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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

08
Jun17

António Costa debate com Gomes Ferreira

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A SIC anunciara uma entrevista de António Costa a José Gomes Ferreira, mas aquilo a que assistimos foi um debate entre o Primeiro Ministro e um jornalista que vestiu a pele de líder da oposição, sem qualquer pudor.

 

A coisa chegou ao ponto de Gomes Ferreira munir-se de gráficos para provar que o deficit começara a descer quando Passos era primeiro-ministro e que o sucesso atual da economia portuguesa é da sua responsabilidade, dizendo ao primeiro-ministro que ele não podia renegar a herança do anterior governo.

 

O primeiro-ministro, inteligente e arguto, já sabia sobejamente ao que ia e não se deixou arredar pelo jogo baixo do “entrevistador”. «Não renego nenhuma parte da herança. Mas seguimos uma política diferente. Como se chega é muito importante. O que distingue a esquerda da direita é saber como chegamos a menos défice, e conseguimos com bons resultados, devolvendo rendimentos às famílias e dando mais condições às empresas», disse Costa.

 

Com o notável fair play que o caracteriza, António Costa aguentou-se, estoicamente, com o entusiasmo argumentativo, por vezes acalorado, do seu “opositor”, cortando-lhe a palavra amiúde e não dando a possibilidade de Costa responder. A certa altura o primeiro-ministro reagiu: «eu não lhe quero estragar o amor que tem àqueles quatro anos [de governação PSD/CDS]».

 

O diretor adjunto da SIC esteve mal. Um entrevistador deve ser isento e deixar o entrevistado falar e exprimir as suas opiniões. Não é isso que Gomes Ferreira faz. O jornalista da SIC faz debates, não entrevistas, como se um candidato da oposição se tratasse e tivesse António Costa como adversário político. É o primeiro frente-a-frente com um primeiro-ministro que vejo, sem moderador.   

16
Mai17

Economia cresce 2,8% no 1º trimestre

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Portugal teve um crescimento do PIB de 2,8% nos primeiros três meses do ano. Segundo os dados do INE ontem revelados, há dez anos que o Produto Interno Bruto não crescia tanto num trimestre. Sem dúvida uma excelente notícia para Portugal e para os portugueses. O contributo do turismo nas exportações de bens e serviços mais elevado que as importações foi determinante assim como a aceleração do investimento.

 

Estes dados levaram vários especialistas a apontar para a hipótese de o País registar em 2017 um crescimento acima de 2%, valor superior às últimas previsões do Governo e do Banco de Portugal, que já tinham apontada para 1,8% o crescimento da economia.

 

O primeiro-ministro António Costa congratulou-se com este número e defendeu que o crescimento de 2,8% mostra que «a confiança dos portugueses não era infundada» e que a combinação de políticas «está adequada».

 

Já o Presidente da República manifestou-se «feliz» com os números divulgados pelo INE, mas pediu que «não se embandeire em arco» para que se consiga manter este valor ao longo do ano, para que Portugal possa crescer «claramente acima dos 2%».

 

O PSD e o CDS por seu turno regozijaram-se com o crescimento de 2,8 por cento da economia portuguesa, mas consideraram que se trata de uma recuperação que se deve às reformas realizadas pelo Governo anterior. Na perspetiva da Direita o tímido crescimento de 2016 foi obra do governo de Costa, mas o crescimento de 2,8 no primeiro trimestre de 2017 já foi graças às reformas implementadas no governo PSD/CDS?

 

Recapitulando: para a Direita tudo aquilo que acontecer de positivo na economia portuguesa será resultado do seu governo, aquilo que correr mal ou menos bem será sempre da responsabilidade da Geringonça, independentemente da cronologia dos factos. Estamos esclarecidos!

 

10
Mar17

Duelo Parlamentar

 

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Pedro Passos Coelho e António Costa voltaram a ter um momento de elevada crispação com troca de acusações duras, respaldados nos líderes dos respetivos grupos parlamentares. Os SMS, as offshores, os números do crescimento e a igualdade de género, o governador do BdP foram assuntos que dominaram o debate

 

Passos Coelho acusou o primeiro-ministro de querer «enlamear o anterior governo» no caso dos offshores quando sobre esta matéria, na opinião do próprio, «não existe nada que envolva responsabilidade política» do gabinete que dirigiu durante quatro anos. O ex-primeiro-ministro foi até mais longe e acusou Costa de lançar insinuações sobre o governo PSD/CDS, lamentando que este não tenha pedido desculpas por essa atitude.

 

A frase motivou gargalhadas do primeiro-ministro que classificou como «desfaçatez» de Passos Coelho, quando o facto foi admito pelo próprio Paulo Núncio, reclamando igualmente um pedido de desculpas.

 

Para António Costa, «ficou claro» que Passos «não está satisfeito por o país viver um bom clima de cooperação entre os órgãos de soberania» e de «paz social», e rejeitou que haja um clima de «crispação na Assembleia da República». «O que há é uma bancada ressabiada», concluiu.

 

O tom crispado resvalou às bancadas dos dois principais partidos. E a prova disso chegou do lado dos líderes dos dois maiores grupos parlamentares, Luís Montenegro, do PSD, e Carlos César, do PS, os quais não abdicaram de deitar achas na fogueira num debate já muito quente.

 

Entre repetidos pedidos de defesa da honra, Luís Montenegro, um esmero em matéria de educação, veio acusar Costa de ser «mal-educado com aqueles que no parlamento representam os portugueses».

 

Carlos César saiu em defesa de Costa e assegurou que o PS se sentia «ofendido quando se transforma a Assembleia da República num espaço de insulto e de intolerância e num espaço de guerrilha mediática».

 

O nome do governador do Banco de Portugal veio inevitavelmente à baila, em particular devido ao chamado caso BES. António Costa, adotou neste caso uma postura institucional na abordagem do tema, como se exige aliás no exercício das funções que ocupa, limitando-se a recordar que o governador foi nomeado pelo anterior executivo e que nessa ocasião criticou o que achou por bem, mas na qualidade de líder do PS. Hoje, assegurou, trabalha «de forma leal e construtiva com as instituições que existem e que estão em funções».

 

O bate boca entre Passos e Costa e dos seus apaniguados no último debate parlamentar foi pouco edificante. Recorde-se que este tipo de linguagem que se iniciou com Durão Barroso com o célebre «país de tanga» tem feito escola. Em vez de se discutir os problemas reais do país e esgrimirem-se argumentos políticos, trocam-se estes 'mimos' na arena parlamentar.

 

Não admira, pois, que os portugueses estejam cada vez mais divorciados da política e que engrossem os números da abstenção.

23
Jan17

Balanço de um ano de Marcelo como Presidente

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Marcelo Rebelo de Sousa deu ontem a sua primeira grande entrevista  enquanto Presidente da República, agora que decorre um ano do seu mandato.

 

Marcelo defendeu, sem rebuço, o acordo de concertação social, tendo assumido que deu um forte contributo para a sua concretização. Quanto à descida da TSU, que PCP, BE, Verdes e PSD preparam-se para chumbar no Parlamento, Marcelo mostrou-se favorável, porquanto seria dado um sinal positivo para a economia e para o crescimento.

 

Questionado sobre a devolução de rendimentos, Marcelo respondeu com os números favoráveis da economia. Sublinhou que o investimento, as exportações e a formação de poupança são essenciais. E diz que o país precisa de um maior crescimento, adiantando que o défice deve ficar nos 2,2% do PIB, abaixo do valor histórico anunciado na semana passada por António Costa.

 

Quanto ao Novo Banco, disse que não cabia ao PR expressar nenhuma preferência, cabe ao BdP e ao Governo traçar os caminhos possíveis e há vários no entender do Marcelo, que acabou por dizer que preferia uma solução privada, sem custos para os contribuintes.

 

O que a entrevista do Presidente da República mostrou foi um Marcelo otimista, alinhado com as políticas do governo, manifestando nas entrelinhas que neste momento os interesses de ambos são convergentes. Defendeu a estabilidade governativa até final da legislatura, bem como da da oposição.

 

Assim, a menos que surja algo imprevisível, o governo pode dormir descansado e contar com o respaldo do Presidente. Pelo menos nos próximos tempos, a popularidade e a capacidade política de António Costa dependerá da forma como conseguir adaptar a agenda do governo aos interesses do Presidente da República.

 

Finalmente dizer que não gostei da forma agressiva com que os entrevistadores, Ricardo Costa e Bernardo Ferrão, interpelaram Marcelo. Não havia necessidade de serem tão cáusticos, nem de interromperem a despropósito o raciocínio do entrevistado, já que se não se tratava de um candidato eleitoral ou de um primeiro-ministro, tratava-se tão somente de fazer um balanço de um ano de Marcelo Rebelo de Sousa, enquanto Presidente da República.

18
Jan17

Um clássico!

  

Assunção Cristas, líder do CDS-PP, ontem, no debate quinzenal no parlamento, esqueceu por momentos o radicalismo amoroso e os valores cristãos, e num estilo trauliteiro e grosseiro acusou o primeiro-ministro de mentir sobre a assinatura do acordo de concertação social.

 

António Costa disse-lhe, e bem, que o acordo de concertação social estava assinado, porque o governo já o tinha feito e o documento estava a circular para recolha das restantes assinaturas. Provavelmente, a Sra. D. Assunção desconhecia essa informação e entrou a matar. Minutos depois desta gritaria, a UGT tornava público que já havia acordo.

 

Não está em causa o que disse, mas a forma como o fez e sobretudo o tom que utilizou para o fazer. Quando não se tem argumentos políticos para contrariar os resultados dos adversários, recorre-se à berraria para impressionar o interlocutor e a plateia. É um clássico.

 

10
Dez16

A coabitação entre Belém e São Bento

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As boas relações entre Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa estão a deixar a direita aziada. Mesmo os portugueses estranham, porque não estavam habituados a verem o Presidente da República e o primeiro-ministro exibirem uma cumplicidade que vai além da relação institucional entre órgãos de soberania.

 

Marcelo Rebelo de Sousa e António Costa conhecem-se desde os tempos da faculdade: o primeiro-ministro foi aluno do atual presidente da República na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. E nunca esconderam a simpatia que têm um pelo outro.

 

O PSD apoiou Marcelo à Presidência da República por ser um candidato ganhador, mas também na convicção de repor o poder que havia perdido com a solução governativa encontrada pelo Parlamento e liderada por Costa. Contudo, isso não aconteceu. Pelo contrário, Marcelo tem vindo a afastar-se de Passos Coelho e a aproximar-se cada vez mais de Costa.

 

O estado de graça que Marcelo usufrui junto dos portugueses favorece o governo de António Costa. Não apenas porque a omnipresença do Presidente ocupa o espaço mediático, mas também porque o facto de aparecerem muitas vezes juntos em vários eventos e visitas no estrangeiro, enfraquece as críticas da direita e irrita sobremaneira o PSD.

 

António Costa como político hábil que é, percebeu há muito, que esta prática protagonizada por Marcelo, de vestir a pele de comentador e falar sobre atualidade política, assim que um jornalista lhe põe um microfone à frente, que à primeira vista poderia ser intrusiva da ação governativa, poder-lhe-ia ser favorável, sendo uma mais-valia no clima de crispação política e contribui em muito para a solidez e estabilidade do governo.

 

Ao contrário, a gritaria dos partidos da direita e a inconsistência e incoerência do seu discurso, tem o efeito contrário, isto é, une ainda mais a esquerda ao Presidente.

 

Neste perspetiva, Marcelo tem sido o verdadeiro guarda-chuva de Costa, que tem tido no Presidente da República um parceiro estratégico importante para a saúde política do governo e da geringonça. A imagem das duas mais altas figuras de Estado debaixo do mesmo guarda-chuva, em Paris, no dia de Portugal é a metáfora simbólica desta coabitação quase perfeita, muito embora considere que quando Marcelo achar que é oportuno roer a corda ao governo, o fará sem o mínimo problema.

25
Nov16

PS muito perto da maioria absoluta

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Se as eleições legislativas fossem hoje, o PS somaria 43% de votos, o que coloca os socialistas no limiar da maioria absoluta. São resultados da sondagem da Universidade Católica para a RTP, Antena 1, JN e DN.

 

Os números revelam uma subida dos socialistas de nove pontos percentuais desde a última sondagem da Universidade Católica, em dezembro de 2015. Contrariamente, verifica-se neste estudo de opinião uma queda dos partidos suportados pelo anterior Governo.

 

António Costa também aparece nesta sondagem como o líder mais popular. Conseguindo obter uma nota de 12,3. O atual primeiro-ministro só é ultrapassado na avaliação dos portugueses por Marcelo Rebelo de Sousa.

 

O Presidente da República continua, de acordo com a sondagem, imbatível na popularidade, recolhendo uma avaliação de 16,3 (a avaliação mais elevada das sondagens da Católica desde que há registos).

 

Relativamente aos partidos da Direita, a principal conclusão deste estudo é que PSD e CDS foram claramente ultrapassados pelo PS, perdendo cinco pontos relativamente à última sondagem.

 

16
Nov16

Notícias da Geringonça

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Segundo o INE, a economia portuguesa cresceu 0,8% em termos reais no terceiro trimestre em relação ao trimestre anterior e 1,6%, em comparação com o mesmo período do ano passado.

 

O Gabinete de Estatísticas do INE  justificou este crescimento com «o aumento do contributo da procura externa líquida, verificando-se uma aceleração mais expressiva das exportações de bens e serviços» face à das importações de bens e serviços. E sublinha ainda que a aceleração das exportações «foi comum às componentes de bens e de serviços».

 

Por outro lado, aumentou também a procura interna para a variação equivalente do PIB no terceiro trimestre, consequência da «aceleração do consumo privado» devido ao comportamento dos bens não duradouros e serviços, enquanto os bens duradouros desaceleraram.

 

Os valores ora divulgados superam as expectativas dos vários analistas económicos que estimavam aumentos de 0,3% em cadeia e 1,1% em termos homólogos, atribuindo-os sobretudo a uma quebra na procura interna.

 

Estes valores, de acordo com o Eurostat, colocam Portugal com o maior crescimento do PIB no terceiro trimestre do ano face ao trimestre anterior, juntamente com a Bulgária (0,8%), enquanto o crescimento da economia portuguesa em termos homólogos esteve precisamente em linha com a média da zona euro (1,6%).

 

Claro que não devemos «embandeirar em arco». Todos sabemos que não temos uma economia pujante e qualquer abalo nos mercados externos poder-nos-á ser fatal.

 

Mas, para já, os indicadores são positivos e enchem-nos de ânimo. O PIB foi o maior da zona euro. O desemprego está a baixar. As exportações estão a melhorar, assim como a procura interna e, como tudo indica, a Comissão Europeia não deverá suspender os Fundos para Portugal em consequência do bom desempenho da economia. Tudo num Portugal governado por uma «geringonça». Parafraseando António Costa: «é geringonça, mas funciona».

 

26
Out16

No país dos doutores

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«A queda do assessor do PM que não era licenciado é apenas a face visível de uma sociedade em que a aparência é mais importante que a realidade. Onde o "doutor" é mais importante que a nossa identidade própria, onde é usada a palavra "doutor" como se um título nobiliárquico se tratasse como nos aristocratas de séculos passados, onde as mentes ridículas tratam toda a gente por "sôtôr" como se isso fosse algum sinal de educação mas é apenas de subserviência. O valor das pessoas não reside num canudo, há muitos "doutores" incultos, incompetentes, vigaristas e corruptos e muita gente que não andou na universidade que é a melhor nas suas profissões. As pessoas, o seu âmago, são muito mais importantes que títulos. Cabe a todos mudar esta provinciana mentalidade».

Rui Calafate (facebook)

30
Set16

Mirós ficam em Serralves

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O governo de Passos Coelho preparava-se para leiloar a coleção de 85 quadros Joan Miró, na posse do Estado desde a nacionalização do BPN, através da leiloeira Christie's, em Londres. A decisão como se sabe não foi pacífica e o coro de críticas não tardou. Foram interpostos processos pelo Ministério Público contra a saída das obras de Portugal e a leiloeira recuou.

 

A Christie´s avaliou este conjunto de obras de pintura e desenho em cerca de 36 milhões de euros líquidos, considerando-a «uma das mais extensas e impressionantes ofertas de trabalhos do artista que alguma vez foi a leilão». O BPN comprou as obras a um japonês em 2006 por 34 milhões. Aquando da nacionalização do banco, o Estado ficou com a coleção. Ou seja, cada português pagou perto de quatro euros para ficar com os Mirós.

 

Quando António Costa tomou posse, ficou decidido que a coleção não sairia das mãos do Estado, tendo sido anunciado mais tarde pelo Ministério da Cultura que a coleção ficaria sedeada na Porto.

 

Sabe-se agora que a coleção Miró vai ficar em permanência na Casa de Serralves. O argumento é que a Casa é ela própria modernista e, por isso, adequada às obras de Miró.

 

A câmara do Porto irá custear as obras de adaptação da Casa de Serralves para receber em definitivo a coleção.

 

Hoje, em Serralves, os primeiros-ministros de Portugal e de Espanha, juntamente com o Presidente da República e Rui Moreira inauguraram a exposição do pintor catalão: «Joan Miró: Materialidade e metamorfose», que integra as 85 obras daquele artista.