas ou na economia. A avaliação será feita pela troika, agora apelidada de «instituições» que confirma o compromisso grego de «honrar inteiramente e a tempo as obrigações financeiras para com todos os credores».

Uma coisa é certa: a Grécia vai ter mais dinheiro, como queria, mas vai ter de aceitar algumas contrapartidas (leia-se: austeridade) que não queria. Mas a possibilidade de até ao final do mês a Grécia ficar sem dinheiro para pagar aos credores e o cenário de uma saída da Grécia da zona euro, mesmo que monitorizada, estarem afastados são sinais positivos.

Sabemos que este acordo nos termos em que foi delineado não vai resolver os problemas da Grécia, longe disso, prevê apenas a extensão do programa de resgate por quatro meses.

Quer a Grécia, quer o Eurogrupo estão a tentar ganhar algum tempo para tentar chegar a um acordo de financiamento a médio e longo prazo. O acordo conseguido ontem é um primeiro passo nesse sentido.

Foi o ponto de chegada de um trajeto político que começou conturbado com as partes distanciadas (diz-se que Portugal e Espanha foram os que mais dificultaram o acordo), mas pode culminar com elas mais próximas e com os respetivos interesses mais acautelados.

Se assim for, e isto significar o regresso do debate político entre os 18 países já será uma vitória relevante.