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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

18
Jun17

Incêndio de Pedrogão Grande

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Ontem à noite fomos surpreendidos com esta tragédia descomunal. Fiquei perplexa quando começaram a passar em rodapé na televisão a notícia de que o incêndio de Pedrogão Grande tinha já vitimado 19 pessoas. Infelizmente este número tem vindo a aumentar e já foram contabilizadas 62 vítimas mortais.

 

As vítimas foram surpreendidas pelas chamas e encurraladas pelo incêndio, quando regressavam a casa. Vários corpos foram encontrados fora das viaturas ou nas margens da estrada, o que sugere que tentaram fugir das chamas, embora sem sucesso. Há ainda 54 feridos, cinco deles em estado grave.

 

Cerca de 700 homens estão no terreno a combater as chamas que atingem os concelhos de Pedrógão Grande, Figueiró dos Vinhos e Castanheira de Pêra, com quatro frentes de fogo ativas, duas delas de grande dimensão.

 

É natural que perante um incêndio com estas proporções, o mais mortal de sempre em Portugal, desde que há registos, e um dos maiores da história recente do país, procuremos entender as causas que estiveram na sua origem.

 

Porém, ainda é cedo para determinar, com rigor, as razões deste incêndio. Tudo indica que possa ter tido origem num conjunto de condições climatéricas particularmente adversas. As altas temperaturas, acima dos 40 graus, o vento que se fez sentir, a pouca humidade e uma «trovoada seca» poderão ter contribuído para este desfecho.

 

Para já parece estar afastada a hipótese de mão criminosa, mas como disse ainda é cedo para se perceber o que realmente aconteceu.

 

Por agora, o que interessa, no imediato, é extinguir o incêndio, tratar dos feridos, apoiar vítimas e familiares, auxiliar e render homenagem aos bombeiros que estão há horas no terreno a combater as chamas, saudar o esforço dos civis e a capacidade de reação das autoridades locais e nacionais.

 

Mas depois espero, sinceramente, que se apurem todas as responsabilidades até à exaustão e que se tomem as medidas adequadas para que uma tragédia como esta não se volte a repetir.

21
Jun15

É oficial: chegou o verão!

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Embora o tempo quente já há muito se tenha feito sentir, o solstício de verão aconteceu hoje, mais precisamente às 16h38, marcando oficialmente o início do Verão no Hemisfério Norte e de inverno no hemisfério sul), com o maior número de horas de luz solar do ano.

Em termos científicos, o solstício de verão consiste no momento em que o hemisfério norte da Terra está mais diretamente virado para o Sol.

Este momento corresponde ao momento em que o Sol atinge altura máxima, medida a partir da linha do Equador. O termo solstício deriva do Latim das palavras sol e sistere que significam «Sol parado», uma vez que nos dias em antes e após o solstício de verão, o Sol parece manter-se à mesma altura no meio-dia e pôr-se e nascer no mesmo ponto em relação ao horizonte.

À medida que os dias passam, é possível voltar a observar o Sol a pôr-se e a nascer um pouco mais a sul. Este processo mantém-se até que o Sol se ponha e atinja o ponto mais a sul do ano, altura em que ocorre o solstício de inverno, a 21 de dezembro.

Hoje é o dia mais longo do ano. Esta é das estações mais aguardadas. Verão é sinónimo de praia, férias, descanso e muita diversão. Muito mais do que uma estação, é todo um estado de alma onde se vagueia dos excessos e se fica à mercê da terna indolência... num dolce far niente. Tão bom!

21
Jun14

O Verão do nosso contentamento

Caso não tenham dado conta, porque o sol teima em esconder-se atrás das nuvens, a verdade é que estamos oficialmente no verão que começou hoje às 11:51, num dia em que a meteorologia prevê para o país aguaceiros fracos e vento moderado, podendo até ocorrer chuviscos ocasionais, em alguns pontos do país, devido a uma região depressionária a oeste do continente. E o pior é que essa depressão deve deslocar-se no fim-de-semana e tornar o tempo ainda menos de verão até quarta-feira. Mas segundos os especialistas é «perfeitamente normal para a época».

Hoje será o dia mais longo do ano, mas paradoxalmente os dias começam agora a diminuir e anoitece mais cedo... é o ciclo das estações! O solstício de Verão marca o início desta estação. Designa o momento em que o Sol, no seu movimento aparente em relação ao eixo da Terra, se detém, para iniciar o movimento contrário. Ligados desde tempos ancestrais aos ciclos agrícolas.

O verão, para muitos, é das estações mais aguardadas, associada a férias, calor, praia e a bons momentos a «com pouco trabalho e muita micose» como escreveu o escritor brasileiro Luiz Fernando Veríssimo.

30
Jun13

«Está de ananases!»

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 Mas que calor! Um sumo fresco numa esplanada parece-me uma boa escolha para este dia quente. De repente veio-me à memória o grande Eça «Entrei no quarto atordoado, com bagas de suor na face. E debalde rebuscava desesperadamente uma outra frase sobre o calor, bem trabalhada, toa cintilante e nova! Nada! Só me acudiam sordidezas paralelas, em calão teimoso: "é de rachar", "está de ananases"!, "derrete os untos"!... Atravessei ali uma dessas angústias atrozes e grotescas, que, aos vinte anos, quando se começa a vida e a literatura, vincam a alma - e jamais esquecem». Eça de Queirós - A correspondência de Fradique Mendes.