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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

13.05.15

Sobre o Novo Acordo Ortográfico

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O Acordo Ortográfico (AO) passa a ser obrigatório em Portugal a partir hoje, altura em que termina o período de seis anos de transição, após a sua entrada em vigor, a 13 de Maio de 2009.

Recorde-se que esta convenção internacional - cujo objetivo passa por reforçar o papel da língua portuguesa como idioma de comunicação internacional e de uma maior uniformização ortográfica entre os países da CPLP - foi aprovada em Portugal por resolução da Assembleia da República, em 2008.

As normas AO aplicam-se em todos os serviços, organismos e entidades tuteladas pelo Estado, bem como no Diário da República e em todo o sistema de ensino. Todavia, apesar desta obrigatoriedade, não estão previstas sanções jurídicas diretas em caso de não cumprimento.

Várias vozes se levantaram contra o AO ao longo dos últimos anos, tendo surgido várias iniciativas em defesa da sua suspensão. Os argumentos são diversos: uns porque não gostam desta nova ortografia, outros porque aprenderam de acordo com a antiga, outros porque já são demasiado velhos para mudar a forma como escrevem ou ainda porque querem preservar a identidade cultural da língua portuguesa.

Eu compreendo esta resistência até um certo ponto. É natural que algumas opções não sejam consensuais, até porque nenhum sistema ortográfico é perfeito e este naturalmente não foge à regra. No início, eu própria, estava um pouco cética, mas fui progressivamente habituando-me à nova ortografia e agora já não consigo escrever de outro modo.

Ao longo dos tempos têm existido mudanças ortográficas na língua portuguesa e bem, porque as línguas são vivas e dinâmicas. A língua é sobretudo o que se fala e como se fala, e por isso vão-se modificando alguns vocábulos.

Fala-se que do novo AO resulta uma perda de identidade cultural da língua portuguesa. Ora, por essa ordem de ideias, ainda se deveria escrever segundo a grafia dos tempos de Almeida Garrett, Eça de Queiroz, ou mesmo de Camões.  Penso que atualmente ninguém escreverá pharmácia em vez de farmácia, pois não?

Há sempre opiniões fundamentalistas, adeptas de um imobilismo cego e dogmático, resistente a toda e qualquer mudança e a recusa em adotar este novo AO parece-me mais resultante de um patriotismo serôdio ou até de uma certa preguiça mental na aprendizagem das novas regras do que fundamentada noutro tipo de razões mais prosaicas.