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Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

06
Jun17

Património português sem rei nem roque

 

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Depois do programa “Sexta às 9”, da RTP1, ter exibido uma reportagem sobre os danos causados no Convento de Cristo, um monumento que está catalogado pela UNESCO como Património da Humanidade, na sequência da rodagem do filme «O Homem que matou D. Quixote» do realizador Terry Gilliam e de o Museu dos Coches se prestar como cenário para uma exposição de automóveis que estão à venda nos stands das respetivas marcas, o DN dá conta, hoje, que o Ministério Público está a investigar as festas privadas que se realizaram no Mosteiro dos Jerónimos. A notícia é avançada pelo Diário de Notícias. Em causa estarão os montantes pagos à World Monuments Fund, da qual é vice-presidente a diretora do mosteiro, Isabel Cruz Almeida.

 

Tudo isto parece surreal. Afinal trata-se de Património Mundial reconhecido pela UNESCO, que a Direção Geral do Património parece não saber preservar.

 

É urgente que o Ministro da Cultura dê explicações sobre todos estes casos

03
Mai17

O terço da Joana

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Um terço gigante pesando 540 quilos e medindo 26 metros de altura, obra de arte da artista plástica Joana Vasconcelos foi instalado no recinto do Santuário de Fátima.

 

A peça – encomendada pelo próprio Santuário para comemorar o centenário – recorda a aparição em Fátima aos três pastorinhos da Virgem Maria, que tinha em suas mãos um Rosário com contas brancas. 

 

A obra intitulada «Suspensão» segue a linha de obras anteriores da autora realizadas há mais de 20 anos (não ser executada com panelas e tampas em inox ou tampões OB foi uma sorte). Tudo em grande escala a fazer jus à autora e à sua obra.

27
Mar17

Dia Mundial do Teatro

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Hoje é dia Mundial do Teatro, corra até ao teatro D. Maria II . «Abrimos as portas. Acendemos as luzes. E esperamos por si». O Dia Mundial do Teatro é isso mesmo: um momento de encontro. Um dia em que, de um modo ainda mais especial, contamos com todos para celebrar o Teatro. Este ano, saiba quais os espetáculos e atividades de que poderá usufruir: 

 

14h Visita guiada à exposição Teatro em cartaz: A coleção do D. Maria II, 1853-2015

curadoria Lizá Ramalho e Artur Rebelo

visita por Helena Barbosa

 

16h e 19h Ethica. Natura e origine della mente

de Romeo Castellucii

 

20h Conversa com Romeo Castellucci 

moderação José Tolentino de Mendonça

 

21h Tiranossauro Rex - Procedimento básico de memorização e esquecimento

de Alex Cassal

 

21h30 Ensaio para uma cartografia

de Mónica Calle

 

Entrada livre mediante o levantamento de bilhetes, na bilheteira do D. Maria II, a partir das 10h30. Limite de 2 bilhetes por pessoa, sujeitos à lotação disponível. Para este dia não se aceitam reservas."

 

 

"EXPOSIÇÃO - TEATRO EM CARTAZ - A COLEÇÃO DO D. MARIA II, 1853 - 2015

até 29 Julho, 2017

qua - dom, 30 min. antes do início dos espetáculos da Sala Garrett para portadores de bilhete

 

VÁRIOS LOCAIS | ENTRADA LIVRE*

 

18 abril - Dia Internacional dos Monumentos e Sítios | Horário da exposição: 15h - 18h

 

Um cartaz é um espetáculo. Pelos cartazes do D. Maria II vemos mais de um século de representações e das histórias que cada uma encerra. Nesta comemoração dos 170 anos, pedimos aos designers que atualmente desenvolvem a imagem do D. Maria II para mergulharem no arquivo e revelarem ao público como esse trabalho tem sido feito ao longo do tempo.

 

Nos documentos apresentados, evidenciam-se diferentes abordagens de pensar e produzir o cartaz. Das leituras desta amostra emergem diversas questões que vão desde as estratégias de gestão da imagem de identidade visual, até ao espaço de criação de que dispõe o designer.

curadoria Lizá Ramalho e Artur Rebelo

 

VISITAS GUIADAS À EXPOSIÇÃO

com Helena Barbosa

27 mar, 14h | entrada livre"

 

21 MAR - 30 ABR 2017

ÁTRIO | ENTRADA LIVRE

VIDEOTECA BOCA

 

"A Videoteca BoCA surge como um ponto de documentação, de historiação visual e de partilha pública, com o intuito de dar a conhecer (sobretudo ao público especializado mais jovem) o passado recente, desconhecido e escassamente documentado, através de obras artísticas que, de algum modo, estão na esteira do "espírito do tempo" da criação atual e que integram, na sua maioria, a programação da BoCA.

 

Percecionamos estéticas, conceções, direções, interesses e escolhas artísticas que se relacionam com uma geração, o seu contexto social, político e económico, mas que revelam também a intimidade dos artistas, mais jovens.

Oferecendo o acesso privilegiado a trabalhos de encenadores, coreógrafos, artistas plásticos ou performers, a Videoteca BoCA conta com a colaboração de artistas, entidades públicas e privadas que gentilmente cederam materiais de arquivo.

 

Durante a tarde, depois das aulas ou antes de assistir a um espetáculo, o espaço da Videoteca BoCA, no átrio do D. Maria II, pretende ser um descontraído ponto de encontro (físico), onde se podem descobrir obras que de outra forma não se teria oportunidade de ver, ou de rever.

 

Nomes de alguns artistas cujos registos de vídeo integrais são contemplados na Videoteca BoCA: Ana Borralho & João Galante, Cecilia Bengolea, Cláudia Dias, François Chaignaud, Héctor Zamora, Lúcia Sigalho, Márcia Lança, Mariana Tengner Barros, Miguel Moreira, Musa paradisiaca, Paulo Castro, Rodrigo García, Romeo Castellucci, Salomé Lamas, Tania Bruguera, Vera Mantero."

 

Transportes

Metro: Terreiro do Paço, Baixa-Chiado, Rossio

Autocarros: 709, 711, 714, 732, 735, 736, 758, 759, 760, 781, 782

Eléctricos: 12, 15, 25, 28

Barco: Terreiro do Paço, Cais do Sodré 

Comboio: Cais do Sodré, Rossio, Santa Apolónia

 

fonte: http://www.teatro-dmaria.pt/pt/

 

05
Fev17

Alfarrabista de Faro doou todo o seu espólio

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A Livraria Simões encerrou em 2015 quando o seu dono, Carlos Simões, então com 72 anos, foi obrigado a fechar portas devido a uma ordem de despejo por incapacidade de suportar uma renda 700 euros.

 

O alfarrabista viu-se obrigado a abandonar a loja da Rua do Alportel, em Faro, em julho de 2015 sem contudo ter conseguido levar consigo os milhares de livros que reuniu ao longo de 36 anos de atividade.

 

Quando encerrou a livraria, Carlos Simões já anunciava que pretendia oferecer os seus livros, caso nenhuma biblioteca tivesse interesse em recebê-los.Por isso, a loja da Rua do Alportel abriu ontem, 4 de Fevereiro, entre as 10h00 e as 12h30, para quem quisesse fosse lá escolher e levar todo o espólio de forma totalmente gratuita.

 

A Associação de Valorização do Património Cultural e Ambiental de Olhão (APOS), responsável pelo processo de escoamento dos livros da loja não estava à espera de tamanha procura. Vieram pessoas de todo o país. E formaram-se longas filas para levarem os 500 mil livros que foram acumulados pelo último alfarrabista de Faro. Em apenas duas horas foi esvaziada a loja.

 

Faro foi a cidade onde, em 1487, se imprimiu o primeiro livro português, e ficou, desde 2015, sem o seu último alfarrabista.

25
Jan17

Ainda o Novo Acordo Ortográfico

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Volta não volta vem à baila o Acordo Ortográfico (AO). Já aqui manifestei a minha opinião aqui e aqui, e, sinceramente já cansa ver os opositores e peticionários usarem, em vez de argumentos científicos, fundamentações que se prendem com a identidade, património linguístico.

 

Note-se que o facto de estar a favor do AO não significa de forma alguma que o considere perfeito. Longe disso. Há até algumas regras que estou em profundo desacordo, designadamente quando se menciona a indiferenciação gráfica entre ‘para’ (preposição) e ‘pára’ (forma verbal) ou a descrepância entre ‘Egito’ e ‘egípcios’ – não compreendi a lógica destas opções.

 

Contudo, penso que a língua tem que ser simplificada, para que se adapte às várias pronúncias, como tal deve se expurgada de símbolos gráficos mudos, apenas mantidos para conservar a história das palavras defendidos pelos eruditos linguistas.

 

Há já vários anos que a nova ortografia é utilizada em documentos oficiais, nos manuais escolares e no ensino, e há já algumas gerações de alunos que aprenderam o português utilizando a nova ortografia. Retroceder agora seria problemático.

 

Não foi o primeiro AO e não será certamente o último, porque as línguas não são estáticas. Portugal é o berço da língua portuguesa, mas a língua não é exclusiva de Portugal. É partilhada por 260 milhões de pessoas e deve ser vivida na sua diversidade.

 

Penso que a adesão e aceitação do AO é uma questão de tempo. Dentro em breve, o problema ficará pacificado, como aconteceu das vezes em que foram aprovados os anteriores Acordos.

26
Dez16

Annus horribilis para a música

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2016, foi um ano negro para a música com o desaparecimento de alguns dos seus grandes nomes.

David Bowie foi o primeiro a partir, em Janeiro, apenas uns dias depois de lançar o álbum Blackstar.

O músico Maurice White, o produtor dos Beatles, George Marti,  Keith Emerson e Greg Lake da banda Emerson, Lake & Palmer, Phife Dawg, o rapper americano e um dos criadores do grupo A Tribe Called Quest e Merle Haggard, lenda da música country foram também cantores que desapareceram ao longo do ano.

Prince, o ícone da pop e também Leonard Cohen, poeta e cantor fazem parte da lista negra de cantores que morreram em 2016. Sharon Jones, cantora do soul e funk e Rick Parfitt, o guitarrista do grupo Status Quo também nos deixaram este ano.

Ontem foi a vez George Michael, uma das melhores vozes da pop britânica, primeiro com a dupla Wham e depois com uma carreira solo, que morreu ontem aos 53 anos, dia de Natal. Sim, ontem foi o Last Christmas de George Michael, infelizmente.

Que ano horrível! Ainda bem que 2016 vai acabar daqui a menos que uma semana.

18
Dez16

Marcelo tenta evitar fecho da Cornucópia

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O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, compareceu no espetáculo de encerramento do Teatro da Cornucópia e serviu de mediador numa conversa entre o fundador e diretor do Teatro da Cornucópia, Luís Miguel Cintra, e o ministro da Cultura para evitar o fim desta companhia. O Chefe de Estado defendeu um «estatuto de exceção» para o teatro.

 

Marcelo, neste afã de estar em todo o lado, exorbitou, uma vez mais, as suas competências presidenciais, colocando o Ministro da Cultura numa posição fragilizada (que cancelou uma iniciativa em Castelo Branco para marcar presença no teatro da Cornucópia).

 

Creio que não cabe a Marcelo intervir publicamente nem mediar conflitos de política interna, por melhores que sejam os argumentos, cuja decisão cabe ao governo e ao ministro da tutela, ao abrigo do princípio da separação dos poderes.

 

Como é sabido, no nosso sistema constitucional é ao Governo que compete governar e tomar as decisões pertinentes, assumindo a sua responsabilidade política perante o Parlamento e a opinião pública.

 

Cabe ao Presidente da República zelar pelo regular funcionamento das instituições, podendo mesmo aconselhar ou até advertir o primeiro-ministro, mas não tem sobre o Governo nenhum poder de tutela ou de superintendência política.

 

Esta iniciativa do Presidente parece-me algo inoportuna, por apontar para um compromisso que contempla apenas a Cornucópia sem estar ancorada numa política geral de apoio ao teatro que abranja todas as companhias em condições idênticas e que preencham os mesmos requisitos.

 

Não se pode resolver o caso da Cornucópia e desprezar instituições culturais congéneres. A solução para a Cornucópia, como para todo o sector das Artes Performativas, enquadra-se numa decisão política que envolve o Governo e a Assembleia da República, não a Presidência da República.

16
Dez16

O fim do Teatro da Cornucópia

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O Teatro da Cornucópia, fundado em 1973 por Luís Miguel Cintra e Jorge Silva Melo, anunciou que vai fechar portas no próximo sábado.

 

Sem programação para os próximos meses, a Companhia decidiu colocar um ponto final na sua atividade com um recital, de entrada gratuita, às 16h00, a partir de textos do poeta francês Guillaume Apollinaire, com a participação de atores e músicos que têm trabalhado com o teatro. No mesmo dia do encerramento, é lançado o segundo volume do livro/catálogo «Teatro da Cornucópia», onde se relembram os espetáculos dos últimos 14 anos.

 

Em 43 anos de atividade o teatro centrou-se sobretudo na dramaturgia contemporânea, tendo encenado peças de Shakespeare, Tchekov, Moliére, Genet, Pasolini, Strindberg, Holderlin, Brecht, Garcia Lorca, mas também Gil Vicente, Camões, Almeida Garrett e António José da Silva.

 

Luís Miguel Cintra, Prémio Pessoa 2005, dedicou grande parte da vida ao Teatro da Cornucópia, retirou-se dos palcos em 2015 por razões de saúde. Já nessa altura, o ator e encenador falava na possibilidade de o teatro encerrar devido a constrangimentos financeiros no financiamento público pela Direcção-Geral das Artes.

 

Num ano de morte de tanto atores, mais uma grande perda para a cultura portuguesa. Que ano!

11
Dez16

Patti Smith na cerimónia do Nobel 2016

 

 

Bob Dylan foi reconhecido  com o Nobel de Literatura em 2016. Depois de várias tentativas de contacto por parte da Academia Sueca, Dylan finalmente aceitou o Nobel e agradeceu-o, dizendo que estava «sem palavras»  com o reconhecimento.

 

O músico tinha comunicado há três semanas que não compareceria à cerimónia, alegando já ter outros compromissos, mas enviou um discurso de agradecimento para ser lido juntamente com os dos outros premiados na cerimónia de entrega de prémios que se realizou ontem, em Estocolmo.

 

Patti Smith foi convidada a atuar em sua honra. A cantora e poetisa interpretou uma das canções mais famosas de Dylan, A Hard Rain's A-Gonna Fall, tendo acusado o nervosismo e esquecido parte da letra. Smith pediu desculpas e retomou, logo depois, a atuação, perante os muitos aplausos da plateia.

 

Os prémios Nobel atribuidos são: uma medalha de ouro, um diploma e um cheque de oito milhões de coroas suecas, equivalente a 824 mil euros, cerca de 871 mil dólares, que é partilhado se houver mais do que um vencedor numa categoria.

09
Dez16

Prémio Pessoa 2016

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O escritor, tradutor e professor universitário Frederico Lourenço, especialista em Línguas e Literaturas Clássicas, em particular Grego, foi distinguido com o Prémio Pessoa 2016. Este prémio distingue há 30 edições uma personalidade de nacionalidade portuguesa, no valor de 60 mil euros, sendo uma iniciativa anual do jornal Expresso, com o patrocínio da Caixa Geral de Depósitos.

 

Frederico Lourenço doutorou-se com uma tese sobre os cantos líricos de Eurípides e tem dedicado grande parte da carreira ao estudo da poesia grega, com destaque para a tradução de Homero. Publicou este ano o primeiro volume da nova tradução da Bíblia Grega, Septuaginta, de uma série de seis, com os quatro Evangelhos canónicos, de Mateus, Marcos, Lucas e João.

 

O júri do Prémio Pessoa 2016 foi constituído por Francisco Pinto Balsemão (presidente), António Domingues (vice-presidente), António Barreto, Clara Ferreira Alves, Diogo Lucena, Eduardo Souto de Moura, José Luís Porfírio, Maria Manuel Mota, Maria de Sousa, Mário Soares, Pedro Norton, Rui Magalhães Baião, Rui Vieira Nery e Viriato Soromenho-Marques.

  

O Prémio Pessoa foi atribuído pela primeira vez em 1987, ao historiador José Mattoso. Desde então foram reconhecidos, entre outros, o poeta António Ramos Rosa, a pianista Maria João Pires, os investigadores António e Hanna Damásio, o neurocirurgião João Lobo Antunes, recentemente falecido, o arquiteto Eduardo Souto de Moura, o constitucionalista José Joaquim Gomes Canotilho, a historiadora Irene Flunser Pimentel e a investigadora Maria Manuel Mota.