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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

01
Jun17

Dia Mundial da Criança

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O Dia Mundial da Criança foi comemorado pela primeira vez em 1950, na sequência de uma proposta apresentada pela Federação Democrática Internacional das Mulheres à Organização das Nações Unidas (ONU) e pretendia sobretudo chamar a atenção para a situação que se vivia após a 2ª Grande Guerra Mundial . As crianças de todo o Mundo enfrentavam grandes dificuldades: a alimentação era deficiente, os cuidados médicos eram escassos e mais de metade das crianças europeias não sabia ler nem escrever.

 

Com a criação deste dia, foi-lhes reconhecido o direito ao afeto, amor e compreensão; a uma alimentação adequada; a cuidados médicos; a educação gratuita; à proteção contra todas as formas de exploração; e a crescer num clima de Paz e Fraternidade universais.

 

Embora o Dia da Criança seja assinalado em datas diferentes, dependendo do país em questão, a verdade é que, independentemente disso, esta é uma celebração com princípios comuns: os direitos universais das crianças e, claro, trazer-lhes um sorriso aos lábios com as inúmeras atividades que marcam esta data um pouco por todo o mundo.

 

22
Abr17

Sarampo, sarampelo, sete vezes vem ao pêlo

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(…) «Oiço falar em pessoas com sarampo e de imediato volto à infância. Vejo garrafas de Laranjina C e bicicletas de amoladores, vejo anúncios a preto e branco que dizem que capas de amianto na tábua de passar a roupa é que é bom, e recordo o meu pai a apagar o fogo de uma almofada do quarto porque fumava na cama. (…)

 

Anda por aí uma lógica de contrariar a ciência como se esta gente fosse saudosista dos anos 80, mas AC. Na verdade, vivemos num país que se escandaliza com pais que não vacinam filhos no século XXI, mas que celebra pastorinhos canonizados por curarem doenças com milagres. É profundamente idiota não vacinar filhos, mas esta notícia passa na mesma televisão onde, com ar sério, se celebra dois pastores que vão ser santos por curarem doenças à distância depois de já falecidos.

 

As televisões estão cheias de anúncios, com gente famosa, de remédios com nomes de desentupidores de sanita que dizem fazer bem ao cálcio dos mais velhos. Há um mês, vi a bruxa/cartomante da SIC a diagnosticar um problema de tiróide, a uma senhora que telefonou para lá, aflita, lendo cartas. Se tem saído a carta "A Carroça", era cirrose hepática. Espero que no futuro a senhora bruxa tenha uma apendicite e seja operada por um ilusionista. (…)

 

Falta vir o deputado do PAN alertar para a terrível extinção do tão raro vírus do sarampo. Deve um partido que defende a obrigatoriedade de vacinar os animais não defender o mesmo para os humanos? Ó terrível dúvida!

 

Esta epidemia de sarampo é também uma epidemia de estupidez, que é a mais contagiosa das doenças. Além do mais, esta epidemia e horas dedicadas ao tema em todas as TV vai custar milhões em ansiolíticos para os hipocondríacos. Basta duas borbulhas para entrarem em pânico.

 

Na minha opinião, a vacinação devia ser obrigatória. Mesmo que tivesse de ser dada com uma espingarda da dardos à distância. Estava a criança no baloiço e tau!, com mira telescópica. Se há pessoas que querem viver na idade da pedra, tudo bem, mas não arrastem os outros com elas. E se for necessário para convencer aquelas pessoas que gostam de fazer nascer os filhos em casa e de não dar vacinas aos miúdos, ofereçam um cheque de cem euros em missangas que elas aparecem.»

João Quadros, Jornal de Negócios

01
Jun16

Dia Mundial da Criança

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Hoje comemora-se o  Dia Mundial da Criança. Oficialmente, o dia é assinalado pela Organização das Nações Unidas (ONU) a 20 de novembro, data em que no ano de 1959 foram aprovados pela Assembleia-Geral da ONU os Direitos da Criança. Na mesma data, mas no ano de 1989, foi adotada pela Assembleia-Geral da ONU a Convenção dos Direitos da Criança que Portugal ratificou em 21 de setembro de 1990. Neste dia, os Estados-Membros  reconheceram que todas as crianças, independentemente da raça, cor, religião, origem social, país de origem, têm direito a afeto, amor e compreensão, alimentação adequada, cuidados médicos, educação gratuita, proteção contra todas as formas de exploração e num clima de paz e fraternidade.

A data de comemoração varia consoante o país   (por exemplo, na Noruega é a 17 de maio, na Alemanha é a 20 de setembro e no Brasil é a 12 de outubro), tendo sido o dia 1 de junho o escolhido pela maioria dos países, entre os quais Portugal.

Este é dia escolhido para assinalar a celebração dos direitos das crianças. Embora todos os dias devam ser dias das crianças, hoje é aquele dia em que há um mimo extra, seja um pequeno presente ou um programa diferente. As escolas, normalmente, encarregam-se de proporcionar um dia especial às suas crianças preenchido com várias atividades. Infelizmente nem todas as crianças têm acesso a esses direitos.Há países onde as crianças ainda são torturadas e exploradas.

01
Jun15

O Dia da Criança

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É um dia em que cabem
todos os dias do ano
e as coisas mais bonitas
que não podem causar dano:
os sonhos e os brinquedos,
as festas, as guloseimas,
a sombra de alguns medos,
a casmurrice das teimas
e também, com fartura,
o afecto e o carinho
com que se faz a ternura,
para mostrar ao mundo
que a guerra é uma loucura
e que o gosto de ser menino
é o nosso eterno destino.

José Jorge Letria- O Livro dos Dias

11
Mar15

Mas o melhor do mundo......são as crianças

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Um dicionário feito por crianças define um mundo diferente daquele que é percepcionado pelos adultos. O seu autor, Javier Naranjo, compilou testumunhos durante dez anos durante as aulas que lecionou.

Como referiu Fernando Pessoa num dos seus poemas: «Grande é a poesia, a bondade e as danças...Mas o melhor do mundo são as crianças». Estas crianças, como muitas outras do mundo (infelizmente, não todas) empregam alegremente as palavras aproximando-as da sua realidade, porque são puras, porque vivem num mundo só delas, não corrompido donde jamais todos deveríamos sair!

Vejam alguns testemunhos do livro.

«Adulto: Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma (Andrés Felipe Bedoya, 8 anos)

Ancião: É um homem que fica sentado o dia todo (Maryluz Arbeláez, 9 anos)

Água: Transparência que se pode tomar (Tatiana Ramírez, 7 anos)

Branco: O branco é uma cor que não pinta (Jonathan Ramírez, 11 anos)

Camponês: um camponês não tem casa, nem dinheiro. Somente seus filhos (Luis Alberto Ortiz, 8 anos)

Céu: De onde sai o dia (Duván Arnulfo Arango, 8 anos)

Colômbia: É uma partida de futebol (Diego Giraldo, 8 anos)

Dinheiro: Coisa de interesse para os outros com a qual se faz amigos e, sem ela, se faz inimigos (Ana María Noreña, 12 anos)

Deus: É o amor com cabelo grande e poderes (Ana Milena Hurtado, 5 anos)

Escuridão: É como o frescor da noite (Ana Cristina Henao, 8 anos)

Guerra:Gente que se mata por um pedaço de terra ou de paz (Juan Carlos Mejía, 11 anos)

Inveja: Atirar pedras nos amigos (Alejandro Tobón, 7 anos)

Igreja: Onde a pessoa vai perdoar Deus (Natalia Bueno, 7 anos)

Lua: É o que nos dá a noite (Leidy Johanna García, 8 anos)

Mãe: Mãe entende e depois vai dormir (Juan Alzate, 6 anos)

Paz: Quando a pessoa se perdoa (Juan Camilo Hurtado, 8 anos)»

Sexo: É uma pessoa que se beija em cima da outra (Luisa Pates, 8 anos)

Solidão: Tristeza que dá na pessoa às vezes (Iván Darío López, 10 anos)

Tempo: Coisa que passa para lembrar (Jorge Armando, 8 anos)

Universo: Casa das estrelas (Carlos Gómez, 12 anos)

Violência: Parte ruim da paz (Sara Martínez, 7 anos)»

22
Jul14

Ainda a questão da natalidade

 

 (imagem do google) 

Já aqui tinha falado natalidade. Contudo, dado que o assunto voltou a estar na ordem do dia, parece-me importante refletir um pouco mais sobre as causas que estão na sua génese.

O envelhecimento da população é um dado preocupante não apenas em Portugal como na maioria dos países europeus. A principal causa é a redução da natalidade que se tem verificado ao longo das últimas décadas e que tem aumentado nos últimos anos, não assegurando a renovação das gerações.

Este facto conjugado com o aumento da esperança de vida leva a que o número de idosos ultrapasse o numero de crianças, o que tem efeitos nefastos na economia, nas receitas fiscais que permitem financiar o Estado e nos regimes de pensões. A situação é de tal forma grave que ao ritmo a que a população portuguesa está a diminuir, admite-se que, se nada for feito, em 2050, mais de 30% da população nacional terá uma idade superior a 65 anos numa população total da ordem dos 8,7 milhões de pessoas, ou seja longe dos dez milhões com que nos habituámos a contar. A crise não explica tudo e alguma coisa deve ser imputada aos padrões de vida dos portugueses.

A grande mudança na natalidade deu-se quando um filho deixou de ser uma inevitabilidade e passou a ser uma decisão. A partir desse momento em que as pessoas puderam planear a chegada de um filho, passaram a ponderar dar este passo pesando vários fatores. Desde logo, os relacionados com a estabilidade económica, com a situação profissional e com os apoios familiares. Passa a existir uma conciliação da vida familiar com a profissional: organizar a vida familiar e profissional com os horários das creches, escolas e infantários. Há toda uma logística que é necessário gerir e que nem sempre é fácil, sobretudo se não se puder contar com um bom suporte familiar.

O paradigma entretanto alterou-se mais recentemente com os fenómenos migratórios internos, os quais tiveram impacto na desestruturação das famílias e vieram adiar o projeto da maternidade.

Depois, há todo um estereótipo construído à volta da ideia de que para ter um filho é necessário existir estabilidade conjugal, pessoal, profissional, emocional e económica. Capacidade para dar boas condições de vida, de saúde, de educação, de atenção, possibilidade de disponibilizar atividades extracurriculares e recreativas às crianças. Muitas vezes, perante tantos requisitos, muitos recuam. Além disso, os relacionamentos hoje são mais instáveis e a grande maioria dos casamentos já não são para toda a vida.

A juntar a todos estes fatores existe ainda um outro, não despiciendo: de há uns 40 anos, as expectativas da sociedade em relação à natalidade mudaram. Vivemos hoje numa sociedade altamente materialista e individualista, onde predomina uma cultura hedonista, do prazer e do efémero que tem alguma aversão ao compromisso, pois considera-o incompatível com aqueles valores.

Sabemos que ter filhos implica a assunção responsabilidades, que exige sacrifícios, disponibilidade, que obriga prescindir de muitas coisas em prol dos filhos. Isto faz, obviamente, com que muitos portugueses adiem a decisão de ter filhos ou de aumentar a prole.

Todos estes fatores conjugados, aliados à perda de poder de compra, cortes de salários, perda de benefícios fiscais e de abonos de família serviram para provocar um recuo na taxa de natalidade, abafada apenas, nos últimos anos, pela vinda para Portugal de imigrantes que mitigaram o problema.

Do meu ponto de vista, a natalidade trata-se de um problema com raízes sociais e culturais que vem sendo agravado nos últimos anos por problemas de cariz económico. As razões da baixa natalidade radicam num modelo de sociedades desenvolvidas que nenhum pequeno incentivo do Estado será suficiente para inverter.

Por isso mesmo o Estado para intervir não poderá apenas olhar para um dos lados da equação, subvencionando a natalidade. Tem de existir uma ação concertada em vários setores para que haja uma estrutura equilibrada e renovada da sociedade. Tem que existir sobretudo uma mudança de mentalidades. Mais útil seria que os governos vissem na baixa natalidade, não um problema circunstancial, mas um dado estrutural. A promoção de políticas de natalidade é essencial para o futuro de Portugal e não pode ser manietada com voluntarismo e precipitação.

18
Jun14

Barrigas de Aluguer

 (imagem google)

‘Barriga de aluguer’ ou «gestação por substituição» é uma nova forma de procriação através da qual uma mulher aceita engravidar com o objetivo de gerar e dar à luz uma criança que será depois entregue aos cuidados de outra mulher ou de outro casal, renunciando aos poderes e deveres próprios da maternidade após o parto.

Para o efeito é celebrado um acordo ou contrato de gestação. Se o contrato for integralmente cumprido a criança quando nascer será pertença do casal adotivo, sob o ponto de vista biológico e legal.

Apesar da lei portuguesa proibir expressamente estas práticas, o número de portugueses a recorrer a ‘barrigas de aluguer‘ tem vindo a aumentar. Alguns casais impossibilitados de ter filhos não desistem e estão dispostos a tudo para concretizar um sonho.

Em Janeiro de 2012 deram entrada no Parlamento dois projetos de lei, um do Partido Socialista, outro do Partido Social-Democrata, com vista a legalizar a ‘gestação de substituição’. Estas propostas baixaram à Comissão de Saúde para serem debatidas na especialidade e, para tal, foi criado um Grupo de Trabalho.

Anunciada para esta semana a votação da proposta para legalização  das ‘barrigas de aluguer’, a mesma foi adiada. O presidente do grupo de trabalho criado para discutir a matéria, o deputado do PSD Miguel Santos, disse que os partidos decidiram esclarecer mais algumas dúvidas e pedir um estudo de direito comparado entre vários países.

Os bispos católicos portugueses já manifestaram total desacordo com a proposta sobre a legalização, num comunicado da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, afirmando que «a criança nascida de uma mãe contratualmente obrigada a abandoná-la não pode deixar de sofrer com o trauma desse abandono, conhecidos que são, cada vez mais, os laços que se criam entre mãe e filho durante a gestação».

Para os bispos, «a mãe gestante não pode, também ela, ser instrumentalizada e reduzida a uma incubadora, como se a gravidez não envolvesse profundamente todas as dimensões da sua pessoa e a obrigação de abandono do seu filho não contrariasse o mais forte, natural e espontâneo dos deveres de cuidado».

«A experiência revela que só o desespero de mulheres gravemente carenciadas as leva a aceitar tão traumatizante prática, sendo ilusório pensar que o fazem de bom grado ou gratuitamente», acrescenta um comunicado da assembleia plenária da Conferência Episcopal Portuguesa.

O tema é delicado e tal como acontece com a questão da inseminação artificial e os embriões congelados, tem sido objeto de polémica porque levanta diversas questões éticas e jurídicas que até hoje ainda não foram resolvidas. Por isso, o campo de discussão continua em aberto.

12
Jun13

Dia Mundial contra o Trabalho Infantil

(retirado da net)

Celebra-se hoje em todo o mundo o “Dia Mundial contra o Trabalho Infantil”, com uma referência especial à exploração das crianças para o trabalho doméstico. O Papa Francisco associou-se no Vaticano a este dia, promovido anualmente pela ONU a 12 de junho, e recordou os milhares de crianças que são vítimas de exploração e de maus tratos. «Este é um fenómeno deplorável em constante aumento, particularmente nos países pobres», disse, na audiência pública semanal que reuniu dezenas de milhares de fiéis na Praça de São Pedro. O Sumo Pontífice invocou ainda a defesa dos menores que são vítimas «desta forma escondida de exploração» e salientou que a mesma «comporta muitas vezes também abusos, maus tratos e discriminações». «É uma verdadeira escravidão», lamentou. «Todas as crianças devem poder brincar, estudar, rezar e crescer nas próprias famílias, num contexto harmónico, de amor e serenidade. É um direito seu e um dever nosso», afirmou, perante os aplausos dos presentes. Segundo o Papa, uma infância serena permite às crianças «olhar com futuro para a vida e o amanhã».

01
Jun13

Dia Mundial da Criança

Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre,
bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor,
quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!
Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...

Fernando Pessoa