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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

16.11.17

Algo parece estar a mudar em Angola

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Há 50 dias na Presidência, João Lourenço exonerou Isabel dos Santos e retirou a gestão da televisão pública aos filhos de José Eduardo dos Santos.

 

o presidente angolano exonerou, ainda, as administrações do Banco Nacional de Angola e de empresas estatais nomeadas pelo anterior chefe de Estado. Igualmente surpreendente foi a exoneração de Carlos Sumbula do cargo de presidente do Conselho de Administração da Empresa Nacional de Diamantes de Angola (Endiama), a segunda maior empresa nacional que já este ano tinha sido reconduzido nas funções por José Eduardo dos Santos.

 

Recorde-se que João Lourenço foi eleito o terceiro chefe de Estado angolano em agosto, nas eleições gerais que o MPLA voltou a vencer, sucedendo a 38 anos de liderança de José Eduardo dos Santos que, no entanto, permanece como presidente do partido que lidera Angola desde 1975.

 

Algo parece estar a mudar em Angola. Esperemos que não seja só de boys.

27.09.17

'Ti Celito'

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Marcelo Rebelo de Sousa foi a Luanda para assistir à posse do novo chefe de Estado angolano, João Loureço. Como já vem sendo habitual o Presidente da República tirou inúmeras selfies nos passeios que realizou por Luanda e mergulhou no Atlântico, acabado de chegar à capital angolana.

 

Mas se no meio do povo angolano ‘Ti Celito’ (nome por que é conhecido) foi recebido com abraços e afetos, a nível diplomático, apesar de Marcelo Rebelo de Sousa ter sido o único chefe de Estado europeu presente na ceromónia de investidura de João Lourenço, Portugal não figurou da lista de parceiros privilegiados por Angola, no discurso de tomada de posse do novo Presidente angolano.

 

O novo chefe de Estado, no seu primeiro discurso oficial, enumerou vários países que considera estratégicos para o governo angolano, como: «os Estados Unidos da América, República Popular da China, a Federação Russa, a República Federativa do Brasil, a índia, o Japão, a Alemanha, a Espanha, a Franca, a Itália, o Reino Unido, a Coreia do Sul e outros parceiros não menos importantes, desde que respeitem a nossa soberania», mas surpreendentemente, ou talvez não, não fez qualquer referência a Portugal, numa altura de tensão na relação entre os dois países, decorrente das investigações das autoridades portugueses a figuras do regime angolano.

 

Esta omissão a Portugal foi ainda mais notada, na medida em que Marcelo figurava como convidado de honra da cerimónia e de João Lourenço ter elencado o Reino Unido, a França, a Itália e Espanha como países europeus prioritários para as relações com Angola.

 

De sublinhar que a ida de Marcelo a Luanda tinha também por finalidade mitigar o clima de tensão entre os dois países, mas, tendo em conta a omissão de Portugal da lista de países com quem Angola quer contar para a sua estratégia governativa, a missão parece não ter corrido lá muito bem.

 

Marcelo, contudo, preferiu não comentar o discurso do seu homólogo angolano, afirmando que: «o fundamental é ter sentido, em todos os encontros, ontem e hoje, que o povo português é visto como um povo irmão e o Estado português é visto como um Estado irmão, relativamente ao povo e ao Estado angolano».

01.12.16

Palavra do Ano 2016

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Já é conhecida a lista das 10 palavras selecionadas para «Palavra do Ano 2016» que a Porto Editora divulgou hoje tanto em Portugal, como em Angola e Moçambique.

 

“Brexit”, “campeão”, “empoderamento”, “gerigonça”, “humanista”, “microcefalia”, “parentalidade”, “presidente”, “turismo” e “racismo” são as palavras postas a concurso até 31 de dezembro, a fim de  eleger-se a «palavra do ano».

 

Esta iniciativa realiza-se em Portugal desde 2009, esta é a 8ª edição e pode ser votada aqui. Em Angola e Moçambique, realiza-se pela primeira vez

 

As palavras eleitas nas edições anteriores foram “esmiuçar” (2009), “vuvuzela” (2010), “austeridade” (2011), “entroikado” (2012), “bombeiro” (2013), “corrupção” (2014) e “refugiado” (2015).

 

No ano passado, segundo a Porto Editora, registou-se uma participação superior a 20.000 votantes através da internet.

06.04.16

Faz hoje cinco anos que pedimos ajuda ao FMI

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Faz hoje precisamente cinco anos que Portugal pediu ao FMI e à União Europeia uma ajuda financeira de emergência, como contrapartida pelo empréstimo de 78 mil milhões de euros.

O pedido de ajuda ocorreu no dia 6 de Abril de 2011 depois de a oposição ter chumbado em bloco o PEC IV.

A situação económica e financeira internacional teve repercussões a nível nacional. Portugal viu as taxas de juro subirem de forma expressiva. Era necessário recorrer aos mecanismos de financiamento disponíveis no quadro europeu em termos adequados à atual situação política ou de medidas a nível europeu que pudessem alavancar a economia nacional. José Sócrates acordou um compromisso político com a chanceler alemã. Teríamos o apoio da Alemanha, no quadro europeu, para estancarmos a crise em Portugal. Era um programa preventivo à semelhança do que foi implementado em Espanha. Isto mesmo foi posteriormente confirmado por Teixeira dos Santos numa entrevista á TVI. O ex-ministro das Finanças acreditava que a «aprovação do PEC IV teria evitado o pedido de resgate».

Só que entretanto a direção do PSD, pela voz de Marco António, informou Passos Coelho de que das duas uma: ou haveria eleições no país, ou no PSD. Passos optou por sacrificar o país, com as consequências devastadoras que bem conhecemos.

Curiosamente, o FMI anunciou hoje que Angola solicitou um programa de assistência para os próximos três anos. Sabe-se que o país angolano enfrente há três anos uma forte crise financeira, económica e cambial decorrente da quebra com a quebra da cotação internacional no barril de crude, o que levou o governo angolano a aprovar logo em janeiro uma estratégia nacional para fazer face à crise petrolífera, já que o país é extremamente dependente do petróleo, que representa 95% das receitas de exportação do país.

Angola é também um dos principais mercados das exportações portuguesas e um dos maiores investidores em Portugal. Portugal é um dos países que mais impacto terá com a crise angolana, com reflexos diretos na economia nacional e na vida dos portugueses.

19.10.15

Liberdade para Luaty Beirão

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Luaty Beirão, de 33 anos, é um ativista e músico luso angolano. É um dos pioneiros do movimento antigovernamental apartidário angolano. Cedo saiu de Angola para estudar na Europa, primeiro em Inglaterra, onde fez engenharia eletrotécnica, e depois em França, onde estudou economia.

O pai foi o fundador e primeiro presidente da Fundação Eduardo dos Santos (FESA), entre outras funções públicas, sendo descrito por várias fontes como tendo sido sempre muito próximo de José Eduardo dos Santos. O rapper mobilizou o país, a partir de um espetáculo de música, para a primeira manifestação de março de 2011, que exigia a demissão do presidente angolano.

O luso-angolano (filho de João Beirão, nascido no Huambo e mãe de Luanda, filha de descendentes de aveirenses) faz parte de um grupo de 17 jovens - dois dos quais estão em liberdade provisória - acusados formalmente desde setembro passado de prepararem uma revolta e um atentado contra o Presidente angolano, sem que haja, ainda, uma decisão do tribunal de Luanda sobre a prorrogação da prisão preventiva. Na sequência desta decisão Luaty Beirão entrou em greve de fome, que mantém há 29 dias.

O ativista justifica a greve de fome, que encetou, por violação dos seus direitos constitucionais que considera estarem a ser desrespeitados, exigindo - como prevê a lei angolana para o crime em causa - aguardar julgamento em liberdade.

O músico está em risco de vida, tendo atingido um nível de debilidade física grave que obrigou já as autoridades angolanas a transferi-lo para um hospital prisão. Contudo, as autoridades angolanas negam a fragilidade da saúde de Luaty e rejeitam a ideia de que está em risco de vida, contrariando a versão da família do cantor.

Os pedidos para a libertação de Luaty sucedem-se e têm-se estendido ao exterior de Angola e povoado as redes sociais. No Facebook, há mesmo uma página que vai contabilizando os dias em greve de fome e relatando o seu estado de saúde.

Foi entretanto criada uma outra página para dar visibilidade ao caso e exigir a libertação de Luaty Beirão. Na página liberdade-ja vários músicos pedem a libertação imediata do ativista e dos presos políticos angolanos. Carlão, Legendary Tigerman, D'Alva, Pedro Abrunhosa, Capicua e Marcia são alguns desses cantores.

A Amnistia Internacional criou também uma petição, exigindo que que a integridade física dos detidos seja respeitada.

15.10.13

Fim da parceria estratégica entre Portugal e Angola

O Presidente angolano, José Eduardo dos Santos, anunciou hoje, em Luanda, o fim da parceria estratégica com Portugal, durante o discurso sobre o estado da Nação, na Assembleia Nacional de Angola.

Estava agendada em Luanda  uma cimeira  bilateral entre Portugal e Angola,  em fevereiro do próximo ano, anunciada pelo então ministro dos Negócios Estrangeiros português, Paulo Portas. Mas, de acordo com fontes governamentais angolanas contactadas pela  RTP em Luanda, esta cimeira deverá ser cancelada.

Este foi o resultado da manobra diplomática do ministro dos negócios estrangeiros, cuja inépcia política, relativamente ao país angolano já fez estragos. Aguarda-se as cenas dos próximos capítulos.

E agora, Sr. Primeiro-Ministro? Ainda acha que não há razões para demitir o ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros ou persiste na ideia que Machete utilizou uma «expressão menos feliz», em entrevista à Rádio Nacional de Angola, mas que o objetivo enquanto ministro dos Negócios Estrangeiros era transmitir «uma ideia de apaziguamento» entre os dois países? 

 

10.10.13

Angola e Rui Machete

«Passaram seis tristes dias e Rui Machete não se demitiu. Não pediu desculpa. Nem percebeu o mal que fez ao País, ao Governo e às relações entre Angola e Portugal. Mas Machete, inimputável e incompetente, é apenas um rolamento na roda de trás do rolo compressor que é o maior tabu da economia portuguesa: Angola.

Machete disse o que disse. Pediu desculpa a Angola por processos judiciais portugueses, questões menores de papelada, disse. Mas fez mais: envergonhou os portugueses. Não por ser em Angola - podia ser na América, na Alemanha ou em Marte. Por se acocorar.

Quando um ministro presta vassalagem, rebaixa o país. Portugal é já um país em que os governantes portugueses são mandados por governadores estrangeiros, estamos humilhados nas mãos dos credores, somos menosprezados pela zomba ou pelo paternalismo de quem olha de longe. O que esperamos ao menos é que os maiores de nós sejam os melhores por nós. Que resgatem a honra dos portugueses. "Não fazer nada é ser vencido", disse de Gaulle. Mas esse era general.

Rui Machete, contudo, apenas disse numa rádio o que muitos diplomatas terão dito em Angola: pedir desculpa. As notícias de investigações judiciais em Portugal a membros da elite angolana criaram um sarilho na frente diplomática. E é verdade que esse incómodo tem razões fundadas.

Angola foi o Plano A de milhares de empresas portuguesas durante a crise. Muitas deram-se bem. Mas houve problemas, nos negócios, mas também com pessoas. Há em Angola dezenas de milhares de portugueses sem visto. Ilegais. Não se sabe quantos. Dez mil? 50 mil? 100 mil? O suficiente para ser um assunto de Estado. É por isso que qualquer ministro dos Negócios Estrangeiros tem de ter tacto e ser competente.

A questão não é o preconceito, que existe em muitas cabeças retrógradas - de cá e de lá. A questão é outra e é concreta. Nos negócios em Portugal, o problema só existe quando não se sabe a origem do dinheiro, não há transparência no financiamento ou na gestão. A Sonangol fartou-se de investir no BCP e participa numa gestão que é melhor hoje do que foi no passado com accionistas portugueses. Isabel dos Santos é a maior investidora individual em Portugal dos últimos anos, lidera empresas cotadas e já não se pendura em financiamentos a offshores remotas.

Não reconhecer a importância do investimento angolano é cegueira. O Negócios já escreveu que Mosquito salvou a construtora Soares da Costa. Que a Sonangol entrou na salvação do BCP. Que Carlos Silva é um gestor profissional. Que Isabel dos Santos é a sexta Mais Poderosa do país - numa lista em que quatro dos 50 Mais Poderosos na economia portuguesa são angolanos. Não é reconhecimento, é conhecimento. O mesmo conhecimento que nos leva noutros casos a duvidar da identidade dos investidores, da origem do dinheiro, da intenção de testas de ferro - ou da proibição da entrada em Luanda de jornalistas não alinhados.

Infelizmente, a "expressão infeliz" do ministro dos Negócios Estrangeiros atiçou fogos em Angola e arrelvou os terrenos portugueses onde vários poderes assentam as catapultas para a sucessão de José Eduardo dos Santos. Rui Machete perdeu uma boa oportunidade para estar calado. Uma, não, duas: ouvindo o seu contorcionismo no Parlamento, apetece dizer-lhe o que Jon Stewart disse há dias à secretária de Estado americana, Kathleen Sebelius, que o enrolava sobre o programa Obamacare: "Eu pareço-lhe estúpido?"

P.S.: Na semana passada, um jornal angolano on-line chamado Maka&Mambo escreveu: "Pedro Santos Guerreiro (...) em tempos escreveu um editorial anti-Angola onde escrevia que 'no dia em que os angolanos comprassem a Cofina despedia-se'." É falso. Não escrevi um editorial anti-Angola nem a frase que entre aspas me é atribuída. Critiquei sim, pela opacidade em Portugal e linhas editoriais em Angola, a Newshold, empresa da família Madaleno

Uma das vantagens do meu trabalho é que todo ele está publicado. No editorial em questão, "O Canal do Panamá", de Dezembro de 2012, separei o trigo do joio, escrevendo que "não é Angola que dá mau nome à Newshold, é a Newshold que dá mau nome a Angola". E conclui que se esta empresa "um dia controlar a Cofina, o meu destino está traçado. Traçado por mim: obviamente, demito-me."

Lamento ter de voltar a este assunto. Não é uma bravata, é uma defesa da honra. Porque lamento ainda mais ser atacado em jornais sem ficha técnica, sem contactos, sem contraditório e sem assinatura nas notícias, que mentem e usam métodos de intimidação - comigo e com outros. Eu tenho a sorte de poder desmentir publicamente a insídia. Outros não.

Segundo o "Africa Monitor", o "site" Maka&Mambo pertence à família Madaleno. Eu não.».

(Pedro Santos Guerreiro, Jornal de Negócios,9 de outubro 2013 ) 

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