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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

05
Jun17

One Love Manchester

 

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Depois do atentado terrorista de Manchester, há quase duas semanas, Ariana Grande voltou a cantar naquela cidade. A cantora juntou em palco vários músicos para homenagear as vítimas do atentado terrorista de 22 de maio, entre eles: Justin Bieber, Miley Cyrus, Katy Perry, Black Eyed Peas, Coldplay, Little Mix, Robbie Williams, Liam Gallagher e outros, num concerto memorável.

 

O sucesso deste concerto humanitário não se restringiu apenas à participação de alguns dos nomes mais mediáticos da música em Old Traford perante 50 mil pessoas. O espetáculo de beneficência foi transmitido em várias redes sociais, além da transmissão televisiva em direto para 38 países.

 

A recolha de fundos de One Love Manchester no Facebook ultrapassou os 300 mil dólares e tem como destinatários as famílias das vítimas do ataque terrorista no concerto de Ariana Grande em Manchester como igualmente o apoio na luta contra o cancro.

15
Jul16

Sobre os atentados em Nice

 

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Quando se julgava que terminado o EURO 2016 a ameaça terrorista tinha acabado, eis que Nice foi palco do segundo ataque terrorista mais mortal que França viveu. Um camião varreu literalmente a multidão que festejava o Dia da Bastilha. Há 84 mortos. pelo menos dez são crianças. Contam-se ainda mais de 100 feridos, 18 deles em estado grave.

 

Infelizmente a cada atentado vamos continuar a ficar chocados e incrédulos e depois, como ávidos consumidores de desgraças, vamos ligar a televisão, de preferência a CMTV, para ver e ouvir o pesadelo, o drama, o horror e a tragédia e condenar veementemente estes ataques soezes em sinal de reprovação, para gáudio dos prevaricadores, porque é justamente desta forma que alimentamos a espiral de pânico e assim o objetivo deles é perfeitamente conseguido. Já estava na hora de mudar de atitude, não? Se calhar é mais fácil do que parece…

 

Perante isto, o que fazem os senhores que mandam na Europa? Assobiam para o lado, parecendo que o mais importante, para eles, são as sanções a aplicar a Portugal pelas duas décimas de défice excessivo apresentado em 2015.

 

18
Jan15

Por que é que tantos são Charlie e quase nenhum é Baga?

 

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Durante os últimos dias tenho lido aqui e ali que os media deram grande visibilidade aos ataques de Paris e praticamente ignoraram o que passa na Nigéria.

Na verdade, na mesma altura do atentado ao jornal Charlie Hebdo, na Nigéria, o Boko Haram, numa ofensiva para controlar uma cidade nigeriana de Baga, fez mais de 2000 mortes.

No dia a seguir, ao mesmo tempo que todos tínhamos os olhos postos em Paris, quando um terrorista fez reféns um grupo de pessoas num supermercado, três mulheres suicidas mataram mais de 20 pessoas na Nigéria.

Por que é que tantos são Charlie e quase nenhum é Baga?

Na minha opinião há algumas explicações que nos ajudam a perceber essa diferença de tratamento entre as duas chacinas: o facto de o ataque de Paris ter acontecido num país europeu aqui tão perto,é uma circunstância que nos impressiona  e que não nos coloca a salvo de podermos ser nós também vítimas de um atentado semelhante e nessa medida toca-nos mais. A circunstância de quase em simultâneo estes acontecimentos entraram-nos pela casa dentro, através da televisão e das redes sociais, também contribui para que o choque seja maior. O caso de vermos, pouco tempo depois de ter acontecido, a execução do polícia Ahmed num passeio de uma rua em Paris, é um ‘murro no estômago’ que atinge-nos com alguma violência, pois apercebemo-nos mais facilmente que podia acontecer connosco. Afinal, Paris é logo aqui ao lado!

Depois, o facto de tanto na Nigéria, como na Síria, no Iraque e no Afeganistão existir uma guerra civil, envolvendo vários grupos e vária etnias, há alguns anos, quer queiramos, quer não, vulgariza as tragédias que ocorrem nesses países. A circunstância de diariamente ser noticiados atentados naqueles países, ao fim de algum tempo leva-nos a encarar as mortes no Médio Oriente, as explosões na Palestina, as trocas de tiros no Leste da Ucrânia, as execuções no norte do México deixam como uma não notícia porque tornam-se banais, é no fundo o modus vivendi daqueles países.

Mas quando acontece uma tragédia, um ataque terrorista mais perto de nós, em países onde supostamente reina a paz, sem acontecimentos desta natureza, isto choca-nos e mobiliza-nos.

Não tenho dúvidas que se em França os ataques terroristas começassem a ser constantes, seriam provavelmente tratados com o mesmo nível de atenção e mobilização pelo resto do mundo, como os ataques recentes da Nigéria.

Somos muito influenciados pelos acontecimentos da atualidade que são divulgados nos media e através da Internet. É por isso que já ninguém se recorda muito bem dos ataques dos talibans a uma escola no Paquistão, que fizeram pelo menos 141 mortos, na grande maioria crianças, assim como ninguém valoriza muito a situação vivida no Leste da Ucrânia, porque outros acontecimentos passaram a ser notícia.

Isto para concluir que é injusto que o mundo apenas se revolte com os atentados de França, quando crimes bem maiores acontecem diariamente no resto do mundo e que apenas têm direito a uma pequena ‘nota de rodapé’.

Mas é compreensível que os casos sejam tratados de forma diferente, porque sendo iguais na sua essência, são diferentes quanto à forma como são percecionados.

11
Set14

11 de Setembro

 

Assinalam-se hoje 13 anos da tragédia do 11 de Setembro. O maior atentado terrorista da história contemporânea.  Cenas de terror e comoção que a humanidade jamais esquecerá.

Esta quinta-feira, terá lugar um ritual em que  familiares das vítimas vão juntar-se no local, juntamente com membros da classe política, para guardar momentos de silêncio e ouvir os nomes das quase três mil vítimas.