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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

09
Jun17

Um tiro no pé

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Mais de 46 milhões de eleitores foram chamados às urnas para escolher o novo líder do Governo britânico. Ao propor-se a eleições, a primeira-ministra britânica, Theresa May, procurava alargar a maioria absoluta obtida pelos conservadores, de forma a obter um voto de confiança do povo para poder liderar o processo de saída do Reino Unido da União Europeia com uma posição reforçada.

 

De relembrar que Theresa May chegou ao poder em julho do ano passado em substituição direta de David Cameron, o antigo primeiro-ministro, que apresentou a demissão na sequência da vitória do Brexit no referendo.

 

Todavia, o «feitiço virou-se contra o feiticeiro», o resultado eleitoral ditou uma frágil vitória do Partido Conservador, que perdeu pelo menos 12 deputados em relação às eleições anteriores.

 

Na primeira reação aos resultados, Jeremy Corbyn destacou o falhanço de Theresa May nestas eleições, tendo em conta os objetivos a que se propôs e pediu mesmo a sua demissão

 

Este resultado inconclusivo deixa o Parlamento britânico fragmentado e o futuro do próximo Governo mais incerto. Dado que, não havendo uma maioria no Parlamento, a situação política britânica pode prolongar-se por várias semanas, o que pode prejudicar o calendário do Brexit, uma vez que as negociações com a União Europeia devem começar dentro de poucas semanas. Mesmo que consiga formar governo, May perde força para negociar com a Europa.

29
Mar17

Nada será como dantes!

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O referendo de 23 de junho do ano passado que ditou a saída do Reino Unido da União Europeia, deixou o país profundamente dividido e, desde então, têm-se multiplicado as manifestações contra o Brexit, protagonizadas sobretudo pela juventude britânica, maioritariamente pró-europeia.

 

Mas a primeira-ministra britânica cumprindo o resultado do referendo já assinou a carta que conduz ao Brexit, a qual será entregue esta quarta-feira ao presidente do Conselho Europeu, Donald Tusk, para ativar o artigo 50 do Tratado de Lisboa.

 

O Reino Unido sempre teve uma posição marcante relativamente ao seu papel no contexto europeu, o caso de não adesão à moeda única será, contudo, o mais óbvio.

 

Porém, tanto dentro como fora das fronteiras do próprio Reino Unido, o Brexit será tudo menos um processo simples. Dentro do Reino Unido, Escócia e Irlanda reacendem divisões que a História nunca sarou; fora de portas, o Reino Unido terá que estabelecer uma nova relação comercial com a EU com vista a saber que tipo de acesso o país consegue estabelecer com os 430 milhões de consumidores da UE.

 

A ativação oficial do artigo 50 abrirá espaço a dois anos de negociações para determinar as condições exatas de saída do país da EU. O Brexit poderá sofrer ao longo das negociações alguns ajustes, mas uma coisa é certa: agora não há retorno e no contexto europeu nada será como dantes. Afinal, como lembrava a Teresa de Sousa no Público, «não é um pequeno país periférico que abandona a União. É um país que marcou definitivamente a História europeia do século XX» num texto de leitura obrigatória.

19
Jun16

Brexit or not brexit?

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O Brexit fez a primeira vítima: a deputada trabalhista, Jo Cox,  foi brutalmente baleada e esfaqueada, em Birstall, perto de Leeds, acabando por não resistir aos ferimentos.

 

A deputada inglesa de 41 anos era casada e mãe de dois filhos menores, defendia a permanência do Reino Unido na União Europeia, lutava pelos direitos dos emigrantes, pela defesa da integração e pela solidariedade, valor fundador da União Europeia.

 

Era uma das deputadas com um futuro promissor no parlamento inglês, que nunca hesitou em ir contra o seu próprio partido. Apesar do seu partido - Partido Trabalhista – ser contra a intervenção na Síria, Jo Cox foi a favor daquela ação militar, invocando preocupações humanitárias. Quando escreveu um artigo em conjunto com o antigo secretário para o desenvolvimento internacional, Andrew Mitchell, foi atacada pelo partido por estar lado a lado com um membro do Partido Conservador.

 

Na próxima quinta-feira, 23, os britânicos vão dizer se pretendem ou não sair da UE. A campanha sobre o futuro do Reino Unido na União Europeia foi retomada hoje, após três dias suspensa na sequência da morte da deputada Jo Cox. Em vésperas de referendo, David Cameron, afirmou que o país está diante de uma «escolha existencial» e que «não há como voltar atrás» depois dela.

 

Saíram entretanto os resultados das últimas sondagens sobre o referendo do Brexit (incluem algumas consultas feitas após a morte de Jo Cox). O da Opinium/Observer, última consulta antes do referendo, o «Leave» e o «Remain» aparecem empatadas com 44%, com 10% de indecisos. As intenções de voto foram recolhidas através da Internet, junto de mais de duas mil pessoas.

 

No entanto, uma sondagem com um universo mais reduzido, feita por telefone junto de 1.001 eleitores, já dá uma vitória para o «Remain». Esta sondagem, feita pela Survation para o Mail on Sunday, atribui 45% das intenções de voto ao eleitores que pretendem continuar na EU e 42% aos adeptos do Brexit. A sondagem foi integralmente conduzida nos dias após a morte de Jo Cox, donde se conclui que a tragédia ocorrida com a deputada inglesa poderá eventualmente mudar o sentidos de voto dos britânicos.