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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

22
Jul17

Henrique Neto sai do PS

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Leio que Henrique Neto, 81 anos, abandonou definitivamente o PS. Sinceramente pensei que o antigo candidato a Belém já se tinha desvinculado há mais tempo.

 

É que pelo menos de há 20 anos a esta parte não me lembro de nenhuma iniciativa ligada ao PS que Neto tenha apoiado. Sempre foi um dos socialistas mais críticos dentro do próprio partido.

 

O fundador da Ibermoldes, que entrou para o PS em 1993, pela mão de Jorge Sampaio, foi protagonista de algumas polémicas ao longo da sua carreira política, senão vejamos:

 

Henrique Neto opôs-se à atuação de António Guterres enquanto Primeiro-Ministro. Em 2001 chegou mesmo a apresentar uma moção com o título Portugal Primeiro, que acabou por não ser debatida em congresso por decisão do próprio António Guterres. O antigo candidato a Presidente da República definiu a liderança Guterres como sendo uma «liderança sem ideias, convicções ou respostas adequadas».

 

Também foi crítico em relação à liderança de Ferro Rodrigues e por duas vezes tentou interferir na liderança do atual presidente da Assembleia da República, quando este era líder parlamentar. Em 2003 pediu a demissão de Ferro Rodrigues acusando-o de se ter envolvido demais no escândalo Casa Pia. Começou nessa altura a dizer que o PS precisava «de uma limpeza» – frase que repetiu inúmeras vezes, em várias ocasiões.

 

As críticas a José Sócrates também não foram menores. O ex-deputado socialista afirmou que sempre tinha achado «que o PS entregue a um tipo como Sócrates só podia dar asneira». Mas não se ficou por aí: «não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um vendedor de automóveis. Mas ele é Primeiro-Ministro e está a dar cabo do meu país. Não é o único, mas é o mais importante de todos», declarou na altura em que Sócrates era primeiro-ministro. Aquando da prisão de José Sócrates, o histórico socialista não deixou de comentar a situação assegurando que «há anos que esperava que isso acontecesse. Os indícios eram mais que muitos».

 

Mas Henrique Neto também não foi propriamente um «menino de coro», dado que também se viu envolvido em algumas polémicas. Em 2007, no âmbito da Operação Furacão, que envolvia dezenas de figuras que teriam lesado o Estado em mais de 30 milhões de euros através de transferências bancárias para contas em paraísos fiscais, Henrique Neto foi constituído arguido mas não chegou a ser acusado, apesar de ter admitido receber «alguns montantes monetários, tendo-os utilizado, pelo menos em parte, em benefício próprio». Contudo, o empresário não chegou a ser acusado de fraude fiscal qualificada por entretanto ter regularizado a situação. Este processo tinha como juiz de instrução o juiz Carlos Alexandre.

 

De António Costa diz que «é um bom executante da política à portuguesa e um erro de 'casting' como estadista e primeiro-ministro» e responsabiliza-o pela morte de 64 pessoas inocentes em Pedrogão Grande. Na mesma linha, acusa também António Costa de falta de liderança, ao aceitar a opção pelo combate ao fogo, em detrimento da defesa dos cidadãos.

 

Por tudo isto, haveria alguém que pensasse que Henrique Neto estivesse ainda ligado ao PS? A sua saída do PS só peca por tardia. Há muito tempo que Henrique Neto não só não acreditava, como não se revia no PS, por isso se calhar devia ter abandonado o partido mais cedo ou porventura nunca ter aderido ao PS.

13
Jul17

«A crise é de António Costa ou de Passos Coelho?»

 

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«O Governo de António Costa teve o seu momento mais difícil nas últimas semanas com a tragédia de Pedrógão Grande, uma história caricata de roubo de material militar que podia ser contada por Raul Solnado e saída, depois de um ano desse tema esquecido, de três secretários de Estado por terem viajado a convite da Galp.

 

Nos dois primeiros temas, há ainda muito por explicar. Algo que comissões independentes, não saídas do Parlamento, deviam contribuir para clarificar. Quanto às demissões, e não pondo em causa a importância e méritos dos que saem, é uma questão moral e não criminal.

 

Se durante um ano o Governo teve inúmeras vitórias e resultados positivos numa conjugação astral que tudo empurrava para o bem, nestas últimas semanas parecia que era o Diabo, para o qual preconizava Passos Coelho a sua entrada em cena, que estava em acção. Mas o PSD ganhou alguma coisa com isso? Não.

 

António Costa em São Bento comandou sempre a agenda política, tornando penosa a vida dos sociais-democratas na oposição. Estes, assentaram arraiais em termos de oposição nas questões de finanças. Utilizando para o combate o próprio líder e Maria Luís Albuquerque que, juntamente com Vitor Gaspar, foram os principais rostos da austeridade e de uma enorme pressão fiscal imposta aos portugueses.

 

Isso revelou-se um erro. Delfim Netto, ex-ministro brasileiro, dizia que o órgão mais sensível do corpo humano é o bolso. E o que é certo e sem sofismas é que os portugueses têm a percepção que hoje estão menos amarrados a uma austeridade sem sentido e levam uma vida ligeiramente melhor. Essa é a maior bandeira de António Costa e Passos Coelho não pode combater esta percepção, e a percepção é muito mais importante que a realidade na acção política.

 

O que se passou nestes últimos dias fez-me lembrar um filme de Billy Wilder, “Ace in the Hole” (também conhecido por “Big Carnival”). Ali, Kirk Douglas é um jornalista à deriva, que tem a oportunidade da sua carreira quando um homem cai numa gruta. E em vez de apressar o seu salvamento concebe um plano de adiar o seu resgate para que as primeiras páginas dos jornais lhe dêem a fama que perseguia. Este mau momento do Governo foi a tábua de salvação de uma oposição que não sobe nas sondagens e da qual os portugueses estão cansados.

 

Sim, de repente a imprensa esqueceu-se que Rui Rio anda em périplo pelo País a arregimentar tropas, nas autárquicas as duas maiores cidades são um desastre anunciado e no interior do PSD foram visíveis o espanto e a crítica contra o novo líder parlamentar já escolhido. Se há fragilidade momentânea do Governo, há um estado comatoso do maior partido da oposição que está sem garra e sem causas. Parece triste, abúlico, na ânsia por renovação mas com medo de desafiar o líder.

 

No debate do Estado da Nação, Luís Montenegro atacou, dizendo que «o Estado está a colapsar». Mas se assim é, porque o PSD não cai no coração dos portugueses? É isso que na São Caetano não percebem. Porque não há antídoto visível contra os bons resultados económicos. António Costa está para durar, aprendam a lidar com ele.».

 

Texto de Rui Calafate, ECO

10
Jul17

Exoneração de três secretários de Estado

 

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Os secretários de Estado, Fernando Rocha Andrade (Assuntos Fiscais), Jorge Costa Oliveira (Internacionalização) e João Vasconcelos (Indústria) pediram ontem a exoneração de funções, uma vez que são suspeitos do «crime de recebimento indevido de vantagem».

 

Como é óbvio os secretários de Estado não deviam ter aceitado o convite da GALP para ir ver os dois jogos do Europeu de França no verão passado. Um membro do governo, que representa o Estado, não pode, nem deve aceitar convites de empresas que estão em litígio com o próprio Estado.

 

Quando se recebe um convite desta natureza deve previamente questionar-se a intenção de quem convida. Esta, para além das questões éticas subjacentes, é uma questão do mais elementar bom senso.

 

Os governantes certamente não avaliaram devidamente as consequências deste presente envenenado da Galp e entenderam que pagando o valor das viagens o caso estaria encerrado. Não estava.

 

A demissão afigurava-se uma inevitabilidade, como já aconteceu em muitos outros casos. Realmente não se entende por que é que só se consumou um ano depois.

 

A vida não está a correr nada bem a António Costa. Após a tragédia de Pedrogão e do assalto a Tancos, perde de uma penada, três secretários de Estado com peso dentro do governo: Rocha Andrade, um homem forte nas finanças e próximo de António Costa; João Vasconcelos, que se vem revelando uma pedra chave na área da inovação e do empreendedorismo e finalmente Jorge Costa Oliveira, com créditos firmados na internacionalização da economia. 

08
Jun17

António Costa debate com Gomes Ferreira

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A SIC anunciara uma entrevista de António Costa a José Gomes Ferreira, mas aquilo a que assistimos foi um debate entre o Primeiro Ministro e um jornalista que vestiu a pele de líder da oposição, sem qualquer pudor.

 

A coisa chegou ao ponto de Gomes Ferreira munir-se de gráficos para provar que o deficit começara a descer quando Passos era primeiro-ministro e que o sucesso atual da economia portuguesa é da sua responsabilidade, dizendo ao primeiro-ministro que ele não podia renegar a herança do anterior governo.

 

O primeiro-ministro, inteligente e arguto, já sabia sobejamente ao que ia e não se deixou arredar pelo jogo baixo do “entrevistador”. «Não renego nenhuma parte da herança. Mas seguimos uma política diferente. Como se chega é muito importante. O que distingue a esquerda da direita é saber como chegamos a menos défice, e conseguimos com bons resultados, devolvendo rendimentos às famílias e dando mais condições às empresas», disse Costa.

 

Com o notável fair play que o caracteriza, António Costa aguentou-se, estoicamente, com o entusiasmo argumentativo, por vezes acalorado, do seu “opositor”, cortando-lhe a palavra amiúde e não dando a possibilidade de Costa responder. A certa altura o primeiro-ministro reagiu: «eu não lhe quero estragar o amor que tem àqueles quatro anos [de governação PSD/CDS]».

 

O diretor adjunto da SIC esteve mal. Um entrevistador deve ser isento e deixar o entrevistado falar e exprimir as suas opiniões. Não é isso que Gomes Ferreira faz. O jornalista da SIC faz debates, não entrevistas, como se um candidato da oposição se tratasse e tivesse António Costa como adversário político. É o primeiro frente-a-frente com um primeiro-ministro que vejo, sem moderador.   

16
Mai17

Economia cresce 2,8% no 1º trimestre

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Portugal teve um crescimento do PIB de 2,8% nos primeiros três meses do ano. Segundo os dados do INE ontem revelados, há dez anos que o Produto Interno Bruto não crescia tanto num trimestre. Sem dúvida uma excelente notícia para Portugal e para os portugueses. O contributo do turismo nas exportações de bens e serviços mais elevado que as importações foi determinante assim como a aceleração do investimento.

 

Estes dados levaram vários especialistas a apontar para a hipótese de o País registar em 2017 um crescimento acima de 2%, valor superior às últimas previsões do Governo e do Banco de Portugal, que já tinham apontada para 1,8% o crescimento da economia.

 

O primeiro-ministro António Costa congratulou-se com este número e defendeu que o crescimento de 2,8% mostra que «a confiança dos portugueses não era infundada» e que a combinação de políticas «está adequada».

 

Já o Presidente da República manifestou-se «feliz» com os números divulgados pelo INE, mas pediu que «não se embandeire em arco» para que se consiga manter este valor ao longo do ano, para que Portugal possa crescer «claramente acima dos 2%».

 

O PSD e o CDS por seu turno regozijaram-se com o crescimento de 2,8 por cento da economia portuguesa, mas consideraram que se trata de uma recuperação que se deve às reformas realizadas pelo Governo anterior. Na perspetiva da Direita o tímido crescimento de 2016 foi obra do governo de Costa, mas o crescimento de 2,8 no primeiro trimestre de 2017 já foi graças às reformas implementadas no governo PSD/CDS?

 

Recapitulando: para a Direita tudo aquilo que acontecer de positivo na economia portuguesa será resultado do seu governo, aquilo que correr mal ou menos bem será sempre da responsabilidade da Geringonça, independentemente da cronologia dos factos. Estamos esclarecidos!

 

10
Mar17

Duelo Parlamentar

 

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Pedro Passos Coelho e António Costa voltaram a ter um momento de elevada crispação com troca de acusações duras, respaldados nos líderes dos respetivos grupos parlamentares. Os SMS, as offshores, os números do crescimento e a igualdade de género, o governador do BdP foram assuntos que dominaram o debate

 

Passos Coelho acusou o primeiro-ministro de querer «enlamear o anterior governo» no caso dos offshores quando sobre esta matéria, na opinião do próprio, «não existe nada que envolva responsabilidade política» do gabinete que dirigiu durante quatro anos. O ex-primeiro-ministro foi até mais longe e acusou Costa de lançar insinuações sobre o governo PSD/CDS, lamentando que este não tenha pedido desculpas por essa atitude.

 

A frase motivou gargalhadas do primeiro-ministro que classificou como «desfaçatez» de Passos Coelho, quando o facto foi admito pelo próprio Paulo Núncio, reclamando igualmente um pedido de desculpas.

 

Para António Costa, «ficou claro» que Passos «não está satisfeito por o país viver um bom clima de cooperação entre os órgãos de soberania» e de «paz social», e rejeitou que haja um clima de «crispação na Assembleia da República». «O que há é uma bancada ressabiada», concluiu.

 

O tom crispado resvalou às bancadas dos dois principais partidos. E a prova disso chegou do lado dos líderes dos dois maiores grupos parlamentares, Luís Montenegro, do PSD, e Carlos César, do PS, os quais não abdicaram de deitar achas na fogueira num debate já muito quente.

 

Entre repetidos pedidos de defesa da honra, Luís Montenegro, um esmero em matéria de educação, veio acusar Costa de ser «mal-educado com aqueles que no parlamento representam os portugueses».

 

Carlos César saiu em defesa de Costa e assegurou que o PS se sentia «ofendido quando se transforma a Assembleia da República num espaço de insulto e de intolerância e num espaço de guerrilha mediática».

 

O nome do governador do Banco de Portugal veio inevitavelmente à baila, em particular devido ao chamado caso BES. António Costa, adotou neste caso uma postura institucional na abordagem do tema, como se exige aliás no exercício das funções que ocupa, limitando-se a recordar que o governador foi nomeado pelo anterior executivo e que nessa ocasião criticou o que achou por bem, mas na qualidade de líder do PS. Hoje, assegurou, trabalha «de forma leal e construtiva com as instituições que existem e que estão em funções».

 

O bate boca entre Passos e Costa e dos seus apaniguados no último debate parlamentar foi pouco edificante. Recorde-se que este tipo de linguagem que se iniciou com Durão Barroso com o célebre «país de tanga» tem feito escola. Em vez de se discutir os problemas reais do país e esgrimirem-se argumentos políticos, trocam-se estes 'mimos' na arena parlamentar.

 

Não admira, pois, que os portugueses estejam cada vez mais divorciados da política e que engrossem os números da abstenção.

23
Jan17

Balanço de um ano de Marcelo como Presidente

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Marcelo Rebelo de Sousa deu ontem a sua primeira grande entrevista  enquanto Presidente da República, agora que decorre um ano do seu mandato.

 

Marcelo defendeu, sem rebuço, o acordo de concertação social, tendo assumido que deu um forte contributo para a sua concretização. Quanto à descida da TSU, que PCP, BE, Verdes e PSD preparam-se para chumbar no Parlamento, Marcelo mostrou-se favorável, porquanto seria dado um sinal positivo para a economia e para o crescimento.

 

Questionado sobre a devolução de rendimentos, Marcelo respondeu com os números favoráveis da economia. Sublinhou que o investimento, as exportações e a formação de poupança são essenciais. E diz que o país precisa de um maior crescimento, adiantando que o défice deve ficar nos 2,2% do PIB, abaixo do valor histórico anunciado na semana passada por António Costa.

 

Quanto ao Novo Banco, disse que não cabia ao PR expressar nenhuma preferência, cabe ao BdP e ao Governo traçar os caminhos possíveis e há vários no entender do Marcelo, que acabou por dizer que preferia uma solução privada, sem custos para os contribuintes.

 

O que a entrevista do Presidente da República mostrou foi um Marcelo otimista, alinhado com as políticas do governo, manifestando nas entrelinhas que neste momento os interesses de ambos são convergentes. Defendeu a estabilidade governativa até final da legislatura, bem como da da oposição.

 

Assim, a menos que surja algo imprevisível, o governo pode dormir descansado e contar com o respaldo do Presidente. Pelo menos nos próximos tempos, a popularidade e a capacidade política de António Costa dependerá da forma como conseguir adaptar a agenda do governo aos interesses do Presidente da República.

 

Finalmente dizer que não gostei da forma agressiva com que os entrevistadores, Ricardo Costa e Bernardo Ferrão, interpelaram Marcelo. Não havia necessidade de serem tão cáusticos, nem de interromperem a despropósito o raciocínio do entrevistado, já que se não se tratava de um candidato eleitoral ou de um primeiro-ministro, tratava-se tão somente de fazer um balanço de um ano de Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República.

18
Jan17

Um clássico!

  

Assunção Cristas, líder do CDS-PP, ontem, no debate quinzenal no parlamento, esqueceu por momentos o radicalismo amoroso e os valores cristãos, e num estilo trauliteiro e grosseiro acusou o primeiro-ministro de mentir sobre a assinatura do acordo de concertação social.

 

António Costa disse-lhe, e bem, que o acordo de concertação social estava assinado, porque o governo já o tinha feito e o documento estava a circular para recolha das restantes assinaturas. Provavelmente, a Sra. D. Assunção desconhecia essa informação e entrou a matar. Minutos depois desta gritaria, a UGT tornava público que já havia acordo.

 

Não está em causa o que disse, mas a forma como o fez e sobretudo o tom que utilizou para o fazer. Quando não se tem argumentos políticos para contrariar os resultados dos adversários, recorre-se à berraria para impressionar o interlocutor e a plateia. É um clássico.

 

10
Dez16

A coabitação entre Belém e São Bento

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As boas relações entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estão a deixar a direita aziada. Mesmo os portugueses estranham, porque não estavam habituados a verem o Presidente da República e o primeiro-ministro exibirem uma cumplicidade que vai além da relação institucional entre órgãos de soberania.

 

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa conhecem-se desde os tempos da faculdade: o primeiro-ministro foi aluno do atual presidente da República na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E nunca esconderam a simpatia que têm um pelo outro.

 

O PSD apoiou Marcelo à Presidência da República por ser um candidato ganhador, mas também na convicção de repor o poder que havia perdido com a solução governativa encontrada pelo Parlamento e liderada por Costa. Contudo, isso não aconteceu. Pelo contrário, Marcelo tem vindo a afastar-se de Passos Coelho e a aproximar-se cada vez mais de Costa.

 

O estado de graça que Marcelo usufrui junto dos portugueses favorece o governo de António Costa. Não apenas porque a omnipresença do Presidente ocupa o espaço mediático, mas também porque o facto de aparecerem muitas vezes juntos em vários eventos e visitas no estrangeiro, enfraquece as críticas da direita e irrita sobremaneira o PSD.

 

António Costa como político hábil que é, percebeu há muito, que esta prática protagonizada por Marcelo, de vestir a pele de comentador e falar sobre atualidade política, assim que um jornalista lhe põe um microfone à frente, que à primeira vista poderia ser intrusiva da ação governativa, poder-lhe-ia ser favorável, sendo uma mais-valia no clima de crispação política e contribui em muito para a solidez e estabilidade do governo.

 

Ao contrário, a gritaria dos partidos da direita e a inconsistência e incoerência do seu discurso, tem o efeito contrário, isto é, une ainda mais a esquerda ao Presidente.

 

Neste perspetiva, Marcelo tem sido o verdadeiro guarda-chuva de Costa, que tem tido no Presidente da República um parceiro estratégico importante para a saúde política do governo e da geringonça. A imagem das duas mais altas figuras de Estado debaixo do mesmo guarda-chuva, em Paris, no dia de Portugal é a metáfora simbólica desta coabitação quase perfeita, muito embora considere que quando Marcelo achar que é oportuno roer a corda ao governo, o fará sem o mínimo problema.

25
Nov16

PS muito perto da maioria absoluta

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Se as eleições legislativas fossem hoje, o PS somaria 43% de votos, o que coloca os socialistas no limiar da maioria absoluta. São resultados da sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1, JN e DN.

 

Os números revelam uma subida dos socialistas de nove pontos percentuais desde a última sondagem da Universidade Católica, em dezembro de 2015. Contrariamente, verifica-se neste estudo de opinião uma queda dos partidos suportados pelo anterior Governo.

 

António Costa também aparece nesta sondagem como o líder mais popular. Conseguindo obter uma nota de 12,3. O atual primeiro-ministro só é ultrapassado na avaliação dos portugueses por Marcelo Rebelo de Sousa.

 

O Presidente da República continua, de acordo com a sondagem, imbatível na popularidade, recolhendo uma avaliação de 16,3 (a avaliação mais elevada das sondagens da Católica desde que há registos).

 

Relativamente aos partidos da Direita, a principal conclusão deste estudo é que PSD e CDS foram claramente ultrapassados pelo PS, perdendo cinco pontos relativamente à última sondagem.