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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

26.11.16

Fidel Castro (1926-2016)

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O histórico líder cubano, Fidel Castro, faleceu aos 90 anos. O anúncio da sua morte foi feito pelo irmão, o Presidente Raúl Castro, na televisão estatal de Cuba.

 

Amado por uns e odiado por outros, Fidel marcou a história da segunda metade do século XX. O líder cubano foi numa das figuras mais carismáticas, mas também das mais controversas da História política do século passado.

 

Após 47 anos no poder, a 31 de julho de 2006 Castro decidiu afastar-se devido a problemas de saúde e delegou a liderança do regime cubano ao irmão Raul, mais novo cinco anos. A passagem de testemunho seria definitiva dois anos mais tarde.

 

Durante a última década, Fidel fez poucas aparições públicas, manteve um contacto regular com o mundo através dos seus artigos intitulados “Reflexiones”, publicados na imprensa oficial.

 

Meses antes de celebrar os 90 anos, Fidel Castro marcou presença, em abril, no VII Congresso do PCC e fez um discurso na sessão de encerramento que soou a despedida. No passado mês de outubro, aquando da deslocação a Cuba, o presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa encontrou-se com o histórico cubano, Fidel Castro.

 

Utopia ou ditadura, cada um julgue-o como quiser. Ele manteve-se igual até ao fim .

21.03.16

Viagem de Barack Obama a Cuba

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O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama aterrou ontem em Havana para uma visita histórica de 48 horas, acompanhado pela mulher, Michelle, pelas duas filhas, pela sogra e por uma comitiva de empresários e políticos.

Esta visita, a primeira de um presidente dos EUA em 88 anos, está a gerar um sentimento de esperança entre o povo cubano que viu o governo comunista de Havana desprezar 10 líderes norte-americanos anteriores e só foi possível após Obama e o presidente de Cuba, Raúl Castro acordarem em acabar com o embargo que começou aquando da revolução cubana que derrubou um governo pró-norte-americano em 1959.

Recorde-se que foi no funeral de Nelson Mandela, em 2013, que se iniciaria a aproximação das relações entre os dois países, quando Barack Obama apertou a mão a Raúl Castro. Em Dezembro de 2014, os dois líderes anunciaram que iam ser reatadas as relações diplomáticas, assim como a reabertura da embaixada norte-americana em Havana.

Cartazes de boas-vindas com imagens de Obama ao lado de Castro aparecem na velha colonial Havana, onde Obama passeou na tarde de ontem, logo após o desembarque.

Hoje, Barack Obama vai reunir-se com o seu homólogo Raul Castro e terá encontros com membros da sociedade civil, empresários e cidadãos cubanos de diferentes áreas.

À noite, Obama e Castro – acompanhados pelas respetivas famílias e delegações – participarão num jantar no Palácio da Revolução.

Não está, contudo, previsto nenhum encontro com Fidel Castro, o histórico dirigente cubano afastado do governo há uma década e responsável pelo corte de relações entre Cuba e os EUA.

12.04.15

Cimeira das Américas

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A Cimeira das Américas que teve lugar na Cidade do Panamá ficou marcada por um novo relacionamento entre o Presidente Barack Obama e o seu homólogo cubano Raúl Castro, pondo de lado o paradigma do passado e reescrevendo um novo capítulo na História dos dois países, interrompido há cinco décadas. 

Não foi a primeira vez que os dois líderes se cumprimentaram, já o haviam feito, de forma fugaz, em Pretória, no funeral de Nelson Mandela. Recorde-se que os dois países que cortaram relações em 1958, quando Cuba passou a ser liderada por Fidel Castro.

Mas como insistiu Raúl Castro, a questão mais premente – e que precisa de ser resolvida a curto prazo, prende-se com o embargo comercial imposto em 1962, uma decisão que compete ao Congresso dos EUA levantar. Mas o dirigente cubano fez questão de afirmar que Obama «não tem responsabilidade nenhuma pelas políticas da Guerra Fria ou pelo bloqueio» comprometendo os presidentes que o antecederam.

Por sua vez, o Presidente Obama sublinhou que não está interessado em lutar em guerras que começaram antes de ter nascido. Considerou que Cuba não constitui mais uma ameaça para os EUA e assegurou ainda que esta aproximação é efetivada pela maioria dos cidadãos dos dois países o que permitirá o aumento do comércio bilateral e das viagens, num processo que trará enormes benefícios ao povo cubano. Futuramente os Estados Unidos prometem não intervir nos assuntos dos países latino-americanos.

À margem dos discursos públicos do conclave das nações americanas, os dois líderes encontraram-se em privado e terão acordado sobre o restabelecimento da normalidade nas relações diplomáticas.

18.12.14

Fim do embargo a Cuba poderá não ser favas contadas

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As relações diplomáticas entre Cuba e os EUA são praticamente inexistentes desde o início do embargo norte-americano em 1962.

Obama já tinha demonstrado intenção de alterar as relações com Cuba, mas o facto de existir um prisioneiro norte-americano condenado a 15 anos de prisão em Cuba, sob a acusação de subversão, era um entrave. Com a libertação do preso norte-americano, Raul Castro e Barack Obama deram esta um importante passo para que a normalização das relações diplomáticas entre os dois países, e para o fim do embargo americano a Cuba. Mas só isso pode não ser suficiente para concretizar o fim do bloqueio que dura já há mais de 50 anos.

É fundamental que haja uma relação de respeito mútuo entre os dois países e que a vontade e a soberania do povo cubano sejam respeitadas, mas por estar submetido à lei americana, o fim do embargo terá de ser debatido e votado no congresso para que essas leis sejam revogadas. O que não se afigura fácil. É que a partir de janeiro, as câmaras do congresso americano passam a ser controladas pelos Republicanos, por oposição aos Democratas que controlam atualmente Casa Branca. Resta ver como irão reagir os conservadores que nunca viram com bons olhos o fim do embargo.

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