Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

Narrativa Diária

Não escrever um romance na «horizontal», com a narrativa de peripécias que entretêm. Escrevê-lo na «vertical», com a vivência intensa do que se sente e perturba. Vergílio Ferreira

11
Mai16

José Rodrigues dos Santos sobre a dívida pública

hqdefault.jpg

Os socialistas insurgiram-se contra José Rodrigues dos Santos (JRS). Em causa está uma peça apresentada no telejornal ddo passado dia 2 de maio, onde o jornalista apresentou gráficos referentes à situação financeira do país.

A dívida pública, situada nos 130% do PIB, foi o seu principal enfoque, com o apresentador a acentuar o aumento verificado entre 2005 e 2011 (José Sócrates no Governo) e que este aumento teria um perfil diferente do aumento entre 2011 e 2015 ( Governo de Passos Coelho).

Fui, por curiosidade, visualizar a dita peça sobre a dívida pública e penso que o jornalista extravasou claramente a função informativa. JRS faz juízos de valor e nessa medida julgo exorbitou as funções para as quais estava qualificado, isto é para apresentar o Telejornal.

O que esperamos quando assistimos ao Telejornal é que nos informe sobre os acontecimentos mais importantes do País e do Mundo, coisa diferente de quando assistamos a um debate, onde são devidamente identificados o moderador, os comentadores, sem esquecer o contraditório.

A “informação” veiculada por JRS é parcial e tendenciosa. Ao invés de se limitar a ler as notícias, dá uma entoação retorcida, com variações de timbre de voz (consoante a sua opinião sobre o tema) e já nem falo naquele tique irritante de piscar o olho, nem nas piadas brejeiras com que muitas vezes termina a apresentação do Telejornal! O desempenho deste jornalista para além desagradável - não cabe nos cânones do jornalismo que se quer isento e rigoroso.

JRS como jornalista tem um código deontológico e uma conduta ética que deveria observar e respeitar. Mas não é a primeira vez que JRS nos brinda com peças do género. Já havíamos assistido a observações menos felizes do jornalista em causa, designadamente a propósito da Grécia e da eleição do deputado Alexandre Quintanilha para a Assembleia da República.

Que o cidadão JRS não goste do Partido Socialista em geral e de José Sócrates em particular é um direito que lhe assiste e que eu até aceito, agora que o jornalista JRS tenha esse sentimento e o demonstre em horário nobre e ainda por cima num canal de televisão público é que já me parece bastante mais grave e inaceitável.

04
Ago15

Défice poderá ficar acima dos 3% em 2015

ng0A9521AB-9A85-4A95-8A13-2E5ACBB1F543.jpg

Depois da  UTAO ter analisado os dados de receita fiscal do primeiro semestre deste ano e ter concluído que existe um desvio na receita fiscal que, a manter-se até ao final do ano, equivalerá a 660 milhões de euros o que implicará que o défice seja superior aos 3%, agora é também a agência de notação financeira Fitch a afirmar que Portugal vai terminar 2015 com um défice de 3,1% do PIB, ou seja, acima da fasquia dos 3%, o que faz com que viole o pacto de estabilidade e fique aquém daquele que era apontado pelo executivo, cujas perspetivas apontavam para os 2,7%.

A agência de notação financeira prevê também que o crescimento da economia seja inferior ao previsto pelo Governo, FMI, OCDE e Comissão Europeia e que não vá além dos 1,5%, enquanto estas instituições apostam nos 1,6%. O Banco de Portugal, ainda mais ambicioso, estimava que a economia crescesse 1,7%.

Outro dos valores que fica aquém do expectável pelo Governo é o rácio da dívida pública. Enquanto o Executivo se comprometeu com os 124,2% do PIB, as perspetivas da Fitch apontam para 127,8%.

 

29
Mar15

O pós-jardinismo

img_708x350$2013_10_04_15_47_54_207982.jpg

A Madeira vai hoje a votos para a presidência do Governo Regional, pela primeira vez sem Alberto João Jardim na corrida eleitoral.

A herança é pesada. Não obstante ter existido obra feita na Madeira, houve muitos «elefantes brancos»; foram criados muitos serviços supérfluos, desbaratou-se muito com construção de infraestruturas sem qualquer utilidade.

Agora, com uma dívida aproximada de 7,5 mil milhões de euros, um alto nível de desemprego e uma taxa de pobreza elevada, os eleitores vão decidir a quem pretendem entregar os destinos da região autónoma da Madeira.

Na corrida eleitoral, vão estar em disputa oito partidos e três coligações.

A lista do PSD madeira é encabeçada por Miguel Albuquerque que pretende conquistar a maioria absoluta, que nunca fugiu ao seu antecessor e as sondagens apontam nesse sentido, se bem que com números ao nível do pior resultado obtido por Alberto João Jardim (48,5% em 2011).

A maior mudança é a protagonizada pelo socialista Vítor Freitas, que junta o PS, o PAN, o MPT e o PTP de José Manuel Coelho. O desafio para a coligação que integra o maior partido da oposição é aproveitar a mudança de ciclo para se afirmar. O líder do PS, António Costa, foi à Madeira dizer que espera iniciar ali a derrota às políticas de Passos Coelho, mas a coligação nunca descolou dos 18% das intenções de voto.

Mas seja qual for o veredicto das urnas, é garantido desde já que vai haver uma mudança na região autónoma da Madeira e que a partir de amanhã iniciar-se-á um novo ciclo. De maior dependência, de maiores restrições, de maior privação, é certo. Mas nada será como dantes. O pós-jardinismo começa agora.

24
Jan15

Passos aplaudiu a compra de dívida por parte do BCE, mas nem sempre foi dessa opinião

O Banco Central Europeu (BCE) anunciou que vai comprar mensalmente 60 mil milhões de euros de dívida pública e privada até setembro de 2016.

A decisão do BCE foi tomado para travar a espiral deflacionária e repor a inflação próximo dos 2%, devido à descida abrupta do preço dos barris de petróleo juntamente com a recessão europeia decorrente das medidas de austeridade que destruíram o mercado interno, o tecido económico-social e o poder de compra dos países da zona euro.

Neste sentido o plano de Mário Draghi só peca por tardio. Ao executivo cabe acolher com entusiasmo as medidas do BCE e desenvolver políticas ativas para potenciar as vantagens da desvalorização do Euro, capitalização da banca, mutualização de parte da dívida pública, compra de dívida pública e consequentemente redução do juro e do custo do serviço da dívida.

Se bem que os benefícios vão ser indiretos. Para que tudo isto resulte para o comum dos cidadãos, é necessário que o governo retome uma política de apoio à economia, quer no lançando investimentos reprodutivos, quer apoiando o relançamento da indústria. Estas medidas do BCE têm de ser encaradas como uma oportunidade de acelerar o crescimento das exportações, o crescimento económico, a redução do desemprego e melhoria do bem-estar social.

Pedro Passos Coelho aplaudiu a decisão de Draghi. Mas nem sempre teve este entendimento.

Aliás, António Costa apontou essa mudança de opinião do primeiro-ministro que anteriormente se manifestara contra a compra de dívida pública por parte do BCE.

Com efeito, em Novembro de 2011, Cavaco Silva tinha defendido uma atuação por parte do BCE que se assemelha muito com a que foi anunciada esta semana por Maria Draghi e que até na altura mereceu a aprovação de Francisco Louçã. O Presidente disse que o BCE devia manifestar «disponibilidade para uma intervenção ilimitada no mercado secundário da dívida pública daqueles países que sendo solventes enfrentam problemas de liquidez».

Um dia depois destas declarações, o primeiro-ministro fez questão de discordar publicamente com o Presidente, assumindo que «se o BCE tivesse por função resolver o problema dos países indisciplinados, imprimindo mais euros, pura e simplesmente esse seria um péssimo sinal». O que o BCE vai fazer agora, em termos simples, é imprimir mais euros para recomprar dívida no mercado secundário e assim baixar os juros dos títulos soberanos e fazer subir a inflação, tal como Cavaco Silva afirmara.

Em Junho de 2012, no Parlamento, em resposta ao líder do PS António José Seguro, Passos Coelho opôs-se à compra de dívida por parte do BCE e explicava porquê: «Se o senhor deputado entende que o BCE deve atuar em mercado secundário com programas mais intensos de compra de títulos de dívida soberana dos diversos países (…) deixe-me dizer-lhe: não concordo e não preciso de pedir licença a ninguém - nem em Portugal, nem na Europa – para lhe dizer aquilo que penso. Não aceito essa visão porque em primeiro lugar não cabe ao BCE em circunstância nenhuma exercer um papel de monetização dos défices europeus».

Já mais recentemente, em Maio de 2014, o Primeiro-Ministro insistiu que estaria contra a compra de dívida pública pelo BCE em larga escala porque, e cito, «é importante que a economia europeia recupere pelos seus próprios meios». Ou seja, Passos foi sempre adversário desta medida e contrário à mudança de orientação da política europeia.

Hoje, ou porque a memória é curta ou porque lhe convém assumir outra posição política sobre o mesmo assunto, tentou passar a ideia que não tinha dito aquilo que disse, afirmando: «nunca me manifestei contra o programa do BCE, antes pelo contrário» e referiu que é «bem-vinda» a decisão do BCE de comprar dívida pública e que espera que ela «seja tão eficaz quanto se deseja».

Mas como o vídeo comprova, não restam dúvidas…